Cena do filme Selma

Créditos da imagem: Divulgação/

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Ava DuVernay confirma que Selma foi boicotado no Oscar por causa de protestos

Academia sabotou filme após elenco se manifestar sobre morte de um homem negro por um policial branco ocorrida em 2014

Gabriel Avila
05.06.2020
16h23

A diretora Ava DuVernay confirmou que o filme Selma: Uma Luta Pela Igualdade foi boicotado no Oscar de 2015 por conta de um protesto realizado pela equipe contra a violência policial. O lançamento original do longa aconteceu próxima ao assassinato de Eric Garner, homem negro que foi sufocado até a morte por um policial de Nova York, que por sua vez fez com que o elenco fosse à premiere do longa vestindo camisetas com os dizeres “Não consigo respirar”, as últimas palavras da vítima.

David Oyelowo, ator que interpreta Martin Luther King Jr. no filme, afirmou em entrevista ao Screen Daily que o posicionamento da equipe foi o suficiente para que votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas boicotasse o filme no Oscar:

“Lembro que na premiere de Selma usamos a camiseta ‘Não consigo respirar’ em protesto. Membros da Academia ligaram para os nossos produtores no estúdio e disseram ‘Como eles se atrevem a fazer aquilo? Por que eles estão atiçando essa merda? Não votaremos nesse filme porque não achamos que seja papel deles fazer isso’”

A história foi confirmada por Ava DuVernay, que compartilhou a entrevista de Oyelowo afirmando que se trata de uma “história verdadeira”.

Colocada em saia justa, a Academia respondeu a publicação de DuVernay afirmando que o episódio é inaceitável:

“Ava & David, nós estamos ouvindo vocês. Inaceitável. Somos comprometidos com o progresso.”

Propositalmente sabotado na categoria de Melhor Filme, Selma venceu o Oscar de Melhor Canção Original por “Glory”, de John Legend e Common.

A revelação acontece em meio a uma onda de protestos inspirada pelo assassinato de outro homem negro. Em 25 de maio de 2020, o ex-segurança negro George Floyd, já sob custódia, foi sufocado até a morte por um policial e o assassinato foi filmado por pessoas em volta. A brutalidade da ação gerou uma onda de protestos ao redor dos EUA e diversas empresas do ramo do entretenimento repudiaram o racismo demonstrado pela polícia – saiba mais.