Como salário milionário de Jim Carrey em fracasso de bilheteria mudou Hollywood

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Como salário milionário de Jim Carrey em fracasso de bilheteria mudou Hollywood

O Pentelho faz 25 anos, e seu maior legado ainda é o salário de US$ 20 milhões de seu astro

Caio Coletti
15.06.2021
04h00

Você se lembra de O Pentelho? O filme de 1996, que completou 25 anos de lançamento na última segunda (14), hoje é visto como uma curiosidade da carreira de Jim Carrey, e um raro fracasso de bilheteria em meio a uma série de sucessos do comediante na década de 90 --mas, na época em que foi lançado, O Pentelho teve um grande impacto em Hollywood.

A importância não é tanto pelo que acontece na frente das câmeras, onde Carrey interpreta um instalador de TV a cabo que se torna obcecado por seu novo cliente, Steven (Matthew Broderick), mas pelo que rolou nos bastidores: Carrey levou uma bolada de US$ 20 milhões para atuar no longa.

Na época, este era um salário sem precedentes. O teto informal para astros de Hollywood era de US$ 15 milhões, e as raras investidas para além desse limite eram feitas por astros de ação com décadas de estrada, como Bruce Willis (US$ 16,5 milhões por O Último Matador), Arnold Schwarzenegger (US$ 17 milhões por Queima de Arquivo) e Sylvester Stallone (US$ 17,5 milhões por Daylight).

Carrey, enquanto isso, era um comediante que havia sido revelado no começo da década, na série de esquetes In Living Color, e que estava estrelando um filme de humor ácido e adulto, dirigido pelo colega Ben Stiller, então também um "novato" em Hollywood. Ele tinha se provado uma potência nas bilheterias com Ace VenturaDébi e Lóide Batman Eternamente, é verdade, mas mesmo assim a etiqueta de US$ 20 milhões chamou a atenção.

"Não estou dizendo que não esticamos as coisas [com o salário de Carrey], mas eu prometo que outros contratos que estávamos negociando estavam indo pelo mesmo caminho, e não acho que isso será uma tendência. Não temos muitos astros e estrelas que se estabelecem tão bem no mercado estrangeiro quanto ele", disse na época o executivo Mark Canton, da Columbia, à Variety.

Na prática, no entanto, o "novo teto" pegou. "Todos os maiores astros de Hollywood ganharam um aumento de US$ 5 milhões. Canton e outros executivos da indústria ficaram furiosos com isso, porque eles haviam estabelecido um limite, e Jim o estourou", diz o repórter Mike Fleming Jr., editor do Deadline.

Essa fúria toda de Canton e companhia deve ter se agravado com os resultados financeiros de O Pentelho. Orçado em US$ 47 milhões, o filme rendeu US$ 102,8 milhões nas bilheterias ao redor do mundo --quando consideramos que o estúdio fica com pouco mais de 50% dessa renda, e incluímos os custos de publicidade nessa conta, é provável que o longa tenha dado prejuízo aos cofres da Columbia.

Curioso mesmo é que, desde 1996, este "novo teto" de US$ 20 milhões ficou mais ou menos no mesmo lugar. Astros como Leonardo DiCaprioBrad Pitt, Dwayne JohnsonDenzel Washington levam, até hoje, no máximo essa cifra para casa --a diferença é que contratos de back-end (ou seja: participações em bilheteria, bônus por produzir os próprios filmes, pagamentos adicionais pela venda dos títulos para o streaming, etc) entraram no lugar de um aumento salarial.

"Hoje, é mais difícil ser preciso e dizer o quanto esse ou aquele ator ganhou por cada filme. O nosso negócio se fechou um pouco, e os astros e estrelas estão mais reservados quanto a isso", comentou Fleming.

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