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Entrevista

Street Fighter | Andrew Schulz adorou virar uma piada no filme [Entrevista]

Entrevistamos o comediante que interpreta Dan Hibiki no filme live-action

Omelete
9 min de leitura
14.10.2026, às 14H42.
Street Fighter Andrew Schultz Dan Hibiki

Créditos da imagem: Paramount Pictures

Entre as várias figuras curiosas do elenco do filme live-action de Street Fighter, que incluem nomes como o cantor Orville Peck (que realmente usa uma máscara) como o mascarado Vega, ou o rapper 50 Cent como Balrog, Andrew Schulz é um dos nomes que mais saltam aos olhos.

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O comediante, que tem um gosto pela provocação da cultura woke e por testar os limites da audiência, faz Dan Hibiki no filme. Hibiki, dentro da comunidade de fãs do lendário game de luta da Capcom, é uma piada, já que ele foi concebido como uma sátira direta à rival SNK, responsável por The King of Fighters.

É justo dizer que o filme de Street Fighter, então, entregou uma piada para o comediante. Schulz, por sua parte, adorou. Falamos sobre isso, sobre jogar Marvel vs. Capcom e mais na entrevista abaixo, que precisou ser parcialmente cortada porque, solto como ele é, Schulz, claro, soltou spoilers. Leves, mas spoilers. Confira o papo abaixo.

Street Fighter Dan Hibiki
Paramount Pictures

Guilherme Jacobs: Parabéns pelo filme! Vou começar com isto: sabendo o quão observadores os comediantes costumam ser, tenho certeza de que você provavelmente sabe do status do Dan Hibiki como uma espécie de piada no mundo de Street Fighter. Ele parodia personagens de outros jogos de luta, alguns de seus golpes são um pouco ridículos. Esse foi um dos motivos pelos quais você quis aceitar esse papel?

Andrew Schulz: Acho que é parte do motivo pelo qual eles queriam que eu aceitasse. Sabe o que quero dizer? Os produtores chegam e dizem: "Escuta, queremos que você esteja em Street Fighter". Na mesma hora, seu cérebro pensa: "Quero ser o Ken ou o Ryu? Quem eu quero ser neste jogo?". E aí você descobre que eles estão dizendo: "Não, não, não. Queremos que você seja aquele cara que é péssimo e que faz piada com outro videogame. Foi por isso que criaram o personagem, ele usa um quimono rosa e a bola de fogo dele anda cinco centímetros". Aí você para e reflete: "Na verdade, eu seria perfeito para esse". E eu não preciso entrar em forma! Se você olhar o corpo do Noah neste filme, é insano. O cara literalmente malhava o dia todo porque fica sem camisa o tempo todo, sabe? Ele tinha pesos no set. O Noah interpreta o Ken. Ele malhava o dia todo, comia umas oito refeições de bife com ovos por dia. Era a única coisa que comia, e estava com um visual inacreditável. Cheirava a pet shop. Esse é o único problema de parecer um boneco de ação, ter literalmente 2% de gordura corporal e só comer bife com ovos. Mas, para mim, eu só tinha que ser engraçado.

Guilherme Jacobs: E quando você recebeu essa oferta, ficou mais atraído por isso porque viu como outra forma de mostrar suas habilidades cômicas ou pensou nisso primariamente como uma oportunidade de atuação?

Andrew Schulz: Posso ser sincero com você, irmão? Não sou estratégico quando se trata das minhas escolhas de atuação e de como planejar uma carreira, blá blá blá. Eu literalmente escolho projetos com base em quanto gosto da pessoa envolvida ou da história. No segundo em que disseram "Street Fighter", eu disse sim. Se quisessem que eu fosse a Chun-Li, eu aceitaria.

Guilherme Jacobs: Bom, esse seria outro filme, mas sim.

Andrew Schulz: Se quisessem que eu fosse a Chun-Li, sim, é Street Fighter, eu topo. Então eu nem sabia quem era o Dan Hibiki. Sou mais velho, joguei o jogo original. Não tinha Dan Hibiki no jogo original. Para mim, era o jogo original e depois Marvel vs. Capcom. Não sei o quão fã de Street Fighter você é...

Guilherme Jacobs: Marvel vs. Capcom é a minha praia.

