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Crítica

Enterrado Vivo | Crítica

Claustrofóbico, angustiante, intenso e, sem dúvida, corajoso

Marcelo Forlani
09.12.2010
18h43
Atualizada em
21.09.2014
14h12
Atualizada em 21.09.2014 às 14h12

Claustrofóbico é certamente o adjetivo mais óbvio para descrever Enterrado Vivo (Buried), afinal estamos falando de um filme que se passa 99% com o personagem principal, Paul Conroy (Ryan Reynolds), preso dentro de um caixão, enterrado 7 palmos abaixo da terra. Podemos adicionar à lista de adjetivos o angustiante, intenso e, sem dúvida, corajoso.

Trata-se do filme de estreia do espanhol Rodrigo Cortés. E uma estreia já nos Estados Unidos e com um ator que, se não estava na lista dos mais procurados, certamente vai ter cada vez menos tempo livre em sua agenda depois de Lanterna Verde. E aos detratores, já fica o aviso, Ryan Reynolds mostra aqui que pode ser muito mais do que um abdomem definido e travesseiro de Scarlett Johansson. O filme funciona porque Cortés consegue tirar dele a interpretação de um cara genuinamente desesperado por alguns minutos extras de vida, na esperança de sair dali.

Enterrado Vivo

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Toda a história é contada através de telefonemas. Quando acorda, Paul percebe apenas que está em uma caixa de madeira e tem no seu bolso um isqueiro. Após alguns minutos, toca um celular explicando que se ele quiser sair dali vai precisar pagar. E muito, principalmente para um caminhoneiro de uma construtora particular que atua no Iraque, e só está lá justamente porque precisava da grana.

Pouco a pouco, vamos vendo que o filme é mais do que apenas um cara preso em um caixão. As ligações que ele faz vão expondo um a um o governo estadunidense, as empresas contratadas para reconstruir o Iraque, os ensaboados chefes que vão fazer de tudo para tirar os seus da reta, as cunhadas e até as mundialmente odiáveis empresas de telemarketing.

Ao explorar tudo isso e mais a tortura psicológica imposta a Paul, o filme de Cortés se iguala a thrillers independentes como Por um Fio e Mar Aberto, que usam o desespero humano para criar, com um orçamento limitado, algo diferente e envolvente, algo que qualquer um naquela situação poderia fazer o mesmo.

A técnica utilizada por Cortés, que usou sete caixões com aberturas diferentes, e muitas vezes apenas a luz emitida pelo celular ou pelo isqueiro, dá ao filme uma movimentação impensada para um projeto que se passa em um espaço menor de 1 metro cúbico.

É a realidade dura em contraposição ao aspecto fantasioso da cena em que a Noiva (Uma Thurman) de Kill Bill - Vol. 2 consegue usar as técnicas aprendidas com Pai Mei para sair de situação similar. Aqui, cabem a Paul apenas um resto de bateria de celular, alguns minutos de oxigênio e a esperança. Ingredientes que se provam suficientes para a construção de um bom filme.

Enterrado Vivo
Buried
Enterrado Vivo
Buried

Ano: 2010

País: Espanha

Classificação: 18 anos

Duração: 95 min

Direção: Rodrigo Cortés

Roteiro: Chris Sparling

Elenco: Ryan Reynolds, José Luis García Pérez, Robert Paterson, Stephen Tobolowsky, Samantha Mathis, Ivana Miño, Warner Loughlin, Erik Palladino, Kali Rocha, Chris William Martin, Cade Dundish, Mary Birdsong, Kirk Baily, Anne Lockhart, Robert Clotworthy, Michalla Petersen, Juan Hidalgo, Abdelilah Ben Massou, Joe Guarneri, Heath Centazzo

Nota do Crítico
Ótimo