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Street Fighter | Callina Liang fala sobre alcançar o "físico insano" de Chun-Li para o filme

Atriz conversou com o Omelete e disse que já está pronta para fazer continuação

Omelete
11 min de leitura
Atualizada em 01.09.2026, ÀS 15H35
Street Fighter Chun-Li Filme

Créditos da imagem: Paramount Pictures

Callina Liang entendeu o desafio. Poucos personagens de videogame têm um físico tão marcante e memorável quanto Chun-Li de Street Fighter, e se ela seria a atriz responsável por interpretar a lendária lutadora no novo filme live-action, ela precisava de pernas.

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Em entrevista ao Omelete, Liang relembrou do enorme desafio que foi assumir esse papel e se preparar, fisicamente, para interpretá-lo. Entre o dia em que foi escalada e o começo das filmagens, ela só tinha três meses. Isso significou academia todo dia. E, claro, ela nunca podia pular o treino de perna.

Agora, Liang não tem dúvidas: ela quer voltar para um eventual Street Fighter 2. Segundo a atriz, agora que ela já desenvolveu o físico, é hora de colocá-lo em ação. Conversando com o Omelete antes do lançamento do novo trailer do filme de Street Fighter (assista aqui), ela se disse mais do que disposta para fazer uma continuação. Confira nossa conversa completa abaixo.

Street Fighter Callina Liang
Paramount Pictures

Guilherme Jacobs: Certo, vamos lá. Muito obrigado pelo seu tempo. Devo dizer que o filme parece muito legal. Eu gostei bastante das prévias que vocês mostraram. Eu sempre me pergunto, com alguém que ainda está no início da carreira de atuação, como é quando essa pessoa pisa pela primeira vez no set de um grande blockbuster de franquia. Você pode me levar de volta ao seu primeiro dia no set e como se sentiu ao entrar lá?

Callina Liang: Nossa, foi uma loucura. Tudo era tão grande. Lembro de pensar comigo mesma, porque o Kitao [Sakurai, diretor] no meu primeiro dia me levou ao set e me deu um passeio pelos diferentes estúdios que eles tinham construído, e eu fiquei pensando: "Uau, eles realmente construíram todos esses cenários. Isso é muito legal." Eu fiquei impressionada. Mesmo nas locações físicas em que filmamos, era insano. Parecia saído diretamente de um videogame, honestamente. Até quando filmamos no penhasco em Sydney, estávamos nesse penhasco rochoso com vista para o oceano. Foi uma loucura. Então é, o tempo todo eu ficava tipo: "Não acredito que estou aqui e fazendo isso." Foi muito, muito legal.

Guilherme Jacobs: Imagino que, ao ser escalada como Chun-Li, você pense imediatamente: "Preciso parecer que sei lutar", certo? Você precisa convencer o público fisicamente sobre seus golpes ou seus poderes especiais e coisas do tipo. Essa foi a parte mais desafiadora do papel, ou você sentiu que o papel estava, na verdade, mais próximo de outros trabalhos que você já fez antes?

Callina Liang: Não, não acho que a Chun-Li seja parecida com nada que já fiz antes. Mas foi diferente da melhor forma possível. Eu era fã dela quando cresci, jogava com ela quando era pequena. Então foi como um sonho realizado para mim. O tempo todo eu só pensava: "Tenho que dar o meu melhor. Tenho que tentar tudo ao meu alcance para fazer justiça a ela o máximo que puder, tanto física quanto emocionalmente." Passei muito tempo pesquisando a história de fundo dela, obviamente — li todos os mangás, joguei os videogames de novo, assisti ao filme em anime. Mas, ao mesmo tempo, ela tem um físico insano. Do dia em que me disseram que consegui o papel até o meu primeiro dia diante das câmeras, eu tinha três meses no máximo. Então eu realmente não tinha muito tempo. Eu pensei: "Certo, três meses. Vamos fazer absolutamente tudo o que for possível." Tenho muito orgulho do que fiz e posso dizer que não tenho arrependimentos. Dito isso, eu pareço exatamente com a versão em desenho ou videogame? Provavelmente não. E nem sei se conseguiria ter aquela aparência e também me mover tão rápido quanto ela se move, porque os movimentos dela são muito velozes. Mas sim, treinei bastante. Muito treino de luta, muita musculação. Todo dia era dia de perna na academia. Muita comida — eu comia cerca de 4.000 calorias por dia, me empanturrando de comer. Achei que seria divertido, mas na verdade não foi tão divertido assim porque eu só tentava não vomitar metade do tempo. Então sim, dito isso, não tenho arrependimentos, mas se formos para uma sequência e eu tiver mais tempo, com certeza vou me esforçar ainda mais.

