La Vie D’Une Femme: Léa Drucker tenta ter tudo em filme de Cannes 2026
Dirigido por Charline Bourgeois-Tacquet, filme é dividido em 11 capítulos sobre a vida de uma mulher
Créditos da imagem: Divulgação
Dividido em 11 capítulos diferentes, La Vie D’Une Femme pode bem ser definido pelo título de um de seus primeiros episódios: "tentar ter tudo.” Essa é a missão do filme de Charline Bourgeois-Tacquet sobre a vida da protagonista Gabrielle (Léa Drucker) — uma cirurgiã facial que também é chefe de departamento no hospital onde trabalha, uma mulher que não quis ter filhos mas que criou os filhos do segundo marido e uma filha que apesar de não ter tido uma boa relação com a mãe, agora cuida dela enquanto a mesma lida com a síndrome de Alzheimer.
Quando encontramos Gabrielle, várias de suas frentes estão encarando desafios. No trabalho, ela recebe uma autora que quer escrever um romance sobre hospitais (Mélanie Thierry como Frida). Em casa, ela não aguenta mais morar com os afilhados que já são adultos (bem barulhentos, diga-se de passagem). Não para por aí: ela decide virar cuidadora da mãe, começa a sentir uma atração pela escritora, entra em brigas com o marido e começa a se desentender com o cirurgião-assistente com quem trabalha há décadas. Ter tudo, afinal, não é fácil. Para mulheres, La Vie D’Une Femme argumenta ao colocar em tela situação difícil após situação difícil, o desafio é ainda maior. Elas lidam com expectativas com as quais não concordaram, pressões injustas e absurdos sobre os quais homens não precisam sequer pensar.
Nada disso impede Gabrielle. Interpretada muito bem por Drucker como uma mulher ferrenha e determinada, mas nunca fria e calculista, a médica valoriza o que têm enquanto mantém um zero palpável pela excelência do que faz, seja na sala de estar ou na sala de operações. O grande feito de La Vie D’Une Femme é justamente tomar uma postura parecida. Seu drama (quase) nunca cai no melodrama. Bourgeois-Tacquet encara o filme como um retrato da realidade, prezando por comportamentos e diálogos que pautem a vida de Gabrielle num cotidiano reconhecível por qualquer mulher profissional, ou qualquer um que as observe com carinho. Assim, compramos bem a ideia do título do filme: esta é, de fato, a vida de uma mulher.
Contudo, o sucesso dessa abordagem também depende do sucesso de cada um dos episódios específicos do filme, e em alguns deles, a diretora não resiste a certos clichês que barateiam a personagem de Gabrielle sem enriquecer os coadjuvantes que ganham mais espaço. Tanto com o marido, Henri (Charles Berling), quanto especialmente no caso que ela passa a ter com Frida, La Vie D’Une Femme encena dinâmicas pra lá de familiares no cinema francês. No caso do romance com a personagem de Thierry, que interpreta a autora com a mesma superficialidade com a qual o filme a concebe, temos o velho esquema do affair proibido que desperta algo na protagonista, só para que este amor siga rumos previsíveis lá pelo terceiro ato.
São momentos que adicionam ao filme uma camada de artificialidade totalmente oposta à lente pé-no-chão usada nas melhores partes de La Vie D’Une Femme. É como se Bourgeois-Tacquet sentisse a necessidade de deixar a vida de Gabrielle com mais cara de cinema, e no processo ela perde de vista aquilo que tornou a protagonista tão cativante para começo de conversa.
La Vie D'Une Femme
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