Andrew Schulz: Certo! Marvel vs. Capcom, quando eu estava no ensino fundamental, era a característica determinante. Não importava se você conseguia bater em alguém na rua, o que importava era com quem você jogava no Marvel vs. Capcom, né? E se você escolhesse o Wolverine, você na verdade não sabia jogar, só esmagava os botões.

Guilherme Jacobs: Você fazia o trio do Magneto, Tempestade e Psylocke?

Andrew Schulz: Não, eu jogava apenas com personagens de Street Fighter. Eu ia de Ryu e Akuma. Certo, ou Akuma. A gente chamava ele de "Rayu" antigamente e Akuma. Aí eu faço este filme e fico pronunciando esses nomes errado o tempo todo. Mas sim, eu sabia como jogar Street Fighter, eu simplesmente amava esse jogo. Talvez um pouco de Ciclope [no Marvel] só porque era divertido. Mas enfim, o ponto é que eu era obcecado e isso fez uma parte gigantesca da minha infância. A gente literalmente saía durante o horário de almoço na escola em Nova York — não sei por que deixavam crianças de 11 e 12 anos andarem pelas ruas — e corríamos oito blocos até uma mercearia que tinha Marvel vs. Capcom nos fundos. Ficavam uns 20 garotos de várias escolas da região, todo mundo correndo, mochilas pelo chão. Você pegava um Snapple de framboesa, jogava sua moeda no arcade e era isso que jogávamos no almoço inteiro. Foi uma parte muito formativa da minha vida. Quando me deram a oportunidade de estar no filme, pensei: "Claro!". Aí me contaram sobre esse personagem e eu pensei: "Nossa, esse cara é incrível". Ele é o pior e não sabe disso, por isso é o melhor. Isso é realmente engraçado. Às vezes tentam forçar o humor em filmes de ação, mas o que é engraçado para mim num filme é quando um personagem não sabe que é engraçado.

Guilherme Jacobs: Deixe-me pegar um gancho nisso, porque acho interessante. Você sabe que o personagem não sabe que é engraçado. Então como você faz esse equilíbrio? Como interpreta essa diferença?

Andrew Schulz: Se ele tenta ser engraçado, fica piegas. Quando ele é engraçado, ele está em desespero, e é isso que torna a cena engraçada. Ele tentando manter tudo sob controle. O que eu faço aqui é o Dan Hibiki, mas, sem dar muitos spoilers... Talvez eu esteja dando demais, vão cortar essa ligação. Mas eu... [sim, Andrew deu spoilers demais, e precisamos esconder essa parte de sua fala. Confie que o que ele falou foi engraçado]... nutrir essa relação entre o Ken e o Ryu, que obviamente está abalada ou não. Não sei se você sabe disso. Você sabe disso? Leu sobre?

Guilherme Jacobs: Sim, isso está um pouco nos trailers. Deu para entender que eles estão afastados de alguma forma.

Andrew Schulz: Estou fazendo um Tom Holland agora e revelando todo o enredo do meu...?

Guilherme Jacobs: Acho que não. Acho que você está seguro. Eles teriam dito algo. [Eles disseram algo... depois.]

Andrew Schulz: Pessoal, alerta de spoiler: o M. Bison é do mal!

Guilherme Jacobs: Já que você está mencionando tantos membros do elenco, especialmente durante as filmagens quando o pessoal postava coisas e você também postava...

Andrew Schulz: Eu me meti em apuros por causa disso.

Guilherme Jacobs: Nós apreciamos o seu sacrifício, sinceramente. Mas parecia que o elenco... E eu conversei com o David e Callina também, e todo mundo menciona o quão unido o elenco foi, o quanto vocês se divertiram. Por que esse elenco se deu tão bem, na sua opinião?

