Deborah Secco, Frota e Raquel Pacheco comentam posição de Bolsonaro sobre Ancine

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Deborah Secco, Frota e Raquel Pacheco comentam posição de Bolsonaro sobre Ancine

Presidente considera extinguir órgão oficial por causa de "projetos absurdos"

Mariana Canhisares
20.07.2019
13h45

Os comentários do presidente Jair Bolsonaro sobre a possibilidade de extinguir a Agência Nacional do Cinema (Ancine) repercutiram não apenas entre atores, produtores e cineastas brasileiros, como também entre a própria classe política.

Para Bolsonaro, o órgão oficial estaria usando recursos federais para patrocinar produções que fazem o que ele chama de "ativismo" e, por isso, seria necessário aplicar um filtro no que é aprovado pela Ancine. Um dos títulos usados como exemplo por ele foi Bruna Surfistinha, lançado em 2011. Dirigido por Marcus Baldini, o longa narra a história real de Raquel Pacheco, antiga garota de programa que ganhou fama ao desenvolver um blog sobre seus clientes.

A atriz e produtora Deborah Secco, a própria Raquel Pacheco e outros nomes do cinema nacional e da política se manifestaram contrariamente às posições do presidente. Confira a seguir algumas reações:

Deborah Secco

Damasco Filmes/Divulgação

A protagonista e produtora de Bruna Surfistinha lamentou ao F5 os comentários de Bolsonaro. "Fico um pouco chocada com o 'Bruna' ter sido colocado nesse lugar, porque o filme retrata uma história real não só da Raquel, mas de outras milhares de mulheres que se encontram nessa situação".

Para Secco, um dos objetivos da arte é gerar debate e, por isso, não se pode fingir que temas como a prostituição não fazem parte do Brasil. "Queria muito que nenhuma mulher estivesse nessa situação, que tivesse que se vender para sobreviver, mas essa não é a realidade do nosso país. A gente precisa falar sobre isso".

Atores, cineastas e produtores

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Numa Democracia, qualquer tipo de filme pode ser feito.

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A atriz Sônia Braga, assim como o cineasta Kleber Mendonça Filho e o produtor Rodrigo Teixeira destacaram nas redes sociais o impacto econômico de Bruna Surfistinha.

"A indústria do cinema nacional movimenta 20 bilhões por ano, sem contar os setores indiretos como estacionamento, gastos em bombonière e restaurantes pré e pós uma sessão de cinema. Vamos falar sobre isso na #Expocine19?", escreveu Braga.

"Numa Democracia, qualquer tipo de filme pode ser feito", afirmou Mendonça Filho.

Raquel Pacheco

A empresária e escritora Raquel Pacheco, cuja história inspirou Bruna Surfistinha, também criticou a postura de Bolsonaro. Para ela, os comentários do presidente foram "infelizes".

"Antes de fazer juízo de valor sobre os outros, ele deveria cuidar da moral da própria família. E ainda do nosso país. Afinal, ele está cuidando demais do que não precisa e fazendo pouco o dever dele principal: que é ser presidente", disse à Folha de S. Paulo.

Alexandre Frota

O deputado Alexandre Frota (PSL-SP), do mesmo partido do presidente, afirmou que o filtro proposto por Bolsonaro "parece com censura". “Bruna Surfistinha foi uma boa produção que empregou muitos profissionais. Não tenho nada contra. Mas o Jair tem a opinião dele. Eu, por exemplo, não assistiria Superação: O Milagre da Fé e ele gostou. São gostos diferentes”, disse à colunista Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo.

Sérgio Sá Leitão

O antigo diretor da Ancine e atual secretário de Cultura e Economia Criativa de SP, Sérgio Sá Leitão, também se manifestou no Twitter.

"Bruna Surfistinha também é um produto cultural. Sua realização gerou renda, emprego e desenvolvimento no Brasil, assim como sua comercialização. Um produto bem-sucedido, que teve um público de 2 milhões de espectadores e foi uma das 10 maiores bilheterias no ano de lançamento", escreveu em outro tweet.