Os filmes sul-coreanos favoritos da equipe do Omelete
De clássicos a novidades, escolhemos o melhor do cinema da Coreia do Sul
Créditos da imagem: A Criada, O Hospedeiro e Kill Boksoon (Reprodução)
Esta lista faz parte da KOREA WEEK, semana especial de conteúdo sul-coreano (k-drama, k-pop e mais!) em todas as plataformas do Omelete. Fique de olho na nossa seção KOREA para acompanhar tudo.
Durante os últimos dias, você acompanhou na nossa KOREA WEEK uma série de reportagens, entrevistas, listas e vídeos especiais cobrindo tudo o que você precisa saber sobre o entretenimento sul-coreano - e agora que chegamos ao fim dessa jornada, temos uma ideia de como fechá-la com chave de ouro.
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A seguir, você confere uma lista compilada em conjunto pela equipe do Omelete, que revela os seus filmes favoritos vindos da Coreia do Sul. É uma listagem eclética, que inclui obras dos grandes nomes da filmografia coreana (Park Chan-wook, Bong Joon-ho, Hong Sang-soo), pérolas escondidas da produção recente, filmes de gênero e vencedores de premiações pelo mundo.
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Confira tudo isso a seguir, e muito obrigado pela audiência durante toda a semana! Continue ligado no Omelete para a cobertura completa de k-content.
Oldboy
Onde ver: Disponível para streaming na MUBI.
Muito do antiherói violento, traumatizado e em busca de vingança que se instaurou na cultura ocidental nos anos 2000 vem desta pérola absoluta do cinema coreano. Oldboy, de Park Chan-Wook, não vive só das icônicas cenas de luta, planos-sequência emblemáticos ou polvos devorados, é uma leitura violenta e poética da busca por um propósito após o fim de uma vida como era antes conhecida. Não à toa se tornou uma das maiores influências do cinema de gênero, e até de obras cinematográficas no geral, na cultura moderna. - Thiago Romariz
Mr. Vingança
Onde ver: Indisponível no streaming brasileiro.
O primeiro capítulo da trilogia da vingança de Park Chan-wook é pura bad vibe. Uma comédia de erros tão sombria, ácida e sarcástica que a risada eventualmente dá lugar ao horror, Mr. Vingança é um tratamento afiado sobre ser levado pelo ódio, ressentimento e, bom, vingança. Nele, Chan-wook se recusa a nos oferecer catarse. Ele nos trava junto com os personagens, manipulando esse suspense de crime até com cuidado. Se Oldboy é um martelo, de impacto imediato e absoluto, Mr. Vingança é um bisturi, cortando seu público de maneira precisa e calculada. - Guilherme Jacobs
A Criada
Onde ver: Indisponível no streaming brasileiro.
Imortalizado pela trilogia da vingança, Park Chan-wook fez seu melhor filme (para este que vos escreve, pelo menos) anos depois de Oldboy. A Criada é sexy, surpreendente, profundo e irresistível. Um suspense lésbico que trata desde temas sexuais até a colonização da Coreia pelo Japão, essa fantástica odisseia pela vida de duas mulheres (Kim Tae-ri e Kim Min-hee, perfeitas) não só se mostra constantemente imprevisível, como usa suas excelentes reviravoltas para explorar ainda mais seus temas e personagens. Um pacote completo. - Guilherme Jacobs
A Única Saída
Onde ver: Disponível para streaming na MUBI.
Park Chan-wook ficou mundialmente famoso com Oldboy, mas sua presença constante nesta lista mostra que ele vai muito além. Em A Única Saída, o cineasta critica capitalismo, modernização e etarismo ao acompanhar um veterano da indústria de papel que, demitido e incapaz de encontrar outro emprego, decide eliminar a concorrência. Literalmente. Com humor e violência, não necessariamente nesta ordem, o filme estreou no Festival de Veneza e chegou à temporada de premiações como representante sul-coreano no Oscar, mas ficou fora das indicações. Nos bastidores, especulou-se sobre um boicote a Park por ter trabalhado durante a greve dos roteiristas de 2023. Verdade ou não, A Única Saída figurou entre os melhores do ano e foi tratado como um dos grandes esnobados do Oscar 2026. - Marcelo Forlani
Decisão de Partir
Onde ver: Disponível para streaming no Diamond Films+.
Três dos meus colegas escolheram quatro filmes diferentes de Park Chan-wook para esta lista, o que só prova que a genialidade do “diretor Park” encontra ecos diferentes na cabeça de cada um que entra em contato com sua obra. Para mim, no entanto, nada supera Decisão de Partir. O filme de amor do homem que ficou conhecido por fazer filmes de morte, ele é uma mistura explosiva de comédia de costumes, romance cheio de tensão sexual, procedural criminal e tragédia shakespeariana. Aqui, Park (e a roteirista Jeong Seo-kyeon, que também escreveu com ele muitos dos longas acima) sintetiza um cinema onde tudo é intencional, toda intenção tem potência, e tudo culmina em imagens atravessadas pela poesia terrivelmente bela de um homem que já viu de tudo, e talvez já tenha visto demais – mas nem por isso vai deixar de se apaixonar. - Caio Coletti
Memórias de um Assassino
Onde ver: Indisponível no streaming brasileiro.
