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Crítica: Distrito 9

Sci-fi politizada tem efeitos de profissional e narrativa de amador

Marcelo Hessel
28 de Setembro de 2009
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Distrito 9

District 9
África do Sul / Nova Zelândia , 2009 - 112
Ação / Ficção científica

Direção:
Neill Blomkamp

Roteiro:
Neill Blomkamp, Terri Tatchell

Elenco:
Sharlto Copley, Jason Cope, David James

2 ovos
distrito 9
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A moda de usar a linguagem dos documentários para expor com didatismo uma premissa ficcional impregna Distrito 9 (District 9) desde o começo. Especialistas em urbanismo, jornalistas investigativos e âncoras de jornal explicam picado e moído tudo o que está acontecendo em Joanesburgo - se é que tem alguém a essa altura que ainda não saiba.

O caso é que alienígenas que parecem uma versão crustácea do Dr. Zoidberg de Futurama caíram na Terra. Caíram, não, porque a nave-mãe plana sobre a África do Sul - mas aprendemos logo que o OVNI está estacionado ali e em 20 anos jamais saiu. Os ETs com o tempo foram sendo instalados num distrito da cidade, que logo virou favela. A eles foi dado o apelido pejorativo de prawns, camarões.

Em duas décadas a situação ficou incontrolável, e cabe à versão fictícia da ONU, a MNU, desalojar os camarões e transferí-los para um campo de concentração para conter a raiva e o medo dos sul-africanos humanos. O problema se agrava quando o encarregado da missão, Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), que tentava entregar a ordem de despejo a um dos alienígenas, entra em contato com um estranho líquido viscoso... E aí já viu.

Seria sacanagem detalhar mais o desenrolar da história - mesmo porque já bastam as explicações e os comentários constantes que o roteiro de Terri Tatchell (coescrito pelo diretor Neill Blomkamp) nos impõe. Se a nave se move, logo aparece uma repórter dizendo: "A nave se moveu!". Se o herói está em fuga e não tem para onde ir, o áudio do comentarista entra para repetir: "Ele não tinha para onde ir!".

Juro que não é implicância; beiram o insuportável esses textos em off reiterando o que a imagem já diz. Isso se agrava porque há dois tempos e dois níveis de comentários, simultâneos: o factual (a transferência dos camarões é acompanhada pela cobertura jornalística) e o documental (os especialistas relembrando, do futuro, todo o caso de Wikus). É didatismo demais, não dá.

E é um didatismo desnecessário, porque o filme está longe de ser críptico ou de precisar de manual. Pelo contrário, ele opta por uma estrutura de rumos e viradas consagrada: temos um herói que despreza seu inimigo e de repente se vê forçado a se colocar no lugar desse inimigo. Seus aliados não eram quem ele pensava, veja só. É a metáfora política-humanista para iniciantes: nada como fazer as pessoas provarem do próprio preconceito para que elas percebam como antes eram preconceituosas.

Claro, além de saber que Distrito 9 lida com metáforas politizadas (o longa não foi rodado numa reprodução do Soweto por acaso), você já deve saber que os efeitos são o grande destaque. Isso não é preciso repetir. A casa de pós-produção de Peter Jackson faz milagre com alegados 30 milhões de dólares de orçamento, só para provar que seu protegido, o estreante Blomkamp, tinha talento para dirigir o filme de Halo que não aconteceu.

A questão é: de que adianta dispender criatividade e dinheiro pensando no design das criaturas, dos robôs, das naves e das armas se os personagens e os seus arcos são sempre os mesmos? Sogro militar malvado, soldado brutamontes que é guardado para ser o chefão de fase, mártir que dá meia-volta para salvar o amigo... Tudo isso você está cansado de ver, não importa a embalagem (embora os olhos da mutação sejam bem legais...).

Fãs de boa ficção científica, e fãs de Halo, merecem mais do que essa demonstração juvenil (com trilha de comentário) de um Resident Evil 5 de baixo orçamento.

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Comentários (25)

R@f♠nha™ (26/07/2010 07:56:11) O filme é otimo,todas as referencias que ele faz,segregação entre outras,alem disso duas coisa me chamaram a atenção
SPOILER:Na cena que Wikus "pede" pra Christopher(ET)assinar e o mesmo se recusa,ele diz + ou - assim:Esse ai é inteligente,vamos ter mais trabalho e quando aparece na TV o Wikus "fez" todos acreditam cegamente mesmo sem ter mais provas concretas... Bem parecido com o que acontece no mundo real,e não precisamos ir a Joanesburgo,aqui no Brasil isso já é do cotidiano!
Voltando a pelicula as cenas de ação são bacanas,principalmente a ultima no melhor estilo 'transformes'
Merecia 5 ovo!!

