Diretora de Matrix diz que fãs de Harry Potter apoiam "genocídio trans"
Lilly Wachowski criticou JK Rowling e o financiamento de sua franquia
A lendária co-diretora de Matrix, Speed Racer e o Destino de Júpiter, Lilly Wachowski, fez duras críticas a JK Rowling e sua obra Harry Potter. Segundo ela, financiar a franquia britânica é o mesmo que financiar o genocídio de pessoas trans.
"Ela está financiando o genocídio trans. J.K. Rowling financia o genocídio trans, e ponto final!", afirmou Wachowski à revista Variety. "Portanto, se você apoia 'Harry Potter', você está apoiando o genocídio trans. O dinheiro usado para você aproveitar esses produtos — uma parte desse dinheiro vai para J.K. Rowling e esse dinheiro vai para ela financiar legislações anti-trans no mundo todo", continuou ela, se dirigindo diretamente os fãs da franquia britânica.
Lilly citou exemplos em outros debates sociais: "Da mesma forma que, se você é contra Elon Musk, você boicota ou não compra um Tesla; e se você é contra o aquecimento global/mudanças climáticas, você tenta não comprar tanta gasolina, tenta mitigar o uso desses produtos. É uma conta simples". "Sendo assim, o seu entretenimento com essas produções, e o apoio contínuo a elas, é apoiar a minha erradicação", concluiu a diretora, categórica.
Um breve resumo sobre o caso JK. Rowling
Toda a história começou com um comentário de J.K. Rowling sobre uma matéria que tinha no seu título a expressão "pessoas que menstruam". A autora criticou o uso destes termos, dando a entender que "mulheres" daria conta de explicar a quem o texto estava se referindo. Porém, a matéria tinha como objetivo ser inclusiva, contemplando homens trans que nasceram com o sexo biológico feminino e, por isso, também menstruam.
Após isso, a autora foi criticada por diversos nomes da TV e do cinema e, especialmente, pela comunidade trans. O problema, porém, só aumentou a partir daí. A autora iniciou uma cruzada contra pautas de transição de gênero, atacando desde o uso do banheiro feminino por mulheres trans até mesmo a vontade de jovens transicionarem, dizendo que a maioria "supera" essa vontade.
As tensões entre a autora e o movimento trans atingiu o ápice quando ela celebrou a decisão da Suprema Corte do Reino Unido que decidiu que a definição legal de "mulher" se baseia no sexo biológico. Porém, a questão ficou ainda mais delicada quando foi revelado que Rowling doou milhares de libras para o financiamento coletivo do processo judicial que culminou na decisão. Por esse motivo, seus críticos agora afirmam que ela financia a transfobia.
E agora?
As críticas à autora se intensificaram com o anúncio e o agora vindouro lançamento da série reboot de Harry Potter. Além das críticas às opiniões de Rowling, existe um movimento pelo "cancelamento social" da série, que estreia neste Natal.
Já Lilly, que é uma mulher trans, está unindo forças com a programadora de cinema Sarah Marie Flores e o produtor Lawrence Mattis para fundar a Anarchists United Foundation e o Anarchists United Studio, com a missão de defender histórias de comunidades marginalizadas.
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