Freud, da Netflix

Créditos da imagem: Freud/Netflix/Divulgação

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Freud | O que é fato e ficção na série da Netflix

Entenda o que realmente aconteceu na vida do pai da psicanálise

Arthur Eloi
27.03.2020
16h49
Atualizada em
27.03.2020
18h16
Atualizada em 27.03.2020 às 18h16

Com sua aventura policial e momentos sombrios, Freud não parece levar muito a sério a vida real de Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Ainda que a intenção da série da Netflix não seja fazer um retrato fiel da personalidade histórica, alguns eventos e nomes do programa são reais. Para ajudar a separar fato da ficção, listamos abaixo o que mostrado em Freud realmente aconteceu.

Fato: Vício em drogas

Logo nos primeiros minutos da série, Freud (Robert Finster) é visto tomando uma solução de cocaína diluída em água. A substância volta a aparecer várias vezes ao longo do programa. Acontece que Sigmund Freud tinha bastante interesse em cocaína, não só no seu uso mas também como objeto de estudos. Em 1884, dois anos antes dos eventos da série, publicou um artigo chamado “Über Coca” (ou “Sobre Coca”), em que discutia o potencial da cocaína para a cura da histeria e outras “doenças da alma”. Diferente da psicanálise, essa pesquisa não foi tão popular.

Ficção: Freud caçador de serial killers

Esse é bastante óbvio, mas o envolvimento de Freud em um caso policial é a maior liberdade criativa do programa. De fato o psicanalista era brilhante, mas nunca usou essa habilidade para caçar serial killers.

Ficção: Fleur Salomé

A médium vivida por Ella Rumpf, que ajuda e se envolve com o médico, não existiu na vida real. Porém, julgando apenas pelo sobrenome, a personagem pode ter sido levemente inspirada por uma pessoa real: Lou Andreas-Salomé. Nascida em 1861, Andreas-Salomé foi autora, poeta e também psicanalista, tendo conhecido não só Freud ao longo de sua vida, mas também tido um caso com Friedrich Nietzsche. Apesar de Freud considerá-la uma de suas melhores amigas, Andreas-Salomé não teve um romance com o pai da psicanálise, e só foi conhecê-lo em 1911, 25 anos após os eventos da série.

Fato: Apresentações na Universidade de Viena

No final de 1885, Freud de fato fez intercâmbio em Paris. Lá desenvolveu interesse na técnica de hipnose, que o levaria até seus métodos mais complexos de estudos da mente humana. Quando retornou à Viena, demonstrava seus experimentos aos demais colegas de profissão em apresentações na Universidade de Viena, onde se formou médico. Assim como é demonstrado na série, quem apoiava suas descobertas era Josef Breuer, seu mentor.

Fato: Trabalho na clínica

O que abriu portas para Freud palestrar na Universidade de Viena foi seu trabalho na clínica psiquiátrica de Theodor Meynert, vivido na série por Rainer Bock (Better Call Saul). Assim como no programa, Freud mais tarde se demitiu da posição (não-remunerada, por sinal) para abrir sua clínica privada.

Ficção: o plano dos Szápáry

A Família Szápary é real, tendo inclusive papel fundamental na Primeira Guerra Mundial. Agora os personagens Viktor e Sophia são criação do programa, assim como seu plano de golpe. A unificação da Áustria e Hungria ocorreu em 1867, e havia sim tensões entre as duas nações do Império Austro-Húngaro, mas não há registros da realeza húngara ter tentado assassinar os austríacos em 1886.

Fato: o teatro em chamas

O apartamento de Freud ganha ares mórbidos quando é revelado que o prédio costumava ser um teatro, vítima de um incêndio cheio de vítimas. Por incrível que pareça é tudo real: o Ringtheatre de Viena ardeu em chamas no dia 8 de dezembro de 1881, deixando 384 mortos. A estrutura restante do teatro foi demolida e, mais tarde, no mesmo local foi construído um prédio de apartamentos, em que Sigmund Freud foi um dos primeiros inquilinos.

Fato: o casamento

Nos momentos finais da série, Freud revela à sua família que se casará com Martha Bernays (Mercedes Müller). A moça não tem lá muita presença no seriado mas, na vida real, foi a única esposa do psicanalista. Durante os quatro anos entre eles se conhecerem até o casamento em 1886, especula-se que Freud escreveu mais de 900 cartas para Martha.