Foto de Steven Universe: o Filme

Créditos da imagem: Steven Universe: o Filme/Cartoon/Divulgação

Filmes

Crítica

Steven Universe: The Movie

Longa animado mostra amadurecimento de protagonista e fala da importância de mudar

Camila Sousa
03.09.2019
16h39

Há algum tempo o Cartoon Network não é mais um canal exclusivo para crianças. Junto com cores vibrantes e personagens divertidos, a empresa tem vários conteúdos com mensagens e piadas interessantes para o público adulto. É assim com O Incrível Mundo de Gumball, Apenas um Show, Hora de Aventura e Steven Universe. No entanto, o que diferencia a obra de Rebecca Sugar, que agora ganhou seu longa animado, é a habilidade de falar sobre sentimentos de uma forma delicada e única.

Quando o longa metragem começa, Steven cresceu e está com 16 anos. Após lutar para estabelecer a paz e sofrer muito para mudar os conceitos ultrapassados das Diamantes, ele só quer voltar para casa e ter momentos de paz com a família e amigos. O longa faz um breve flashback do passado de cada personagem, algo que ajuda quem for assistir o filme sem conhecer todas as temporadas do desenho, e também dá um gostinho novo e cheio de easter eggs para os fãs de longa data. Mas todo esse sossego é atrapalhado pela chegada de Spinel, uma vilã que ameaça acabar com toda a vida na Terra, incluindo Steven e seus amigos. 

Falando especificamente sobre a vilã, Rebecca Sugar usa a história de Spinel para falar, mais uma vez, sobre responsabilidade afetiva. Ao maior estilo de “você é responsável por aquilo que cativas”, o longa mostra como a Gem sofreu com o abandono e, por isso, busca vingança. Por trás de todo o ódio e perigo que representa, ela quer apenas ser querida e apreciada por grandes amigos, algo que perdeu há muito tempo. Inclusive, é curioso que uma vilã tão frágil tenha o visual infantil e cartunesco, quase lembrando um Mickey Mouse. Em toda a sua ira, Spinel tem o desejo mais comum de todos: ser querida pelas pessoas.

No entanto, as lições que Sugar quer passar ao seu público, seja ele jovem ou adulto, vão além do óbvio. Seria fácil para a autora falar apenas de abandono, mas ela vai além, com toda a delicadeza necessária, e resume tudo em uma frase: “só você pode mudar o que sente”. Spinel passou por uma grande injustiça, mas cabe a ela, com ajuda das pessoas ao seu redor, superar e seguir em frente, ao invés de descontar em outros e passar esse trauma adiante. 

No meio de tudo isso, o filme de Steven Universe ainda encontra tempo para falar de outros temas importantes. O primeiro é o que define cada pessoa como ela é. Ao “perder” a companhia de Ametista, Garnet e Pérola, cabe a Steven relembrar a trajetória das personagens para que suas histórias não sejam esquecidas. Assim como a abertura do filme, isso serve para reafirmar todas as lições de amor e aceitação apresentadas durante as temporadas do desenho.

O segundo ponto, e talvez o mais importante de todos, é a necessidade de mudança e crescimento. Steven se questiona várias vezes ao longo do filme sobre isso: por que algo tão bom acabou? Por que o tempo não pode parar nesse momento perfeito, para tudo ficar bem para sempre? A resposta vem nas palavras do próprio personagem ao perceber que todas as mudanças, sejam boas ou ruins, fazem parte do crescimento. Não é uma questão de romantizar e gostar do sofrimento, apenas de ter certeza que esse sentimento também faz parte da vida e é melhor lidar com tais sensações ruins do que escondê-las, criando traumas ainda maiores.

Se há uma crítica ao filme de Steven Universe é o fato de que tudo o que move a história até aqui têm origem em Rose Quartz, a mãe de Steven. O próprio personagem fala no filme sobre a dificuldade de viver à sombra de Rose, então chegou o momento de fechar esse capítulo na história e dar a Steven conflitos próprios e sem ligações tão grandes com o passado.

Nota do Crítico
Ótimo