Esquadrão Suicida 2 | O que James Gunn pode aproveitar das HQs clássicas

Créditos da imagem: Reprodução/DC Comics

Filmes

Notícia

Esquadrão Suicida 2 | O que James Gunn pode aproveitar das HQs clássicas

Quadrinhos dos anos 1980 serão a maior inspiração para o filme

Gabriel Avila
22.03.2019
14h45

Novos detalhes sobre o próximo filme de Esquadrão Suicida indicam que a trama terá forte influência de histórias clássicas da equipe nos quadrinhos - saiba mais. O longa, que terá roteiro e direção de James Gunn, será inspirado pela fase de Jon Ostrander, autor que não só cocriou a Força Tarefa X, como também colocou o título no mapa dos quadrinhos mais lidos da DC Comics no final dos anos 1980.

Ostrander foi responsável por transformar o Esquadrão Suicida, até então um grupo do exército americano, em uma equipe formada por supervilões em missões secretas para o governo. Essa nova encarnação do time surgiu nas páginas de Lendas, primeira saga da editora após Crise nas Infinitas Terras, quando Amanda Waller, sem poder recorrer aos heróis, reúne vilões até então presos para impedir o ataque da criatura Enxofre. A partir desse arco, o Esquadrão ganhou sua própria revista, em que Ostrander uniu diferentes ingredientes para criar um quadrinho que expandia o universo DC em uma direção pouco explorada até então.

O Esquadrão Suicida de Jon Ostrander tinha forte influência do cinema de ação dos anos 1980, mas garantia identidade própria ao trazer diferentes temas para as histórias. Entre missões de resgate na União Soviética ou invasões em Apokolips, o grupo discutia também questões sociais como racismo e machismo sem cair em redenções fáceis. Essa versatilidade narrativa corresponde à habilidade de James Gunn para combinar diversas influências e criar uma obra com identidade própria, visto que Guardiões da Galáxia utiliza do gênero de super-heróis para contar uma história sobre família.

Ainda é cedo para especular sobre um arco específico - afinal de contas, a fase do roteirista durou aproximadamente cinco anos - porém, mesmo se tratando de um reboot completo, ao se basear nos quadrinhos dos anos 1980 fica impossível se livrar do principal membro da equipe: o Pistoleiro. Destaque nas histórias do Esquadrão durante a fase de Jon Ostrander, Floyd Lawton era um mercenário que, embora implacável, vivia com um enorme desejo de morrer e encarava as missões como uma forma de chegar ao seu objetivo. Com o tempo, o personagem foi ganhando mais camadas. Em uma minissérie própria, assinada pelo próprio roteirista, por exemplo, é revelada sua evolução de vigilante nas ruas de Gotham até, enfim, ascender ao mundo do crime. Talvez a intenção seja de fato dar um destaque maior ao personagem, visto que a Warner estaria negociando com Idris Elba para vivê-lo na nova versão da equipe - saiba mais.

Vale lembrar que uma parte do que foi estabelecido por Ostrander já foi utilizado no primeiro filme da equipe. Com exceção de Arlequina, que ainda não havia sido criada, e El Diablo, o núcleo principal do time era o mesmo do longa de David Ayer. Até mesmo eventos-chave, como a Magia se tornar uma ameaça para o grupo, vêm dos quadrinhos do autor. Entretanto, o longa de 2016 falhou em se manter fiel a outros elementos desenvolvidos nos quadrinhos, uma preocupação que Gunn já demonstrou diversas vezes, como quando se envolveu na produção de Guerra Infinita para garantir que “seus” personagens fossem bem cuidados e aproveitados no filme.

É curioso o alto interesse da Warner no Esquadrão Suicida após a chuva de críticas negativas que o primeiro longa recebeu. Tendo em vista que o filme do Lanterna Verde foi tão massacrado quanto e já se passam oito anos sem a menor menção de ganhar um reboot nos cinemas, o estúdio demonstra forte crença de que James Gunn pode conduzir o time ao caminho certo. Confiança que o diretor conquistou ao incorporar no DNA da cultura pop em um outro grupo que tinha como integrantes guaxinim malcriado e uma árvore falante.