Cena de Grande Sertão, de Guel Arraes (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Grande Sertão, de Guel Arraes (Reprodução)

Filmes

Entrevista

Arraes: Cinema brasileiro “tem que se reinventar, não voltar aos velhos tempos”

Luís Miranda, enquanto isso, fez apelo por implementação das cotas de tela no cinema

Omelete
2 min de leitura
08.06.2024, às 06H00.

Para o diretor Guel Arraes, responsável por sucessos antológicos do cinema nacional, como O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, o atual momento de retomada dos filmes brasileiros precisa ter espaço para uma reflexão mais profunda” sobre o que a sétima arte representa para o país. Em entrevista ao Omelete para promover o novo Grande Sertão, Arraes apontou que o desmonte cultural sofrido durante o governo Jair Bolsonaro precisa servir de exemplo para os artistas brasileiros.

Eu vejo esse momento de agora com esperança, mas muito porque a gente esteve no fundo do buraco - pior era difícil de ficar”, comentou ele. Mas vejo também que nunca mais seremos os mesmos, entende? Há muitos pontos de reflexão a se fazer, por exemplo, sobre o quanto devemos ter filmes de arte versus filmes populares. E essa discussão tem que ser mais franca do que era no passado, quando tudo parecia fácil”.

Antes, a gente só dizia 'vamos fazer cinema brasileiro, cultura brasileira, o povo brasileiro se vendo nas telas’, e pronto. Esse discurso tem que ser um pouco mais refletido diante dos ataques que o cinema sofreu - e não foram ataques de uma minoria, entende?”, completou o cineasta. “Vamos aproveitar o momento para se reinventar um pouco, não querer só voltar aos velhos tempos”.

O Omelete também conversou com Luís Miranda, que interpreta Zé Bebelo no filme de Arraes, sobre os próximos passos do cinema brasileiro nesse movimento de recuperação. O ator, conhecido por participações em Bicho de Sete Cabeças, Sob Nova Direção e Ó, Paí, Ó, foi enfático ao fazer um apelo pela concretização das cotas de tela para filmes brasileiros nos cinemas do país, já aprovada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Eu quero falar claramente aqui: a gente está esperando urgentemente as cotas de tela! Pessoal do governo, precisamos urgentemente que as cotas saiam do papel!”, comentou. A gente precisa trazer o nosso povo para o cinema, e tem que ser barato, tem que ser custeado, tem que ser protegido. Se vocês quiserem que o cinema brasileiro permaneça lutando, criando emprego, gerando oportunidade para o país crescer, precisamos soltar essa cota aí.

Grande Sertão já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

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