O primeiro clássico de Bong Joon-ho figura até hoje entre os melhores filmes de serial killers já feitos. Recontando acontecimentos reais de uma série de crimes que só foram solucionados anos depois de sua estreia, esse suspense traça a agonia desesperadora de ficar obcecado por algo sem resposta. Um texto fundamental para quem gosta de tudo que vai de David Fincher ao true crime, Memórias de um Assassino termina com uma quebra de quarta parede que confronta o criminoso real, na época ainda solto, que poderia ter ido ao cinema ver o filme lá em 2003. Quando o mesmo foi finalmente preso, o movimento final de Bong no longa ganhou ainda mais força. - Guilherme Jacobs
O Hospedeiro
Onde ver: Indisponível no streaming brasileiro.
De todas as obras de Bong Jong-ho, talvez O Hospedeiro seja a que melhor define a mistura inesperada e perfeitamente equilibrada de gêneros que o cineasta consegue realizar. A comédia sci-fi sobre um monstro que assola Seul é uma semente do que viria a ser o vencedor do Oscar Parasita, já que faz um estudo profundo e irreverente das diferenças sociais de um país vendido como exemplo máximo de educação, igualdade e avanço cultural. O drama acompanha tão bem as piadas quanto a mitologia envolvida na criatura, que se hoje não parece tão crível, certamente cumpre o papel narrativo que tem em toda a jornada proposta por Bong. - Thiago Romariz
Parasita
Onde ver: Disponível para streaming na Netflix, Prime Video e Telecine.
Assisti Parasita pela primeira vez durante um festival de cinema em Vancouver onde mais de 80% da plateia era composta por coreanos. A experiência de assistir ao filme de Bong Joon-ho com esse público foi uma daquelas para nunca mais esquecer. A trama envolvendo uma família de trambiqueiros querendo dar um golpe em outra de classe social alta é um drama-comédia-suspense perfeito, encabeçado por uma atuação sublime de Song Kang-ho, sobre as diferenças sociais da Coreia do Sul. Um filme histórico, que além do sucesso de público e crítica, ainda colocou o mundo ainda mais de olho na “onda coreana” após vencer os Oscar de Melhor Filme, Direção, Roteiro e Filme Internacional em uma daquelas noites para nunca mais esquecer. - Alexandre Almeida
Invasão Zumbi
Onde ver: Disponível para streaming na Netflix e Prime Video.
Não é exagero afirmar que, após Invasão Zumbi, os filmes de zumbi ganharam uma nova perspectiva. O frenesi com que Yeon Sang-ho monta o drama do pai dentro de um trem que sai de Seoul para Busan, tentando salvar a filha de um ataque de mortos-vivos, cria não só uma camada inteira de novidade sobre a forma como os zumbis agem e representam a fadiga de uma sociedade incessantemente com pressa, mas também cria-se um drama familiar que vai muito além da sobrevivência. - Thiago Romariz
Conto de Cinema
Onde ver: Disponível para streaming no Rakuten Viki e Telecine.
Mestre do cinema “simples”, Hong Sang-soo é um dos diretores mais produtivos do planeta. Lançando praticamente três filmes por ano há muito tempo, sua filmografia já está recheada de ótimos longas, mas Conto de Cinema ainda figura como seu clássico essencial. Na sua simplicidade, o filme usa as técnicas mais essenciais da sétima arte – enquadramento, cortes, ângulos – para narrar uma história sobre a expectativa desenfreada que o próprio cinema pode causar. Para além de divertido, esse é um filme repleto de armadilhas deliciosas. - Guilherme Jacobs
Kill Boksoon
Onde ver: Disponível para streaming na Netflix.
Da safra recente de filmes de ação sul-coreanos, nenhum supera Kill Boksoon, um épico de quase 2h20 que mostra para o pessoal de John Wick como se faz. Byung Sung-hyun dirige e escreve esse conto estiloso e profundo sobre a assassina de aluguel mais mortal da Coreia (Jeon Do-yeon, excelente), e sua luta para sair deste ramo e viver uma vida tranquila ao lado da filha que cria sozinha. Nunca um filme sobre assassinos de aluguel falou com tanta coerência sobre responsabilidade parental, as mentiras e a violência que se escondem por trás dela. Cool, inventivo e com uma mitologia envolvente, ele é também uma história genuinamente tocante. - Caio Coletti
Hanyo, A Empregada
Onde ver: Indisponível no streaming brasileiro.
De clássicos sul-coreanos como Parasita e A Criada até blockbusters hollywoodianos como, bom, A Empregada, não faltam exemplos de histórias que são, de uma forma ou de outra, parte da herança desse clássico. Um suspense febril sobre uma trabalhadora que entra na casa de uma família tradicional, Hanyo, A Empregada é um filme sem respostas fáceis, e um no qual o diretor Kim Ki-young disseca a estrutura de classe do país de maneira atemporal. - Guilherme Jacobs
O Mundo do Amor
Onde ver: Indisponível no streaming brasileiro.
Representante de uma geração de diretoras empolgante vindas da Coreia do Sul, Yoon Ga-eun faz filmes sobre jovens com a delicadeza de quem os conhece para além do que aprendemos a ver deles na mídia. O Mundo do Amor, que foi exibido na Mostra de São Paulo no ano passado e segue (lamentavelmente) sem distribuição comercial no Brasil, é um estudo profundamente refletido das redes de apoio e das comunidades que se formam ao redor de sofrimentos invisíveis, e das consequências que vêm à tona quando, por um motivo ou outro, eles se tornam subitamente visíveis. É um filme que não poupa nem suaviza, mas que também encontra espaço para a esperança de uma vida que está só começando. - Caio Coletti
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