Dave Bautista

Créditos da imagem: Saban Films/Reprodução

Filmes

Crítica

Refém do Jogo

Dave Bautista e Ray Stevenson fazem duelo em filme B que equilibra brigas e piadas

Marcelo Hessel
22.11.2018
18h01

Com a míngua da produção de médio orçamento em Hollywood, a volta do cinema de ação mais físico nos filmes feitos para DVD e nas produções europeias e asiáticas nos anos 2000 - das franquias da EuropaCorp aos sucessos de nicho de Tony Jaa, Scott Adkins, Iko Uwais e Cia. - inevitavelmente levaria ao retorno também do cinema de brucutus. O subgênero que um dia teve Arnold Schwarzenegger e Chuck Norris ensaia vez ou outra uma volta (os duelos de Vin Diesel e The Rock são atrativo mas não o tema de Velozes e Furiosos) e agora renova a maromba na pele de Dave Bautista e Ray Stevenson.

Os dois atores preenchem a tela como antagonistas em Refém do Jogo, não apenas pelas presenças parrudas mas principalmente porque o diretor Scott Mann não é nenhum arrojado dos planos abertos. Ele se esmera para filmar bem próximo dos atores as cenas de briga e as perseguições, e o que se vê na tela é um ensaio de resgate daquela regra do cinema oitentista de que um filme de ação precisa primeiro parecer viril antes de se provar vigoroso de fato.

Bautista nunca foi um primor de atuação mas o ex-lutador sabe usar normalmente a seu favor suas limitações, em reações broncas a situações cômicas ou de desvantagem. Uma vez que Refém do Jogo promove uma mistura muito cara de pau de soluções já comprovadas de Duro de Matar e Morte Súbita (basicamente Mann ajusta a trama e só troca o hóquei por futebol), rapidamente o filme encontra seu lugar no escracho. Momentos como a boa briga na cozinha entre Bautista e o fisiculturista de dois metros Martyn Ford são entregas pontuais de ação em um filme que no geral equilibra ação e humor sem tropeços.

Refém do Jogo não tem, porém, o mesmo nível de outras produções recentes da Saban Films, que tem bancado o sustento com filmes B de muitos nomes de ponta como Antonio Banderas, Ethan Hawke, Al Pacino, Ben Kingsley e John Travolta. Não tem o mesmo nível de pirações de Um Dia para Viver(com Hawke) nem o mesmo vigor das coreografias de câmera de Assassinos Múltiplos (com Banderas). O próprio Bautista, embora tenha seu apelo, ainda precisa comer muita batata doce para valorizar seu passe.

Nota do Crítico
Regular