Yesterday

Créditos da imagem: Yesterday/Universal Pictures/Reprodução

Filmes

Crítica

Yesterday

Comédia romântica cheia de músicas dos Beatles é fórmula de sucesso

Marcelo Forlani
31.08.2019
11h03
Atualizada em
04.09.2019
14h27
Atualizada em 04.09.2019 às 14h27

É comum na língua inglesa o uso da expressão “rom-com” para falar de comédias românticas. É normal também associar o gênero, principalmente quando falamos dos filmes ingleses, com a produtora Working Title, de Quatro Casamentos e um Funeral, Um Lugar Chamado Notting Hill, Um Grande Garoto, Simplesmente Amor e até Todo Mundo Quase Morto. Este último, inclusive, foi apresentado como “rom-com-zom”, uma comédia romântica com zumbis. Pois bem, a empresa traz agora Yesterday (2019), que estou batizando de "rom-com-Beatles’ songs”.

Aproveitando que o conceito de multiverso foi escancarado na cultura pop com os filmes recentes da Marvel, os roteiristas Jack Barth e Richard Curtis apenas surfam nesta onda. A dupla sequer tenta explicar cientificamente o que aconteceu ou os motivos que levaram Jack Malik (Himesh Patel) a se tornar a única pessoa na Terra que se lembra dos Beatles após um blecaute global. Ao público cabe apenas aceitar e se divertir com as consequências que vão aparecendo.

Quem já viu o trailer ou vai ao cinema após ler a menor das sinopses sabe que é a partir deste momento que o filme vai se desenrolar. Mas, mesmo assim, chega a ser engraçado ver o protagonista ter a epifania de que ninguém mais sabe quem são John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

Jack estava prestes a desistir de sua carreira nos palcos e voltar a lecionar, mas sabe do potencial deste material que guarda em sua memória, mas esbarra em questões éticas: deve fingir que foi ele quem criou música e letra de obras-primas como “Let it Be”, “Here Comes the Sun”, “The Long & Winding Road” e tantos outros clássicos da cultura pop? Enquanto debate isso com seus botões, Jack recebe uma ligação. É Ed Sheeran. O ruivinho ouviu uma destas músicas no rádio e chama o novato para abrir seus shows e é assim que este desconhecido chama a atenção do mundo com “sua” genialidade.

Danny Boyle, sempre criativo e inquieto com sua câmera, parece se curvar aqui aos Beatles e ao gênero das comédias românticas, fazendo seu filme menos visualmente inovador. O que chama mais atenção é o uso de "A Day in the Life” na hora do acidente e a recomposição de “Eleanor Rigby”. Já o casal formado por Patel e Lily James é fofo junto, mas não tão icônico como Paul e Linda ou John e Yoko.

Falar mais pode estragar a história, que apesar de previsível traz muitas surpresinhas que vão arrancar sorrisos dos fãs dos Beatles e mostrar o tanto que o quarteto de Liverpool faz parte da história do mundo. Dito tudo isso, não vá ao cinema esperando algo inovador. Para falar a verdade, a premissa do filme é contestada por criadores de uma graphic novel francesa de mesmo nome, e carrega também elementos do mangá Boku Wa Beatles. A diferença, é que em ambas, os protagonistas viajam no tempo para o início dos anos 1960. Em Yesterday, a história se passa… hoje.

Nota do Crítico
Ótimo