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Entrevista

O Exorcista: Mártires | Mike Flanagan revela os segredos do trailer ao Omelete

Ao Omelete, diretor falou sobre a influência de O Exorcista III no filme, serial killers e um dos versículos mais assustadores da Bíblia

Omelete
8 min de leitura
Atualizada em 09.10.2026, ÀS 20H06
O Exorcista: Mártires

Créditos da imagem: Blumhouse/Universal

Olhar para o currículo de Mike Flanagan é encontrar alguns dos maiores nomes do terror, repetidamente. Em série, ele adaptou clássicos como A Maldição da Residência Hill e a nova versão de Carrie, A Estranha. Para o cinema, não faltam adaptações de Stephen King, incluindo Doutor Sono, a continuação de O Iluminado. Agora, ele encarou talvez a franquia mais sagrada (ou seria profana?) desse gênero: O Exorcista.

Ontem, Flanagan enfim revelou o trailer de O Exorcista: Mártires, o retorno deste mundo depois do fracasso da última tentativa de reviver a franquia com David Gordon Green, da trilogia recente de Halloween.

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Falando ao Omelete, Flanagan revelou os segredos do trailer. Bom, isso é um exagero. Ainda há muitas coisas guardadas com sete chaves no que se trata dos personagens de Scarlett Johansson, Chiwetel Ejiofor, John Leguizamo e outros nomes do elenco. Dentro do possível, contudo, Flanagna explicou como questões como execução, serial killers e, claro, demônios vão influenciar o novo longa, que estreia em março de 2027 nos cinemas. Além disso, o cineasta também destacou a influência do clássico O Exorcista III de 1990 em Mártires, e falou sobre um dos versículos bíblicos mais assustadores.

Confira nossa conversa abaixo

O Exorcista: Mártires

Mike Flanagan nos bastidores de O Exorcista: Mártires

Blumhouse e Universal

Guilherme Jacobs: Mike! É um prazer. Eu estava torcendo para conseguir falar com você há bastante tempo, então estou muito feliz com essa oportunidade. Assisti ao trailer e tenho muito a te perguntar. Vou começar com isso: muito sobre este filme foi mantido em segredo por um tempo, obviamente enquanto vocês estavam filmando. Com o lançamento do trailer, o que você pode nos contar como uma introdução geral sobre o que esperar da história do filme e tudo mais?

Mike Flanagan: Bom, eu espero — e você viu o trailer —, espero que agora as pessoas estejam vendo um vislumbre do que estávamos aprontando, e que percebam que estamos contando uma história muito diferente do que elas poderiam esperar. Não estamos refazendo O Exorcista nem indo para nenhum lugar que acho que as pessoas possam esperar. É uma história totalmente nova, com personagens totalmente novos, onde certamente os superfãs conseguirão encontrar um fio condutor que passa por O Exorcista III e vai até o original, mas que também se sustenta muito bem sozinho como uma maneira muito nova de olhar para uma história de possessão.

Guilherme Jacobs: Fico muito feliz que você tenha mencionado O Exorcista III, porque foi o que mais me veio à mente quando assisti ao trailer em termos de legado cinematográfico dessa franquia. Porque essas histórias geralmente têm sido histórias de mistério e investigação policial, mesmo que nem sempre haja um detetive como protagonista. Neste caso, você tem um policial, tem um caso criminal aqui. Você sempre pensou que esse tipo de história — investigações e exorcismos — eram compatíveis dessa forma quando começou a fazer o filme?

Mike Flanagan: Sim, pensei. E acho que isso foi provado por O Exorcista III. Acho que é um filme enormemente subestimado. Eu amo aquele filme. Amo o livro Legião, no qual o filme é baseado, acho um romance incrível. O que acho tão fascinante é que uma história de serial killer e uma história de exorcismo tratam de identificar a escuridão que está escondida dentro da humanidade e ter que lidar com as manifestações dessa escuridão. Então acho que esses subgêneros na verdade combinam muito, muito bem. Pode ser uma harmonia linda. E era isso que me deixava tão empolgado: tentar pegar algumas das coisas que eu tanto amava em O Exorcista III e compor uma música nova usando essas notas, sabe? Então sim, acho que eles funcionam juntos, podem funcionar juntos. Não é fácil encontrar a calibração certa para fazê-los funcionar juntos, mas essa é a graça, é o desafio.

Guilherme Jacobs: Se você incluir um jump scare com uma tesoura gigante ou algo assim, eu vou surtar no cinema! 

O Exorcista: Mártires

John Leguizamo em O Exorcista: Mártires

Blumhouse e Universal

Mas bom, entrando na ideia do serial killer: acho fascinante que, embora essas histórias no mundo real estejam muito associadas uma à outra por causa do que o trailer menciona — sobre quantos serial killers afirmam que foram possuídos pelo diabo e coisas do tipo —, a ideia do pânico satânico não era sempre incluída nos filmes de O Exorcista. Até em O Exorcista III, não há muito a ver com a história criminal e multimídia disso. Mas você está fazendo isso. Está fazendo algo que fala sobre a história dos serial killers na América e a ideia satânica envolvida com eles. Tematicamente, por que você escolheu isso para o seu filme do Exorcista?

