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Supergirl é o primeiro fracasso da DC de James Gunn; é hora de se preocupar?

Após bilheteria fraca e críticas negativas, estúdio enfrenta seu primeiro grande desafio

Omelete
5 min de leitura
29.06.2026, às 12H15.
Supergirl James Gunn Superman

Créditos da imagem: DC Studios

Nas redes sociais, os últimos quatro dias foram apocalípticos quando o assunto era o DC StudiosSupergirl estreou com US$ 38 milhões nos EUA – um número pior que Morbius As Marvels – e forçou até um dos CEOs do estúdio, Peter Safrana emitir um comunicado que, se traduzido para uma fala mais direta, basicamente diz: “torcedores calma.” Pela primeira vez, a água está borbulhando na casa gerida por James Gunn, e muitos questionam o futuro da empreitada. Essa preocupação é justa?

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Por um lado, sim, mas não só porque Supergirl deu errado. A questão maior é a infelizmente inevitável fusão entre a Warner Bros. Discovery e a Paramount Skydance de David Ellison, que tomará o comando da empresa dona da DC. Movimentos como esse trazem incerteza. Se a DC não estiver saudável, Ellison pode iniciar mais um reboot? Não é algo impossível, mas aqui entra o outro lado da resposta. Sim, Supergirl não é um bom resultado para Gunn e Safran. Isso, contudo, diz muito mais sobre as circunstâncias atuais de filmes de heróis (e de franquias como um todo) do que sobre a gestão geral da DC, que apesar de trilhar um caminho esburacado está caminhando em direção ao que pode ser um ano inesquecível.

Por que Supergirl não conquistou uma boa bilheteria?

Supergirl é um fracasso?
DC Studios

A resposta, eu acho, está em três fatores. O primeiro é o filme em si, que não conquistou a audiência como esperado. Em nossa crítica levemente positiva, citei a direção monótona de Craig Gillespie como o principal problema de Supergirl, e por mais que o roteiro de Ana Nogueira tenha sido atacado por outros críticos, a verdade é que o filme simplesmente não empolgou, um trabalho que fica, acima de tudo, a cargo do diretor. Especialmente quando os trailers já pareciam ter entregue tudo sem gerar muito hype, esse tipo de problema é complicado.

Maior, porém, são os fatores externos ao filme. Há sua terrível posição no calendário – entre dois gigantes que tomarão a maior parte das salas: Toy Story 5 Minions & Monstros – e, então, há o momento atual do público com filmes como esse. O que 2026 está nos mostrando é que o público não vai mais ao cinema só porque algo faz parte de uma grande marca, especialmente quando essa marca não faz parte da Classe A1 de franquias multimídia.

Este ano, Mestres do Universo não conseguiu puxar a força do He-Man e será a grande bomba de 2026. Mortal Kombat 2 não passou de US$ 130 milhões mundialmente. Agora, Supergirl voou baixo. Todos esses lançamentos fazem parte de marcas de legado que já viram seu auge, e não sobreviveram num mercado cada vez mais dominado por uma Gen Z que recompensou coisas como ObsessãoBackrooms Devoradores de Estrelas – se não histórias 100% originais, ao menos novos sabores.

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Nomes conhecidos ainda têm espaço, mas este é cada vez mais reservado apenas aos mais famosos e populares. Coisas como Toy Story 5Michael e Super Mario Galaxy foram bem, e todos carregam com si um título de muito peso. Quer falemos de cinema, música, games ou qualquer outro meio, há menos e menos apostas seguras. No caso dos super-heróis, eu ouso dizer que há cinco, talvez seis, grandes títulos: VingadoresHomem-AranhaBatmanSuperman e X-Men (e derivados como Deadpool e Wolverine). Sei que esses últimos dois não foram sempre sucessos, então sinta-se livre para colocá-los como Classe A2, digamos. E se você quiser ser ainda mais flexível que eu, pode incluir Pantera Negra aí. O que, porém, podemos todos concordar, é que nada fora disso é garantido.

Por que a DC Studios não tem muito com o que se preocupar (ainda)

E aí entra a razão para se acalmar. Os próximos lançamentos da DC não têm muita pressão. Na HBO, Lanternas traz um grande pedigree televisivo e precisa “apenas” conquistar os fãs. No cinema, Cara-de-Barro chega num ano onde tudo de terror parece ir bem e não precisa faturar muita coisa devido a um orçamento na faixa dos US$ 40 milhões – menos da metade de Supergirl.

Bamtna Superman Man of Tomorrow
DC Studios

Mas onde o foco de Gunn e Safran precisa estar é em 2027. Eis um fato: nunca, na história da DC, houve um ano em que filmes de Batman e Superman saíram juntos. Claro, em 2016 tivemos os dois heróis tretando em A Origem da Justiça, mas ano que vem temos a continuação de dois longas aclamados, com boas bilheterias e recebido com empolgação pelos fãs.

Man of Tomorrow (Homem do Amanhã, em tradução livre) e Batman: Parte 2 colocaram nas telas os personagens mais fortes da DC. Eles podem não fazer parte do mesmo universo, mas o que importa para o DC Studios é que os dois lançamentos virão com seu selo, e suas bilheterias serão contabilizadas para eles.

E aqui entra o “ainda.” Se um desses filmes fracassar, se Man of Tomorrow fizer menos dinheiro que Superman, se Batman: Parte 2 for adiado de novo… aí o caldo pode engrossar rápido. A DC pode suportar um 2026 abaixo do desejado se ela entregar um 2027 grandioso, especialmente porque, diferente deste ano, não haverá nenhum filme live-action da Marvel no meio do ano. É a chance deles dominarem a conversa como poucas vezes conseguiram.

Não adianta, porém, parar por aí, e os projetos maiores como Mulher-MaravilhaJovens Titãs e The Brave and The Bold, o filme do Batman do DCU, não podem demorar muito para saírem do forno, sem falar nas eventuais terceiras partes das sagas do Superman de James Gunn e do Batman de Matt Reeves. Coisas como Cara-de-Barro podem continuar existindo, mas precisam ser, cada vez mais, riscos calculados. A DC, em suma, precisa de sua Liga da Justiça.

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