Camarão Rules!!!!!
Thatianne (25/07/2010 16:45:55) Fãs de Halo? Pô, eu sei que não dá pra separar o conhecimento do mundo do cinema como business que vcs tem (o fato do diretor ser protegido de Peter Jackson, etc), da crítica do filme em si, mas ô Hessel, não fode. Alguns pontos são bem levantados, mas a crítica como um todo ficou extremamente injusta. Muito feio.
Edison Henrique (04/07/2010 15:01:22) Eu sempre segui o omelete, e geralmente eu acho as criticas muito boas, mas desta fez tenho que dizer que foi lamentável a critica do Distrito 9. Completamente injusta para o que o filme propões. Essa definitivamente não foi uma crítica profissional, mas sim totalmente superficial, amadora. Dedão para baixo Sr. Marcelo Hessel. O filme é excelente, um dos melhores do gênero. Entra na celebre lista de filmes como Alien 1 e Terminator 1.
Gilson (04/07/2010 14:11:24) Cara, sou fã do Omelete há muito tempo, desde o primeiro filme do O Senhor dos Anéis, que como fã de Tolkien à 20 anos comecei a acompanhar as primeiras notícias da pré-produção do filme. Mas só resolvi me cadastrar pra comentar só agora e só hoje e pelo simples motivo da crítica sobre Distrito 9. Acho que o que acontece com pessoas a terem a incumbência a fazer uma crítica, como obrigação ou sei lá, começa a perderem o feeling sobre o que acontece no mundo, e principalmente no mundo das artes. Distrito 9 é um filme de prateleira, pra quem gosta de escapismo, de sair da realidade e em entrar em outra paralela onde podemos olhar nosso mundo "de fora"! Os efeitos do filme só existem para dar realidade ao que existiria neste mundo paralelo e não para ganhar oscars de efeitos especiais como gostaria o crítico. O que ele justamente critica é o ponto alto do filme, o que liga a ficção à nossa realidade ou a uma realidade qualquer, o "ser humanismo" é chato mesmo, somos chatos, a mídia é chata, insuportável, os governos são corruptos, todos nós somos preconceituosos e etc! Se não serviu nem para perceber isso, deveria servir para se enxergar como crítico sem senso de sentido para um filme de arte, que é o que é Distrito 9 e como são todos os filmes de baixo orçamento. Só querem contar uma história, usar uma metáfora, não querem oscars e nem recorde bilheteria. Ao Srs. Críticos do Omelete, olhem as coisas como são e não como querem que sejam, se um filme foi feito com a pretensão de arrebatar bilheterias, ficar para a história e etc, a crítica deve se ater somente a isso, se o filme consegue ou não o objetivo. Se um filme apenas pretende contar uma história, se atenham a isso, se a história foi bem contada. Precisam aprender muito ainda, principalmente o Sr. Marcelo Hessel, as piores críticas que tenho lido tem sido publicadas por este senhor. Não importa, o site é de vocês, o trabalho é seus, se abrem espaço para comentários eles serão feitos e isso deve ter servido bastante para perceberem o quanto estão errados em muitos deles. Longa Vida ao Omelete, mas precisam bater um pouco mais a mistura pq tá começando a desandar, estão entrando na fase que todos passam, de se acharem seguros o suficiente para falarem sem pensar minimamente sobre o que estão falando.
gustavo (04/07/2010 10:18:40) Critica estupida!
Fernando (30/06/2010 17:15:52) Discordo da crítica. O tal didatismo se dá justamente pela aparência de documentário. Ora, o jornalismo q vemos, seja nas reportagens ao vivo ou através de documentários, não é exatamente assim? Narrando pra gente aquilo q estamos vendo? Portanto, um exagero essa crítica. Distrito 9 é muito feliz e original em sua idéia de colocar aliens morando numa favela. Nunca se viu isso, nunca se pensou nisso.

E em matérias de entretenimento, q é a grande função do cinema, D9 cumpre satisfatoriamente seu papel. Merecia 4 ovos.
Jean (21/06/2010 18:15:55) Por mais que tenhamos os estereótipos de personagens, o filme ao meu ver cupre seu papel. Acho curioso como algumas críticas se perdem tanto em detalhes técnicos que esquecem a principal função do cinema: entretenimento.

Dizer que o filme é ótimo seria exagero, mas é longe de ser ruim. Achei um tanto quanto infeliz a colocação sobre o "herói" já que do início ao fim ele só pensa em si, e a razão do final ser aquele, é por ser a única saída para o que ele quer. Egoísmo até o último instante.