Mike Flanagan: Para começar, fiquei surpreso com a quantidade de serial killers na vida real que invocavam Satanás ou falavam sobre influência demoníaca. Achei isso muito interessante. Então pareceu uma ótima oportunidade para falar sobre coisas que são autênticas — não dizendo que a possessão seja, mas certamente a conversa deles sobre isso. Tudo o que dizemos sobre serial killers pelo menos invocando Satanás ou uma influência demoníaca, nós não inventamos nada disso, sabe? Então acho que isso é inerentemente muito interessante. Mas também acho que vale a pena, neste momento, falar sobre o quão consciente o mundo se tornou em relação ao mal, e como, de muitas maneiras, a ideia de Satanás se tornou algo corriqueiro, se enraizou na cultura pop de uma forma que acho que ainda era mais tabu e perigosa nos anos 1970, sabe, quando o filme do [William] Friedkin introduziu essa ideia pela primeira vez na cultura pop de uma forma tão impactante. Com a possessão demoníaca, nós nos acostumamos muito. Somos o sétimo filme oficial de O Exorcista; existem centenas de filmes não oficiais de O Exorcista. É um gênero inteiro por si só. O público está tão familiarizado, a ponto do tédio às vezes, com os clichês dessas histórias. Parecia insensato não reconhecer isso e tentar existir em um mundo onde as pessoas não estivessem cientes disso.

Guilherme Jacobs: Quero perguntar agora sobre momentos específicos do trailer e ver o que você pode me contar. Entendo e aprecio que haja muito que você não pode revelar, mas o que puder falar, eu aceito. Há uma sequência de flashback que mostra a personagem da Scarlett Johansson assistindo a uma execução. Mais tarde vemos a máscara do executor quando o garoto — que acho que é o filho dela — aparece de uma forma muito assustadora, também mascarado como um executor. O que sobre a morte e a execução é importante para este filme?

Mike Flanagan: Acho que é muito crítico para o enredo. Certamente é uma questão moral interessante quando você lida com policiais e serial killers, assassinos em geral. A questão da moralidade da expressão máxima da justiça, no que diz respeito à pena de morte, é algo em que tocamos. Uma das coisas que descobri e fiquei chocado ao ouvir foi que, em execuções, acontecia de pessoas que participavam delas, a fim de proteger seu anonimato e evitar que fossem expostas na internet para ativistas, fazerem suas próprias máscaras para usar durante a execução. Mascarar executores sempre foi algo comum. Então sim, há uma linha narrativa envolvendo isso que acaba impactando a história do filho da Scarlett de uma forma interessante e surpreendente mais tarde.

O Exorcista: Mártires

Chiwetel Ejiofor em O Exorcista: Mártires

Blumhouse e Universal

Guilherme Jacobs: Também vemos o padre interpretado por Chiwetel mencionando a conversa de Jesus com um homem possuído. Ele fala com o demônio dentro dele, e o demônio se chama Legião. Eu arriscaria dizer que, além de Satanás, esse é provavelmente o demônio bíblico mais famoso por causa do que isso implica. O que essa ideia de haver uma ou talvez múltiplas entidades importa para a história para vocês?

Mike Flanagan: Acho que você tem razão de que é um dos versículos mais aterrorizantes da Bíblia quando se discute possessão. Tendemos a pensar na possessão como uma relação de um para um em muitas de suas manifestações. Mas acho que há uma razão pela qual, quando [William Peter] Blatty estava escrevendo seus romances, ele deu sequência a O Exorcista com um livro que foi a base para O Exorcista III, e que gira em torno dessa mesma citação, que no nosso caso é tirada de Marcos 5:9, de onde vem essa frase imortal. Acho isso profundamente aterrorizante porque a ideia de você estar enfrentando uma única entidade que tenta banir de uma única pessoa já é aterrorizante o suficiente e bastante familiar. Mas assim que a escala disso se expande para o nível referido nessa história em particular... A outra coisa que as pessoas não lembram, que é um pouco menos famosa desse mesmo capítulo...

Guilherme Jacobs: Os porcos?

Mike Flanagan: Sim! Você lembra quantos porcos eram?

Guilherme Jacobs: Quantos porcos? Eu lembro que eram vários, não lembro a quantidade.

Mike Flanagan: Ele expulsa os demônios para 2.000 porcos. E isso é aterrorizante porque não é apenas uma possessão, é uma infestação. E essa foi uma ideia que achei realmente horripilante e que encaixou muito bem nesta história.

Guilherme Jacobs: Fantástico. Bom, eu teria muito mais para perguntar, mas acho que temos que encerrar agora. Vou guardar algumas coisas para o filme porque estou muito empolgado. Muito legal ver um mestre do cinema de terror como você assumir O Exorcista. Parabéns, mal posso esperar!

Mike Flanagan: Muito, muito obrigado, e obrigado pelo seu tempo. Espero que você goste do filme quando assistir.

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