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Entrevista

Legalize Já | "Manter o título foi uma decisão clara", dizem diretores

Johnny Araújo e Gustavo Bonfá comentam cinebiografia do Planet Hemp

Julia Sabbaga
18.10.2018
13h30

Legalize Já - Amizade Nunca Morre, filme sobre o Planet Hemp, demorou 10 anos para ser feito. O projeto, que começou da parceria de Marcelo D2 com o diretor de seus clipes, Johnny Araujo, foi inspirado por uma simples frase do rapper que relembrou seu parceiro fundador do grupo, Skunk: "estou vivendo o sonho de outra pessoa"

Divulgação

Ao Omelete, os diretores Johnny Araújo e Gustavo Bonfá contaram sobre este longo processo até o lançamento do filme, e explicaram a demora em conseguir realizar o projeto. Araújo relembrou o pontapé inicial do filme: "Em uma de nossas conversas, Marcelo me contou a história dele, que pouca gente conhece, e contou a importância de ter encontrado o Skunk, o Luis Antonio, no período da vida dele que ele era camelô e não tinha objetivo nenhum. Ele estava super emocionado, e disse 'o Skunk foi um anjo que passou na minha vida e mudou ela completamente, eu vivo um sonho que não é meu. Isso tudo aqui não era para mim, era para ele'. Foi aí que eu disse: 'Marcelo, vamos contar essa história. É importante que as pessoas saibam como você chegou onde você chegou'”.

Mas foram anos e anos para conseguir colocar o projeto em produção: "Passaram quatro roteiristas pelo filme, e tivemos problemas de captação também, naturais no cinema brasileiro, ainda mais em um gênero menos comercial. E claro, existiu um preconceito também. Quando me perguntavam sobre o que era o filme e eu falava ‘sobre o Marcelo D2’ eu ouvia ‘ah, Marcelo D2? É filme sobre maconha, vamos parar por aqui'", explicou Araújo. 

A resistência pela associação com as drogas causou alguns questionamentos na produção, principalmente com o título. Bonfá explicou que a dupla considerou trocar o nome por causa da reação: "Nós consideramos outros nomes, mas sempre acreditamos muito na força deste título. E começamos a ver motivo para ele nesse sentido: vamos legalizar tudo para todo mundo, inclusive legalizar esse nome para a gente". Araújo completou: "Manter o título foi uma decisão clara da gente, porque é uma bandeira do Planet. É um título muito forte pela música deles, e a gente queria deixar esse carimbo. Mas também, não quero ser hipócrita, claro que ele é ligado à maconha, é a primeira coisa que você pensa, mas todo mundo esquece que é Legalize Já o amor, a liberdade de expressão, quem você quer ser. O título carrega isso e está implícito no que esses dois meninos passaram”.

No fim das contas, o título foi uma declaração da dupla de diretores, exatamente pelo seu peso. Araújo concluiu: "Se esses meninos fizeram isso há mais de 20 anos e não tiveram medo, a gente vai ter medo de fazer isso agora? Seria a coisa mais contraditória do mundo. Porque a gente fez esse filme?”.

O longa mostra a amizade entre o carioca e o músico Skunk (Ícaro Silva), que sonha em se sustentar por meio da arte e incentiva Marcelo (Renato Góes) a investir no seu talento como compositor de rap. A partir da relação de ambos, surge uma das bandas mais influentes do gênero no Brasil: o Planet Hemp. 

A cinebiografia chega aos cinemas hoje, dia 18 de outubro.