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Entrevista

Legalize Já | Atores e diretores explicam a figura misteriosa de Skunk

Fundador do Planet Hemp foi construído a partir do olhar de Marcelo D2

Julia Sabbaga
18.10.2018
16h56

Legalize Já - Amizade Nunca Morre, filme sobre o Planet Hemp, conta a história da banda e do encontro entre Marcelo D2 e Skunk, os fundadores do grupo. Com D2 envolvido em todas as etapas da produção, inclusive assinando o argumento do filme em parceria com o diretor Johnny Araújo, a história é inteira contada a partir de seus olhos, e o membro fundador falecido foi construído a partir de suas lembranças, e do material pesquisado pela equipe. 

Divulgação

Ícaro Silva, ator que interpreta Skunk na cinebiografia, falou sobre os mistérios do músico: "É bonito pensar no Skunk como um anjo, porque é assim mesmo que o Marcelo o vê. Ele fala desse cara de um jeito muito especial, e com muita gratidão, dizendo que está vivendo o sonho do Skunk, e que o Skunk mudou a vida dele. A minha composição é muito baseada nisso, nas coisas que ele conta do Skunk, que vive muito nos olhos do Marcelo. Tem pouquíssimos registros dele, alguns vídeos dele cantando, que dá para ver como ele era explosivo, alegre. E tem muitas histórias". 

Os diretores também explicaram como foi construir um personagem com tanto pouco material deixado. Araújo explicou que, no começo do estudo, foi difícil achar registros de Skunk: "Ele era de todo lugar e de lugar nenhum. As pessoas não lembravam o sobrenome dele, a gente demorou anos para descobrir. Nem o Marcelo lembrava. Ele falava ‘queimei muito neurônio na época, agora não dá mais’. Quando a gente começou o trabalho de pesquisa lá trás, as pessoas falavam sobre o Skunk com uma emoção e um amor, mas ninguém sabia daonde ele veio. Isso realmente é verdade”. 

Gustavo Bonfá, parceiro na direção, continuou: "Ele era uma pessoa meio assim, que aparecia hoje, te dava uma ideia, e amanhã ele já tava em outro lugar, fazendo outro esquema". 

Skunk era misterioso, mas foi absolutamente fundamental para a fundação do Planet Hemp, como o filme mostra. O surpreendente é que, pela própria visão de D2, sem Skunk, nada teria acontecido: "Muita gente que conviveu com ele, muito mais do que o Marcelo, falou que quem chegou depois, foi o Marcelo. O Skunk já era da cena, ele era o melhor amigo do Yuka, do Rappa, do Bernardo do BNegão, o Skunk era um cara da música. O Marcelo era um camelô. As pessoas não sabem disso. O Marcelo foi um catalisador”, disse Araújo. 

Segundo Bonfá, a centralidade de Skunk pode também ser resultado da perspectiva: "Skunk só precisava achar o Marcelo. Mas se fossemos ver a história pelo olhar do Skunk, talvez ele estivesse precisando achar um Marcelo também”.

O longa mostra a amizade entre o carioca e o músico Skunk (Ícaro Silva), que sonha em se sustentar por meio da arte e incentiva Marcelo (Renato Góes) a investir no seu talento como compositor de rap. A partir da relação de ambos, surge uma das bandas mais influentes do gênero no Brasil: o Planet Hemp. 

A cinebiografia chega aos cinemas hoje, dia 18 de outubro.