Kleber Mendonça Filho em imagem promocional (Reprodução/Instagram)

Créditos da imagem: Kleber Mendonça Filho em imagem promocional (Reprodução/Instagram)

Filmes

Entrevista

Kleber Mendonça: Retratos Fantasmas é “filme de cinema”, não só documentário

Diretor cita Brian De Palma e David Cronenberg como inspirações para partes do longa

Omelete
2 min de leitura
23.08.2023, às 06H00

Poucas coisas agradam mais ao cineasta Kleber Mendonça Filho do que ouvir o seu novo filme, Retratos Fantasmas, descrito como… bom, como qualquer coisa, menos um documentário. Em entrevista ao Omelete, o responsável por Aquarius e Bacurau conta que já ouviu críticos e espectadores dizendo que Retratos é um filme de terror e um filme de fantasia, por exemplo.

Durante a produção, em nenhum momento eu pensei que ele seria um documentário, não fui construindo a narrativa com isso em mente”, comenta Mendonça. “Eu sabia que ele seria visto como um documentário, por uma razão mercadológica, mas tem várias sequências que foram filmadas obviamente como ficção.

E é aí que entram as referências do cineasta, habituado a citar seus colegas de profissão - e até artistas de outras disciplinas - ao descrever o próprio trabalho. Aquela cena na frente do antigo cinema que virou uma loja de eletrodomésticos é gravada como um filme do Brian De Palma, aquela grua acompanhando as pessoas passando e subindo para ver a calçada de cima. Um plano arqueológico”, diz ele, citando o diretor de Vestida Para Matar e Scarface.

Outro momento, em que Mendonça visita as ruínas do que um dia foi o cinema de rua Veneza, um dos mais luxuosos do Recife, traz à mente o mestre canadense David Cronenberg (de A Mosca e Crash): “Aquele cinema virou uma outra coisa, de dentro para fora, muito esquisita. Parece um desenho do Escher, porque não faz sentido nenhum. Quer dizer, deve fazer sentido financeiro para quem fez, mas para mim não faz nenhum, e acho que isso fala muito sobre como são as cidades hoje em dia no Brasil.

E, aliás, se tudo isso parece uma mistura inesperada, não é nenhuma coincidência. “Eu gosto muito dessa qualidade eclética do filme...E ao mesmo tempo ele tem sim um aspecto documental, em certas partes que eu traço a história dos edifícios é pura linguagem de documentário, aquela música de intriga e tal, brinca Mendonça. “Mas eu gosto mesmo é de ligar o f*da-se, de fazer o que quero fazer no filme, e as categorizações vêm depois. Meu filme é um filme de cinema.

Retratos Fantasmas chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira (24).

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