Se este foi apenas um "demo" do diretor, espero que tenhamos a continuação cogitada. Certamente melhor que um "Independence Day 2" ou um novo remake de "Invasores de Corpos". E por favor, que não seja em 3D. Convertido.
wlalter (13/06/2010 20:07:11) A meu ver o filme intencionalmente ou nao vai muito alem do que se disse acima.
Para quem conhece um pouco de historia o que se relata nele é a historia da propria Africa do Sul, de Soweto e do proprio apartheid.
Troca os prawns pelos negros sul africanos dos tempos do apartheid e se tem sua historia nua e crua.
É uma metafora e como tal deve ser encarada , mas é tembem um perigoso jogo politico (seria só coincidencia que a Copa do Mundo ta rolando justamente por lá?) E se todo mundo tenta se entender nesse pós apartheid por que tocar de novo o dedo na ferida?
Não se esqueçam que de tanto se martelar no nazismo acabaram por instigar essa bobageira toda de neo-nazismo. Se a historia nao ensina licões pelo menos deixa lembranças.

W&C
RG (25/05/2010 16:48:29) Distrito 9
Distrito 9 produção modéstia com estatus de Brockbuster por produzida pelo Diretor Peter Jackson e também por que todos ao assistirem as primeiras imagens da ficção do diretor estreante Neill Blomkamp todos custavam a acreditar a produção gastou apenas a bagatela de 30 milhões, mas vindo de Peter Jackson que conseguiu realizar a trilogia Senhor dos Anéis com a New line estúdio independente comparado aos majors com apenas 150 milhões e todos nos vimos no que deu por isso acreditamos que ele em conjunto com o diretor conseguiu custear o filme sem usar elenco de peso locações caríssimas e etc.
Mas para D9 ganhar vida outra grande produção foi engavetada Halo um dos Games mais conhecidos do mundo projeto que estava nas mãos de Jackson e Neill Blomkamp iria dirigir sob sua supervisão, mas por divergências de idéias com o estúdio não saiu do papel então Jackson Sugeriu a seu protegido para levar as telas D9 baseado em seu curta metragem dirigido pelo próprio Neil chamado Alive in Juburg.
Distrito 9 tem um tom semi documental bem dinâmico começa deforma ágil assim como era apresentado em seus trailers, mas D9 eu definiria como um filme dividido em duas partes a primeira e aquela divertida documental que vimos em seus trailers e segunda que nos mostra a luta de Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) um trabalhador de classe media que foi desiguinado pelo governo (e também por seu sogro e patrão) para dar a ordem de despejo aos moradores de Distrito 9 e mais frenética comercial e em minha opinião muito inferior e seu começo em fim resumindo o encanto do filme acaba tudo aquilo que tínhamos expectativa sobre a produção modéstia rodada na áfrica do sul que fez incríveis 100 milhões nos estados unidos perde a graça.
Mas como o publico gostou e boa parte da imprensa e critica também Jackson conseguiu provar que seu protegido teria capacidade de dirigir Halo criticas a parte uma equipe que faz um longa com 30 milhões com cara de 100 e arrecada 100 só nos cinemas ianques tem seus méritos.
A trama se alguém ainda na sabe se passa em Joannesburgo nos dias de hoje com o governo tentando resolver o caso com seus imigrantes que ocupam uma espécie de conjunto habitacional que como em todo lugar acabou se tornando uma espécie de favela após mais de 20anos largados sem ajuda do governo ate ai uma coisa normal em qualquer parte do mundo, mas estes imigrantes ilegais são alienígenas e ao tal conjunto habitacional e exatamente abaixo do local onde ate hoje sua nave se encontra parada e quebrada sob o céu da áfrica o lugar se tornou um caos crimes saques e etc.
Como qualquer favela, mas ainda mais caótico, pois a população de Joannesburgo quer sua retirada imediata, pois a convivência com os Alienígenas apelidados de Camarões pelos humanos e impossível daí cabe Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) dar a ordem despejo para eles e encaminhá-los ao Distrito 10 uma espécie de campo de concentração como já de se esperar isso não vai ser nada amigável há também uma subtrama que surge no decorrer do longa, mas não vou contar mais para não estragar futuras surpresas.
D9 não e um filme ruim apenas não consegue manter sua ótima premissa inicial e se perde, mas nos mostra uma importante lição no mundo das cifras de Hollywood que tudo que e feito em casa e mais barato Neill Blomkamp levou D9 para a sua casa a África do Sul e fez milagres com 30 milhões difícil ate de acreditar assim como seu padrinho fez há alguns anos atrás com seus Hobbits levando os também para sua casa Nova Zelandia.
Em fim como todo mundo já sabe comida caseira e mais barata às vezes ate mais gostosa.
Avaliação :
Filmes Inc.:6,5
Critica:8
Publico:7,5


Rodrigo (24/05/2010 18:06:43) Assisti esse filme hoje, e, independente da crítica, uma coisa é certa:
O personagem Wikus Van De Merwe se F...., do início ao fim.

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