Medo Profundo - O Segundo Ataque

Créditos da imagem: Medo Profundo - O Segundo Ataque/Divulgação

Filmes

Crítica

Medo Profundo - O Segundo Ataque

Mal dirigida e sem tensão alguma, sequência ficaria melhor no fundo do mar

Arthur Eloi
26.11.2019
17h07

O cinema de criaturas selvagens está passando por um resgate. Sejam blockbusters como Kong: A Ilha da Caveira e Megatubarão; projetos menores como Águas Rasas, ou trash como Sharknado, há um pouco para todo gosto. A franquia Medo Profundo é um dos projetos mais reconhecidos, mas sua sequência só reforça que há representantes melhores no subgênero.

O Segundo Ataque corta relações com o antecessor (mantém só a premissa básica) e acompanha o desentendimento entre duas irmãs. Para aproximá-las, a família presenteia a dupla com um passeio de barco para ver tubarões. As garotas topam mas, influenciadas por amigas, mudam de planos de última hora para mergulhar em um sistema de cavernas submersas. A diversão acaba quando as mergulhadoras se veem presas no local, com o oxigênio contado e um tubarão-cego às perseguindo. A luta pela sobrevivência é a parte mais interessante, mais ainda que a ameaça da criatura, e a ambientação acerta bastante nisso. A autenticidade dos cenários cria situações bastante claustrofóbicas, e destaca o enorme trabalho de coordenar filmagens debaixo da água. Infelizmente, o filme raramente usa esse potencial.

Salvo pelos agonizantes momentos finais, a tensão é muito mal construída. Após 20 minutos de contextualização, o longa comete o erro de revelar inteiramente o animal e seu CGI medíocre. Por si só, isso já diminui bastante o impacto dos ataques, mas os sustos e mortes também não ajudam: todos são fracos e gratuitos. Muito disso se dá pela técnica decepcionante do diretor/roteirista Johannes Roberts, que já havia desapontado anteriormente com Os Estranhos: Caçada Noturna. Aqui, ele entrega uma ação confusa e um excesso de cenas em câmera-lenta que deixariam até Zack Snyder cansado.

Medo Profundo 2 acerta em poucos momentos - como quando uma das garotas tem que se livrar do tanque de oxigênio para escapar de um ataque - mas não o suficiente para valer a pena. É mal dirigido e apoiado em um roteiro fraco, que dá muito valor ao tedioso drama familiar. Filmes do tipo não precisam de histórias grandiosas ou personagens complexas, mas sim valorizar a tensão e entretenimento do público. 2019 têm bons exemplos de que isso funciona, como Predadores Assassinos. O Segundo Ataque não é um desses.

Nota do Crítico
Ruim