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Crítica

Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles | Crítica

Pipoca alienígena pode ser divertida, mas também pode causar indigestão

Marcelo Forlani
17.03.2011
18h20
Atualizada em
21.09.2014
14h17
Atualizada em 21.09.2014 às 14h17

O patriotismo exacerbado, a exaltação à insuperável capacidade dos fuzileiros navais em realizar o impossível, as cenas de correria, gritaria e tiroteio, as explosões. Se qualquer um dos ingredientes acima é motivo para te levar ao cinema, Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles, 2011) deve te agradar em cheio. O filme tem tudo isso e ainda muitos alienígenas envoltos em extensas batalhas em que mal dá para ver de onde vêm os tiros. Na maior parte das cenas de ação, os fuzileiros navais aparecem encurralados, emboscados pelos alienígenas que invadem não só Los Angeles, mas várias cidades ao redor do mundo atrás da nossa água. E sempre um passo à frente dos humanos, como naquele desenho animado em que cada personagem vai tirando uma arma maior do que a do seu oponente.

É essa insegurança, essa sensação constante de que o fim do mundo está cada vez mais próximo e não tem para onde correr, que comanda 99% do filme. Por isso, prepare-se para passar as quase duas horas de exibição com os ombros tensos, sentado na ponta da poltrona. E você nem vai precisar se lembrar de que antes da tempestade vem a bonança, porque cada uma das sequências em que tudo está quieto é seguida por uma saraivada de mais tiros.

Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles

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Para tentar humanizar a história, o diretor Jonathan Liebesman e o roteirista Christopher Bertolini apresentam rapidamente os marines que estão indo para a linha de combate, encabeçados pelo Sargento Nantz (Aaron Eckhart). O veterano de passado tão condecorado quanto condenado, já prestes a aposentar seu fuzil, mas é chamado para uma última batalha, a pior que já enfrentou até agora. Está lá também o jovem tenente engomadinho (Ramon Rodriguez), pai de família, que apesar de ter brilhante currículo na academia do exército não tem experiência alguma no campo. E daí seguem todos os cabos e soldados, cada um com seu passado, que vão do irmão morto em combate, ao virgem do grupo.

O grupo recebe a missão de ir para Santa Mônica, região costeira de Los Angeles, onde civis estão presos dentro de uma delegacia. O prazo que eles têm para cumprir a missão é de três horas. Depois disso, toda a área será bombardeada, para tentar acabar com os ETs que dominaram o local. Desde o momento em que saem da base, os fuzileiros só veem explosões, destruição e mortes. No meio do caminho, encontram um desmantelado grupo de soldados de outro pelotão, entre eles, a piloto Elena Santos (Michelle Rodriguez), que carrega muito mais do que apenas armas.

O próprio filme tenta se vender como um Falcão Negro em Perigo com aliens, mas é um autoelogio desmerecido. Invasão do Mundo é muito mais didático na hora de explicar quem é quem e exagera também nas pausas dramáticas em que personagens resolvem acertar as contas do passado. Ganha, porém, no gigantismo de suas batalhas, reflexo da herança michaelbayriana de Liebesman, que acompanhou o diretor de Transformers enquanto fazia o filme dos robôs disfarçados e foi produzido por ele em O Massacre da Serra Elétrica: O Início.

E, verdade seja dita, não faz mais do que a obrigação. O orçamento é duas vezes superior ao que o que foi gasto com Distrito 9 (70 milhões de dólares contra 30 do filme produzido por Peter Jackson). Graficamente, as naves pode até chamar atenção, mas os aliens passam boa parte do tempo envoltos em fumaça, aparecendo apenas de relance ou muito de longe. Dava para ser melhor. Aliás, dava para melhorar tudo. Principalmente a história. Fim do mundo de verdade é um roteiro que precisa ficar parando a trama para explicar o que está acontecendo.

A pipoca alienígena pode até ser divertida, mas dependendo do seu estômago também pode causar indigestão.

Nota do Crítico
Regular