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Filmes
Crítica

Iron Lung é fenômeno, é marketing. Mas não é cinema!

Filme independente custou 3 milhões e já vez mais de 30 milhões nas bilheterias

Omelete
3 min de leitura
12.03.2026, às 14H02.
E do nada, lá estava eu, em Los Angeles, numa sexta-feira à tarde sentado em um cinema (naquele momento) vazio, prestes a ver Iron Lung (2026). Não sou o maior fã de filmes de terror, não sou gamer e não sou inscrito no canal Markiplier - aliás, nem o conhecia até saber que ia ter que ver seu filme. Mas, mesmo assim, lá estava eu (sem pipoca, porque só o cinema já tinha custado mais de 100 reais convertidos do dólar para o nosso pobre real) pronto para descobrir porque um filme independente tinha se tornado um dos maiores sucessos do ano nos EUA.
 

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Antes de falar do filme, é preciso explicar quem é Markiplier. O youtuber Mark Fischbach tem milhões de inscritos em seu canal e ganhou notoriedade por fazer gameplays de jogos de terror de uma forma bem performática. Um dos títulos que ele experimentou ao vivo e se apaixonou foi justamente Iron Lung, game independente de 2022 criado por David Szymanski. E como bom marketeiro e maker, Markiplier comprou os direitos para adaptar o game para o cinema em um filme que ele mesmo produziu, roteirizou, dirigiu e protagonizou.
 
Mais importante do que o filme, acabou sendo o processo. Ele foi cirúrgico nas suas postagens, compartilhando a exaustão, o desconforto, o medo de falhar com seus seguidores e fãs do jogo. Ele nunca entregou a narrativa e esta vulnerabilidade foi "ganhando" o público, que passava a torcer por Markiplier e até mesmo a baixar a expectativa para o resultado final.
 
E isso acabou sendo algo positivo, afinal, Iron Lung é limitado ao seu enxuto orçamento. O roteiro seguiu o pedido feito pelo criador do jogo e explica apenas o necessário: Em um universo pós-apocalíptico em que a maioria dos humanos e todas as estrelas desapareceram, Simon (Mark Fischbach) é um prisioneiro obrigado a navegar por um mar de sangue a bordo de um submarino enferrujado (o tal Iron Lung - Pulmão de Ferro, em tradução literal). Seu contato com o mundo exterior é a comunicação feita por rádio e uma espécie de raio-x que fotografa o que está no exterior do seu receptáculo - e muitas vezes seria melhor não saber o que está lá fora!
 
Parece promissor, mas a verdade é que isso é praticamente tudo o que o público vai saber sobre este universo. Ao tentar não explicar demais, o filme não explica nada e, assim, quem não tinha ligação com Markiplier ou com o jogo, dificilmente vai criar algum vínculo.
Sem dinheiro para computação gráfica, a produção criou um set físico e colou a câmera na cara de Mark, gerando uma claustrofobia que não se via talvez desde Enterrado Vivo (Buried, 2010), com Ryan Reynolds. Porém, sem a mesma qualidade técnica. Se o som do metal sofrendo com a pressão submersa e o bipe constante da máquina de raio-x causam uma angústia enorme, os diálogos sofrem junto em algumas falas quase inaudíveis. E isso por mais de duas horas!
 
Os famosos 300 mil litros de sangue falso — que quebraram o recorde de Evil Dead (2013) — estão lá, visíveis e viscosos, mas não se tornam um diferencial dramático. Simon é descartável, a missão nunca se organiza dramaticamente e, sem apego ao personagem, não há sofrimento possível — nem com ele, nem por ele.
 
Criar uma história sem contexto, sem herói, sem esperança, sem dinheiro e ainda assim se dar bem é o grande mérito de Iron Lung e Markiplier. Muitos motivos podem ter levado as milhares de pessoas aos cinemas para ver o projeto. Talvez tenha sido o carisma inegável de Markiplier (algo que seu personagem nunca conseguiu ter). Ou o apoio por todo o seu desgaste no processo de criação. Pode até ser pela curiosidade.
 
Mas uma coisa eu garanto, não foi pelo filme.

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Nota do Crítico

Iron Lung

Iron Lung

Duração: 125 min
Direção: Mark Fischbach
Roteiro: Mark Fischbach, David Szymanski
Elenco: Mark Fischbach, Caroline Kaplan, Troy Baker
Onde assistir:

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