Call of the Elder Gods enlouquece os jogadores no passado, presente e futuro
Sequência de Call of the Sea mostra a evolução do estúdio Out of the Blue Games
Desenvolver sequências é sempre uma tarefa complexa, desde as etapas mais iniciais de uma produção artística. A variedade de opções é interminável, podendo se manter no mesmo caminho, desviar um pouco da rota ou mesmo ir completamente na contramão. Isso faz com que muitas continuações sejam menos aclamadas do que as obras originais em qualquer tipo de mídia. Não é uma regra, mas é uma constante empírica na história da cultura pop.
Claramente, esse foi um desafio que o estúdio espanhol Out of the Blue Games lutou para superar, já que seu jogo de estreia, Call of the Sea, foi criticamente aclamado ao redor do mundo. Como então entregar um trabalho que estivesse à altura das expectativas dos fãs, principalmente considerando que o primeiro título não dá muita abertura para sequências?
A resposta encontrada foi envolver o jogador naquele universo, investindo na narrativa e tornando os quebra-cabeças ainda consonantes, além de adaptar uma obra mais madura, elaborada e aclamada de H. P. Lovecraft, "A Sombra Fora do Tempo". Assim nasceu Call of the Elder Gods.
Mesmo sendo fã confesso da desenvolvedora, tanto por seu primogênito quanto pelo ótimo American Arcadia, não foi de cara que esta sequência me conquistou. Foi apenas no Capítulo 3 que fui oficialmente fisgado pela jornada da jovem Evie Drayton e do professor da Universidade Miskatonic, Harry Everhart. E sim, caso esteja se perguntando, Harry é o marido de Norah, protagonista de Call of the Sea, que também retorna, apenas como narradora da história.
Os eventos se passam anos após o primeiro jogo, com Everhart dedicando sua vida a estudar o lodo preto e eventos sobrenaturais, o que o coloca no caminho de uma seita obscura que deseja dominar o mundo. Enquanto isso, Evie pode ter as respostas para todas as perguntas que Harry passou a vida tentando decifrar.
O começo é lento, com a personalidade e relação dos dois demorando para se desenvolver, assim como os primeiros grandes eventos da trama. A narrativa se apoia muito no formato expositivo, já que temos dois personagens interagindo diretamente e uma terceira voz onisciente preenchendo as lacunas.
Esse início arrastado acontece também com os puzzles. Embora se aproximem da estrutura de salas de escape room, eles não conseguem apresentar grandes desafios logo de cara. As engrenagens demoram a aquecer, assim como um carro a etanol em um dia de frio, mas felizmente o roteiro não nos deixa com a sensação de estarmos atrasados para o compromisso.
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Como dito anteriormente, as coisas ficam quentes mesmo a partir do terceiro capítulo. Os planos malignos e métodos da seita são expostos; a relevância da Evie para a história é esclarecida e Harry assume uma postura muito mais ativa. O game cresce como um todo após as introduções serem feitas, colocando novatos e veteranos em pé de igualdade narrativamente para apreciarem o desenvolvimento constante dos fatos.
Foi nesse capítulo também que tive meu primeiro desafio: um puzzle clássico de lógica em que, com poucas informações, é necessário identificar cinco características de cinco personagens diferentes. Foram quase 30 minutos gastos lendo, relendo e testando, o que gerou grande satisfação ao encontrar a solução. Não é nada inovador ou complexo, mas usa tantas características diferentes de história, astronomia e até química que tornaram tudo bem mais imersivo.
A partir deste ponto, temos o envolvimento de seres de outros planetas, viagens espaciais e temporais, mecânicas de mudança de personagem, máquinas de descriptografia da Segunda Guerra Mundial, mitologia egípcia, línguas alienígenas e um encerramento surpreendente.
Tudo fica mais intenso graças à atuação de Harry (Yuri Lowenthal), Evie (Mara Junot) e Norah (Cissy Jones), capazes de entregar profundidade e leveza na medida certa. A parte sonora, inclusive, sempre foi o forte da Out of the Blue, algo que se repete na espetacular trilha sonora composta por Eduardo de la Iglesia.
De forma geral, Call of the Elder Gods é uma pequena fogueira com gravetos molhados que demoram para acender, mas capaz de botar fogo em um bosque. Ainda que não tenha a intensidade de um incêndio florestal, como jogos que concorrem aos principais prêmios ao fim do ano, o game pode deixar uma marca em quem o vislumbra, principalmente se a pessoa for fã do inominável universo Lovecraftiano.
Call of the Elder Gods
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