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Crítica

Crítica: Shrek Para Sempre

Um fim digno para a franquia do ogro

Marcelo Forlani
08.07.2010
17h15
Atualizada em
21.09.2014
14h04
Atualizada em 21.09.2014 às 14h04

A FIFA ainda não aderiu ao olhar eletrônico e não permite que seus árbitros revertam as decisões tomadas no impulso do momento do apito, o que leva a muitas polêmicas que poderiam ser facilmente evitadas. Como não sigo as regras da federação internacional de futebol, peço licença aos leitores para voltar atrás e mudar o "placar" de Shrek - Terceiro. Dos três ovos que dei na época do lançamento, vou mudar agora para dois. Culpa do olhar eletrônico ou, no caso, do DVD. Ao rever recentemente Shrek 2, me diverti muito (de novo!) com todas as referências que a série tinha, fazendo paródia de outros filmes, principalmente as animações da Disney e outros contos de fada.

Infelizmente, o terceiro filme da série veio com uma proposta nova, que se mostrou errada. Eles deixaram de lado tudo de bom que havia sido feito anteriormente para apostar numa comédia de ação sem grandes novidades. Agora, no quarto - e, dizem, último capítulo da franquia - o escorregão é menos feio. Shrek Para Sempre (Shrek Forever After, 2010) é a tentativa da série de criar uma comédia dramática usando fórmulas já testadas.

Shrek Para Sempre

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Shrek está cansado de ser o rei de Tão Tão Distante e volta a sonhar com os dias em que morava no pântano e vivia como um ogro, assustando as outras criaturas. No dia do primeiro aniversário dos seus filhos, ele se descontrola e fala o que não deve para Fiona. Para o seu azar, o duende Rumpelstiltskin viu tudo e lhe faz uma oferta irrecusável: Shrek voltará a ser o ogro de antes por 24 horas. Em troca, Rumpelstiltskin terá direito a apagar um dia da vida do ogro.

Como todo bom trapaceiro, Rumpelstiltskin já tem um plano em mente e decide apagar o dia em que Shrek nasceu. Assim, neste mundo paralelo em que o ogro está vivendo agora, ele nunca resgatou a princesa Fiona do castelo, jamais conheceu o Burro e Rumpelstiltskin acabou ganhando a coroa de Tão Tão Distante. O único contra-feitiço é (pausa para o suspense) o beijo do amor verdadeiro (cara de espanto - nooooot).

Se fazer rir já é difícil, colocar universos paralelos em uma história de 90 minutos voltada ao público infantil é algo que os novos roteiristas não deveriam ter tentado. Mas por falar em novidades, este filme é o primeiro da série desenvolvido pensando no 3-D. E neste ponto os animadores da DreamWorks Animation acertam ao equilibrar cenas de ação em que o 3-D mostra o seu grande diferencial e a profundidade entre os diversos planos.

Embora não haja grandes inovações, nem o humor inteligente dos dois primeiros longas, Shrek Para Sempre ao menos garante à franquia um final mais digno do que encerrar naquele fraco terceiro filme. Que agora os produtores cumpram sua promessa e deixe os ogros viverem felizes para sempre no reino de Tão Tão Distante. Não quero ter que voltar no tempo para mudar mais nenhuma nota.

Nota do Crítico
Bom