Garota da Moto

Créditos da imagem: Paris Filmes/Divulgação

Filmes

Crítica

Garota da Moto mira em protagonistas de ação mas derrapa na execução

Aventura protagonizada por Maria Casadevall segue acontecimentos da 2ª temporada da série

Marcelo Forlani
29.09.2021
11h47
Todo mundo sabe que nós, críticos, acabamos assistindo a muitos filmes. Uns bons, outros, nem tanto. E, por isso, é comum que amigos perguntem se gostamos deste filme ou daquele, para ajudar na hora de decidir o que ver. E uma piada constante entre estes amigos é que "quando começa elogiando a fotografia, é porque o filme é ruim". Bom, Garota da Moto (2021), que adapta para os cinemas a série nacional exibida pelo SBT, tem uma bela fotografia.
 
A direção artística é assinada por João Daniel Tikhomiroff, um dos publicitários mais premiados do mundo no prestigiado Festival de Criatividade de Cannes. Fundador da Mixer, ele vem se arriscando na última década a contar histórias para TV ou cinema. É de Tikhomiroff, por exemplo, a direção de Besouro (2009), longa-metragem sobre o lendário capoeirista brasileiro, e de alguns episódios da série Garota da Moto, exibida no SBT entre 2016 e 2019. No programa, Joana - a motoqueira do título - era interpretada por Christiana Ubach.
 
A nova aventura, agora protagonizada por Maria Casadevall, é sequência do fim da segunda temporada. Mas quem não viu nada da série é rapidamente localizado sobre este mundo em um flashback de apresentação em que se descobre que Joana prefere ser chamada de motofretista. Jô, como é comumente chamada, teve um caso com um cara casado e desta relação nasceu seu filho, Nico (aqui interpretado por Kevin Vechiatto, o Cebolinha de Turma da Mônica - Laços). A esposa do pai de Nico, com medo de ver o menino colocar em risco sua fortuna, manda matar Joana e Nico. Para proteger seu filho e a si mesma, Jô aprende a se defender.
 
Esta veia aventureira e injustiçada é o que desencadeia a trama do longa-metragem. Jô é chamada para fazer uma entrega, mas ao chegar ao local, vê mulheres em condições de trabalho análogos à escravidão. E decide agir. Porém, depois de salvar as pessoas que estavam ali, os chefes da empresa começam a ir atrás da motoqueira. O roteiro é econômico em cenários, o que seria compreensível em termos de orçamento. Mas não há muitas desculpas para diálogos e situações tão cheias de clichês.
 
Apesar de mirar em protagonistas de ação como Atômica, Tomb Raider e Viúva Negra, e até testar algumas power poses em cenas de luta, Garota da Moto derrapa feio na sua execução, criando um filme de ação em que não há surpresas ou apreensão quanto à segurança dos protagonistas. Mesmo ela sendo uma motoqueira rodando pelas ruas de São Paulo. 
Garota da Moto
Garota da Moto
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Garota da Moto

Direção: Luis Pinheiro

Roteiro: David França Mendes

Elenco: Kevin Vechiatto, Maria Casadevall

Nota do Crítico
Regular

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