Eli, da Netflix

Créditos da imagem: Eli/Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Eli

Produção da Netflix é pouco inventiva, mas a boa direção e algumas surpresas funcionam

Arthur Eloi
22.10.2019
15h00
Atualizada em
22.10.2019
16h04
Atualizada em 22.10.2019 às 16h04

Qualquer serviço de streaming que queira ter um catálogo enorme terá que, eventualmente, dar uma afrouxada no controle de qualidade. A Netflix entendeu isso há tempos, especialmente quando se trata de terror. A seção é repleta de conteúdos que variam drasticamente em qualidade. Mas considerando a facilidade de acesso, não há risco em tentar a mão com títulos duvidosos, já que alguns podem surpreender. Eli não chega tão longe, mas também não é um desperdício de tempo.

Dirigido por Ciarán Foy (A Entidade 2), a trama acompanha Eli (Charlie Shotwell), garoto com uma rara doença que lhe dá alergia à praticamente tudo. Desesperados por alguma alternativa, seus pais encontram um tratamento em uma clínica isolada da cidade. Lá, o menino passa a descobrir uma série de bizarrices - tanto do passado do local quanto dos segredos que seus pais escondem. O ângulo da doença demonstra potencial, mas o filme opta por utilizar inúmeros clichês de histórias sobre experimentos desumanos e também sobre casas mal-assombradas. A combinação a la Resident Evil entrega poucas surpresas, ainda mais com Foy bebendo tanto do terror mainstream, como Invocação do Mal, o que anula qualquer personalidade que a obra poderia ter.

Por sorte, Eli compensa a falta de originalidade com técnica cinematográfica decente (longe de ser ótima, mas boa o bastante). A ação, repetida ao cansaço, é bem filmada. Os personagens, embora rasos e sem motivações bem definidas, são bem atuados, especialmente o protagonista. Até a trama, arrastada e pouco intrigante, de repente ganha um ar de A Profecia e entrega uma conclusão inusitada. Nada disso parece ser realmente pensado, não é um esforço em brincar com as expectativas do público, mas - de uma forma bizarra - a construção sem graça da obra torna essas faíscas de inventividade gratas surpresas.

Eli é um daqueles casos em que o formato e facilidade de acesso ajudam na experiência, assim como Marianne(curiosamente, também lançada pela Netflix). Sua falta de originalidade teria falado muito mais alto caso tivesse estreado no cinema, o que também implicaria em um gasto maior para a produção - e, consequentemente, um fracasso maior. Como foi lançado sem qualquer alarde em um serviço de streaming, o filme soa menos ambicioso, e dessa forma seus erros pesam menos. O terror, que usa muito da expectativa do público, ganha bastante quando não se espera nada - seja a obra boa, ruim ou, como é o caso aqui, completamente mediana.

Nota do Crítico
Regular