Andrew Schulz: Primeiro de tudo, sempre que você faz um filme, fica muito próximo das pessoas. Nem sempre em filmes as pessoas gostam umas das outras, mas se gostam, ficam próximas porque estão trabalhando em uma coisa específica que domina a vida de vocês. Não dá para ser um trabalho de meio período quando você fica lá 12 horas por dia. Você aprende sobre as pessoas rapidamente, e quem se conecta, se conecta. Pelo menos essa é a minha experiência. O que foi diferente ou único aqui é que estávamos na Austrália, então todo mundo se mudou — eu levei minha esposa e minha filha para lá. Minha esposa estava grávida na época. Mudamos nossa família para lá. Todo mundo que tinha esposa e filhos os levou. Pela primeira vez em uns 18 anos no entretenimento, pude me concentrar em uma coisa só. Imagino que tenha sido o mesmo para o Vidyut Jammwal, que interpreta o Dhalsim, que é um superstar gigante na Índia e não consegue andar na rua. Ele vai para a Austrália e fica andando de patins por aí, podendo ser um pouco mais uma pessoa comum. As histórias do Vidyut são tão engraçadas porque ele andava de patins, mas tinha um carro que ficava seguindo ele o tempo todo.

Guilherme Jacobs: Essa é uma ótima imagem.

Andrew Schulz: O 50 Cent pôde relaxar. O 50 Cent fica na estrada uns 300 dias por ano fazendo coisas de 50 Cent, e lá ele pôde apenas jantar, assistir a um filme, sair. Foi uma experiência única por isso, e acho que nos aproximamos tanto porque não tínhamos mais nada para fazer. Se você é o Cody Rhodes, está na estrada todo fim de semana fazendo luta livre. Lá, por um mês, você era um cara comum assistindo a uma luta do UFC num bar, comendo pizza, saindo para jantar.

Guilherme Jacobs: Entendo o que você quer dizer. É como se fosse um acampamento para vocês, né?

Andrew Schulz: Foi um acampamento pra caralho! E felizmente as pessoas escaladas eram legais, divertidas e gostavam de brincar umas com as outras. Tenho que dar crédito à produção, ao Kitao, ao Cale e a todo mundo, eles foram muito colaborativos. Às vezes, em filmes, é só uma pessoa e "essa é a ideia dela, ela quer todo o controle e tem que ser assim". Esses caras nos trouxeram para o processo, nos perguntavam: "E se eu disser isso nesta linha? E se o personagem fizer isso neste momento?". Nos fins de semana, a gente ensaiava cenas. Você não faz isso na cidade onde mora porque no fim de semana você tem sua própria vida.

Guilherme Jacobs: Sendo um comediante, você também fica muito na estrada. Faz turnês, especiais, sabe que é uma profissão baseada em muito esforço. Dar uma pausa assim como profissional deixou você ansioso ou você gostou do tempo livre?

Andrew Schulz: Não, foi incrível passar esse tempo. Toda manhã eu ia... morávamos perto de Bondi. Minha esposa e eu estávamos trabalhando... íamos para a praia, tinha um parque infantil bem na frente da praia e eu ficava brincando com a minha filha e com a minha esposa. Era tipo: "Nossa, que vida é essa?". Foi incrível nesse sentido. Obviamente filmávamos em alguns dias, mas esposa e filha podiam ir ao set. Vi essa versão de vida que foi incrível. Todo mundo se deu bem, foi muito divertido ver as pessoas no set. Já estive em filmes onde você fica irritado com as pessoas.

Guilherme Jacobs: Você diria que isso afetou as filmagens de forma positiva?

Andrew Schulz: Sim. Na minha opinião, quando você se sente confiante, está disposto a compartilhar suas ideias, e ao compartilhar mais ideias, coisas melhores são criadas. Não significa que toda ideia seja boa — eu tenho toneladas de ideias de merda. Mas, de vez em quando, pode ter uma boa ideia, um bom improviso, e outra pessoa também. Eu e o Noah andávamos juntos, conversávamos. Acho que você vai ver no filme que dá para sentir que somos amigos. Eu já conhecia o 50 Cent de casa, então quando estamos em cena... num filme como esse, você quer que haja essa camaradagem. Quando você sente e acredita nisso, é como o que vi em Guardiões da Galáxia: "Acho que todos eles gostavam de estar juntos".

Guilherme Jacobs: Com certeza dá para notar. O filme parece ótimo, foi muito divertido conversar com você. Preciso ir agora, mas agradeço pelo seu tempo. Espero que possamos conversar de novo antes do lançamento.

Andrew Schulz: Quando você quiser, meu caro. Obrigado.

Guilherme Jacobs: Tenha um bom dia, obrigado pelo tempo.

Andrew Schulz: Obrigado! Obrigado!

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