Kaya Scodelario em Predadores Assassinos

Créditos da imagem: Predadores Assassinos/Divulgação

Filmes

Crítica

Predadores Assassinos

Filme produzido por Sam Raimi abraça suas limitações narrativas e entrega um dos melhores filmes de monstro dos últimos anos ao divertir e assustar com criatividade

Arthur Eloi
24.09.2019
16h19

O cinema de monstros teve sua era de ouro na década de 1950 e perdeu sua força com o passar das décadas, mas nunca deixou de existir. Agora o gênero passa por um renascimento, com um fluxo constante de projetos variados - de Megatubarão (2018) à Godzilla - chegando às telas. O produtor Sam Raimi (Evil Dead, Homem-Aranha) decidiu se aventurar por essa onda de sucesso, e o resultado é Predadores Assassinos, um dos melhores filmes do tipo nos últimos anos.

A trama é bastante básica, e acompanha a evacuação de uma cidade na Flórida prestes a ser atingida por um furacão. Haley, vivida por Kaya Scodelario (Maze Runner), fica preocupada com seu pai Dave (Barry Pepper) e decide passar na sua casa para garantir sua segurança. Chegando lá, ela o encontra desmaiado no vão da casa, com a perna ensanguentada. Ao tentar arrastá-lo para fora, Haley descobre o responsável pelo ferimento: um enorme jacaré, que a ataca. Com ambos feridos e o animal feroz à espreita, eles ficam presos, restando apenas algumas horas para a casa ser inundada pelas enchentes causadas pela chuva intensa e furacão.

A luta pela sobrevivência é o filme todo, sem desperdiçar um minuto - além da introdução inicial - com dramas desnecessários ou humor fora de hora. Ao invés disso, o diretor Alexandre Aja (Viagem Maldita, Espelhos do Medo) explora como uma situação terrível pode ficar pior a cada momento, introduzindo sempre novos elementos que complicam ainda mais a vida da família, como a aparição de mais animais e a escassez de oxigênio ao ritmo que a água sobe. É uma mistura de aventura, ação e terror, com momentos de tensão e sustos divertidos, criando um blockbuster sem vergonha de abraçar sua simplicidade narrativa e compensar com entretenimento criativo e bem feito.

A atuação de Scodelario é simples mas ela merece elogios por o quão desafiador e intenso tudo parece. A produção usa e abusa de efeitos práticos para mostrar Haley e Dave lutando contra a enchente. Isso significa muita água na cara, nadar por espaços claustrofóbicos e uma fisicalidade surpreendente por parte da atriz. Vez ou outra isso é exagerado ao ponto de desafiar a lógica, com a personagem ignorando grandes ferimentos pelo bem da progressão do filme, mas isso não significa que ela deixa de sofrer com toda a situação infernal, ou que o divertimento é ofuscado de alguma forma. O único ponto fraco é o CGI dos jacarés, que não é necessariamente ruim, mas destoa dos sets reais e uso mais moderado de computação gráfica para a chuva e cenários.

Com menos de 1h20 de duração, Predadores Assassinos é um ótimo exercício de como usar o foco para extrair o máximo de situações absurdas. É um filme que mira em divertir o público e acerta em cheio. Se o subgênero de exploitation animal continuar marcando presença no cinema, que os próximos projetos aprendam com esse: ao invés de espetáculos grandiosos e vazios, há muito mais valor em ser conciso, segurar a mão nos cenários, personagens e narrativa, e então compensar na tensão e criatividade.

Nota do Crítico
Ótimo