Callina Liang Físico
Paramount Pictures

Guilherme Jacobs: Quero voltar para a sua relação com a personagem, porque acho justo dizer que a Chun-Li está entre os personagens asiáticos mais famosos do mundo, mas também no Ocidente. Para muita gente, o primeiro personagem asiático em quem pensam é Chun-Li, por conta de há quanto tempo Street Fighter está conosco. Onde você se posicionou entre a empolgação pelo papel e a responsabilidade de assumi-lo? Como se sentiu em relação a esse equilíbrio?

Callina Liang: Devo dizer que é provavelmente meio a meio. É muito empolgante, mas também é muita pressão. Como fã de videogames, eu cresci jogando e sou fã da personagem. Então, mesmo se eu não tivesse conseguido o papel e outro ator conseguisse, eu pensaria: "Certo, espero que façam tudo ao alcance deles para fazer justiça à Chun-Li, porque ela é uma personagem muito icônica." Foi por isso que realmente fiz tudo ao meu alcance. Espero que o público consiga ver quanto esforço, amor e paixão não apenas eu, mas todos nós colocamos no filme, e que se divirtam e aproveitem. Porque, no fim das contas, você também não pode levar tudo a sério demais — é Street Fighter e todas essas pessoas parecem insanas de certa forma. Tentando retratar isso como um ser humano, é tipo: "Certo, isso é o melhor que consegui com três meses."

Guilherme Jacobs: Pareceu que filmar esse filme foi muito divertido, porque por tudo o que o elenco postou dos bastidores, parece que vocês ficaram muito próximos e que houve muita camaradagem entre os membros do elenco. Por que você acha que esse grupo funcionou tão bem? O que tornou esse grupo tão especial?

Callina Liang: No papel, você não pensaria que a gente se daria tão bem quanto se deu, porque são atores, lutadores de WWE, comediantes, o 50 Cent está no meio, cantores — é um grupo maluco de pessoas. Mas acho que o que nos uniu foi que todos nós amávamos muito o jogo. Cada pessoa com quem conversei que estava envolvida no projeto, de atores a produtores e o diretor, Kitao, todos nós amávamos o jogo. Acho que todos nós jogamos na infância, então significava algo para nós. Foi por isso que nos demos bem. Além disso, passamos muito tempo juntos, especialmente eu, o Andrew Koji e o Noah [Centineo]. Ficamos em Sydney para a pré-produção por um mês e meio, só nós três. Então ficamos muito próximos porque treinamos juntos, comemos juntos, fomos à sauna juntos. Foi muito especial. A gente saía quase—na verdade, saíamos todo fim de semana com o elenco inteiro. O Cody Rhodes nos conseguiu um barco um dia, então fomos para um iate. O 50 Cent alugou o Luna Park inteiro, o parque de diversões em Sydney, para nós. A gente estava lá simplesmente se divertindo. Foi uma época muito divertida. Fomos ao cinema juntos e, honestamente, sinto muita falta disso.

Guilherme Jacobs: Parece ótimo! Sei que você já fez a sua cota de conteúdo para a internet e, pelo menos pelo que pudemos ver do filme, essa versão de Street Fighter parece muito conectada com uma energia jovem e online. Você concorda com isso?

Callina Liang: Um aviso: eu ainda não assisti ao filme completo, então isso é baseado apenas em tudo o que sei. Acho que sim. Acho que se mantém fiel a muito do jogo original — a história e o relacionamento dos personagens se mantêm fiéis. Mas definitivamente há uma perspectiva mais nova e fresca que o Kitao trouxe, com a qual acho que muito do público mais jovem pode se identificar. Então acho que vai atingir tanto o público mais velho quanto o mais jovem.

Callina Liang Chun-Li
Paramount

Guilherme Jacobs: Falando nisso, sei que você não viu o filme, mas imagino que a escala de ação que vocês tiveram que fazer durante as filmagens já tenha sido bem impressionante. Então eu queria saber se você pegou o "gostinho da ação" e quer trabalhar com ação de novo, lutando em mais filmes. Além da luta, que parece ser tão divertida para um ator, o que você gosta em filmes de ação?

Callina Liang: Nossa, sou uma grande fã de filmes de ação. Seria meu sonho fazer mais, especialmente se eu estivesse em um exército, interpretando uma policial atirando com armas. Também sou grande fã de fantasia, tipo andar de dragão ou algo no estilo Avatar. Esse tipo de ação também é muito legal. Literalmente, sim, quero continuar fazendo filmes de ação se puder. Eu me apaixonei por isso, de verdade. Mesmo agora, treino Muay Thai pelo menos duas vezes por semana e é muito terapêutico para mim. Só quero continuar melhorando cada vez mais.

Guilherme Jacobs: É quase viciante, né? Com Street Fighter, é único porque você tem monstros, usuários de magia e soldados. Você sentiu que vocês puderam ser criativos com a ação por causa disso? Vocês não precisavam fazer só aquela coisa habitual de soco e chute, vocês foram além. Você sentiu isso no set?

