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Lanterna Verde | Da Frigideira

Nossas primeiras impressões sobre a adaptação

Érico Borgo
15.06.2011
13h11
Atualizada em
02.11.2016
05h04
Atualizada em 02.11.2016 às 05h04

Quando moleque, o Lanterna Verde era um daqueles heróis que eu deixava de lado. Pulava as histórias, quando elas encontravam algum espaço nas poucas publicações da DC Comics no Brasil, e preferia as "superaventuras" da Marvel. Era, afinal, a época dos X-Men de Chris Claremont e John Byrne, uma das mais queridas até hoje por muitos fãs de quadrinhos quando o assunto é super-herói. Mas as décadas passaram (rápido demais), os X-Men ficaram descartáveis (salvam-se Grant Morrison e Joss Whedon) e, nos últimos anos, um sujeito egresso do mercado cinematográfico conseguiu transformar aquele personagem cujas histórias eu ignorava no meu herói favorito.

Geoff Johns, ex-funcionário de Richard Donner, assumiu as histórias do Lanterna Verde em 2004, galgando de dois em dois os degraus da fama da Nona Arte. Depois de escrever Sociedade da Justiça, Flash, Gavião Negro e Os Vingadores, o roteirista revolucionou um dos maiores ícones do Universo DC, Hal Jordan. Na época ele prometeu que sua intenção era retomar a magia em torno do personagem. Ao lado de Ethan Van Sciver, o artista da minissérie Lanterna Verde: Renascimento, ele conseguiu exatamente isso - e muito mais.

Lanterna Verde

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Johns conseguiu resgatar de tal maneira o espírito da DC Comics que lhe entregaram o título mensal do Lanterna Verde (ao lado do igualmente competente ilustrador brasileiro Ivan Reis), depois o Universo DC todo - e por fim uma cadeira no último andar da empresa, no cargo de diretor criativo.

As ideias de Johns, especialmente a introdução das outras tropas e seus anéis energéticos, funcionaram excepcionalmente bem nas HQs - e quando surgiu a ideia de um filme do personagem ele logo foi chamado como consultor. Dizer que a estrutura das histórias em quadrinhos necessita de adaptações para funcionar nas telonas é atestar o óbvio. É claro que a origem do personagem, como acontece com tantos outros, usufruiria da peneira de décadas de histórias do herói à disposição para filtrar o que realmente é digno de investimento ao norte da centena de milhões de dólares. O que surpreende é como os produtores, tendo tal riqueza criativa nas mãos, novamente restringem-se ao esperado, à típica trama de origem que vemos nas telas ano após ano.

Lanterna Verde (Green Lantern, 2011) acredita que a fascinação do mundo criado por computação gráfica de Oa e o 3-D estereoscópico (decente até) bastam para tornar a experiência cinematográfica memorável. Mas isso só funcionaria se a história fosse isenta de falhas, algo que aqui não acontece. Especialmente se considerarmos que há tão poucos personagens a serem desenvolvidos. São apenas Hal Jordan, Carol Ferris e Hector Hammond no centro da bem-humorada trama. Não seria difícil dar-lhes a atenção devida. Mas as interações não são aprofundadas e a Ryan Reynolds falta o carisma de Robert Downey Jr. ou a presença de Hugh Jackman. Ele tampouco possui a qualidade de atuação da dobradinha Fassbender/McAvoy para segurar o filme. Sobra aos vilões (ou futuros vilões) Hector e Sinestro, interpretados pelos excelentes Peter Sarsgaard e Mark Strong, a responsabilidade de carregar a aventura - a sina dos filmes da DC.

Pelo menos a criação da Tropa dos Lanternas Verdes é inspiradíssima - digna dos quadrinhos -, as piadas funcionam, a ação é bacana e a ameaça principal, a entidade Paralax, é um dos primeiros vilões que usam a estereoscopia de maneira a "englobar" a ação, favorecendo-a. É como se a "Bolha Assassina" fosse em 3-D e movida pelo medo (e tivesse uma careta bastante idiota, que por pouco não dá pra relevar).

Pelo filme falhar na exploração dos personagens - algo que resvala no tema principal do filme, a Força de Vontade, não há grande catarse na reviravolta do clímax. Há o heroísmo, mas não há aquela sensação de superação que se tem em Homem-Aranha 2, pra citar uma cena parecida (e que não vou detalhar pra não estragar surpresas). Torço, porém, pelo sucesso do filme, pois a cena final, que entra no meio dos créditos, leva a assinatura de Johns e promete para o futuro tudo aquilo que conhecemos das histórias dele nos quadrinhos (se você é fã, sabe exatamente do que estou falando!). Sem contar no que as galáxias coloridíssimas que pintam a subida dos créditos sugerem..

Fazendo comparações, Lanterna Verde está no nível de Thor e O Incrível Hulk - um filme com falhas, mas com potencial para agradar a quem cresceu com a companhia de Hal Jordan ou aprendeu a gostar do super-herói recentemente. Lanterna Verde não é "A Noite Mais Densa", mas "O Dia Mais Claro" ainda está longe de acontecer.

Nossa crítica e novas entrevistas exclusivas com o elenco serão publicadas em agosto, perto do lançamento do filme no Brasil, marcado para o dia 19/08

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