Callina Liang: 100%! Sim, nós fomos além. Acho que incluímos todos os estilos de luta e mais um pouco no filme. O John Valera, o coordenador de dublês, foi incrível e muito criativo. Ele se manteve fiel a muitos dos chutes e golpes que os personagens faziam. Só estou falando de chutes porque foi só o que eu fiz — só fiz chutes. Mas, ao mesmo tempo, eles adicionaram coisas: pude usar nunchakus, então usei algumas armas. Outros personagens lutavam com uma bengala, o Vega com as garras... Nós realmente abraçamos e aproveitamos a singularidade de cada personagem e com o que eles lutavam, e simplesmente elevamos o nível. Foi muito divertido.

Guilherme Jacobs: Filmes de videogame por muito tempo em Hollywood eram aquela coisa estranha em que as pessoas não se acertavam, mas definitivamente parece que estamos em um ponto de virada. Você vê esse tipo de produção como a próxima grande tendência em Hollywood, com adaptações de videogame lançadas todo ano?

Callina Liang: Acho que sim, porque se você olhar o que tem acontecido com MinecraftMortal KombatSuper Mario Bros.Street Fighter... E eu sou gamer, então acompanho essas coisas. Sei que estão fazendo um live-action de Call of Duty e um de Dead by Daylight. Eu jogo esses games, então fico tipo: "Meu Deus, me consigam um teste!" Mas acho que definitivamente está abrindo uma porta. Só espero que, assim como Street Fighter, a gente faça bem-feito. Se vamos escolher transformar um videogame em uma adaptação em live-action, que a gente faça justiça e faça bem-feito. Se continuarmos fazendo isso, com certeza será um mercado gigante.

Guilherme Jacobs: Por que você acha que vimos essa mudança agora? Sendo gamer, também joguei a vida inteira e, por muito tempo, sempre que anunciavam uma adaptação de videogame, a gente sentia imediatamente: "Isso provavelmente não vai dar certo." Dos últimos cinco anos para cá, tem sido uma experiência bem diferente. O que mudou nessa última meia década?

Callina Liang: Tudo o que me vem à mente é ver o sucesso anterior. Lembra de The Last of Us quando saiu? Foi um grande sucesso, e acho que isso abriu a mente de muitos produtores e executivos para pensarem: "Certo, talvez videogames funcionem." Porque, se você parar para pensar, há muitos gamers no mundo. É um mercado gigante. Mas nós, gamers, também gostamos de assistir a filmes e séries de TV. Se você já é um grande fã do jogo, o público para esse jogo que está virando live-action já está lá. Mas, de novo, também é importante que façam bem-feito. Se não fizerem bem-feito, sei que os fãs ficarão decepcionados e irritados. Mas acho que é por isso que está dando tão certo, simplesmente porque o mundo finalmente está percebendo o quão grande é a comunidade gamer, porque sim, somos muitos.

Guilherme Jacobs: Quando você foi escalada como Chun-Li, qual foi a única coisa que você estava louca para fazer? Talvez um golpe especial ou algo com a personagem que você pensou: "Assim que eu pisar no set, na primeira oportunidade, quero fazer isso"?

Callina Liang: Nossa, tantas coisas. Acho que eu estava apenas empolgada para dar um chute na cara de alguém! E pude chutar a cara de tantas pessoas de tantas formas diferentes, então isso realizou meu sonho. Eu também estava empolgada para experimentar o figurino dela. Sendo fã dela, nunca tinha feito cosplay dela na vida, então fiquei tipo: "Meu Deus, vou vestir o vestido dela e fazer o cabelo e a maquiagem dela." Isso foi um sonho realizado para mim. Mas sim, definitivamente dar chutes na cara das pessoas.

Guilherme Jacobs: Se você diz que deu chutes na cara de tantas pessoas, preciso perguntar: quem foi a sua maior vítima?

Callina Liang: O Vega, eu diria! Ou Valera, que foi meu parceiro, porque dei o Lightning Kick umas 20 vezes na cara dele. Espero que ele tenha lidado bem com isso!

Guilherme Jacobs: Tenho mais uma pergunta e depois te liberto. Muito obrigado pelo seu tempo novamente. Se vocês fizerem uma sequência para este filme, o quão comprometida você está com essa personagem se isso seguir em frente?

Callina Liang: Ah, totalmente comprometida! Retratar a Chun-Li e trabalhar nela para este primeiro filme fez com que eu colocasse muito do meu próprio coração e alma nisso. Encontrei muitas partes da personalidade dela com as quais pude me identificar pessoalmente. E também, tendo treinado tanto e trabalhado tanto essas pernas, eu não adoraria nada mais do que continuar, ficar cada vez mais forte e usar o que aprendi. Se os fãs estiverem felizes e a produção estiver feliz e quiserem que eu continue, com certeza, porque eu a amo demais.

Guilherme Jacobs: Bem, mal posso esperar para ver você dando chutes na cara das pessoas no cinema. Obrigado novamente pelo seu tempo, super empolgado com o filme e parabéns!

Callina Liang: Muito obrigada!

 

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