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Crítica

Crítica: Os Mercenários

25 anos depois nada mudou no cinema de ação oitentista

Érico Borgo
12.08.2010
17h45
Atualizada em
11.11.2016
22h00
Atualizada em 11.11.2016 às 22h00

As veias inchadas nos músculos artificialmente mantidos de Sylvester Stallone desenham um mapa de intenções de Os Mercenários (The Expendables, 2010), seu novo filme. Como as plásticas que começam a ficar exageradamente repuxadas no rosto do grande astro, o filme busca, um quarto de século depois do auge do gênero, resgatar a juventude do cinema de ação.

Stallone, como já havia feito em Rambo IV e Rocky Balboa, coroteiriza, dirige e protagoniza o filme. O comando criativo é extremamente benéfico para o que Os Mercenários propõe, afinal, ninguém entende melhor a ação descerebrada como ele. Em pouco mais de 100 minutos, um exército inteiro é metralhado, centenas de explosões são detonadas, mocinhas são honradas, conspirações são desbaratadas e um sem-fim de combates mano-a-mano são lutados.

Os Mercenários

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Para tanto, Stallone conta com um verdadeiro quem-é-quem desse tipo de produção. Aos conhecidos Dolph Lundgren, Mickey Rourke, Eric Roberts, Jason Statham e Jet Li (com direito a participação especial de Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis) juntam-se, na melhor tradição do gênero de contratar atletas em nome do realismo, Randy Couture (campeão de MMA), Gary Daniels (campeão de kickboxing) e Steve Austin (astro da luta-livre).

Mas muito mais que um desfile de veteranos, a produção traz ainda um checklist de clichês oitentistas. Líder do narcotráfico? Ditador de país latino? Garota durona em perigo? Missão contra todas as chances? Está tudo lá, bem amarradinho e sem qualquer pretensão senão a de voltar a uma época mais simples no cinema.

Na trama, o grupo de "soldados da fortuna" de Barney Ross (Stallone) é contratado pelo misterioso Sr. Church (Willis) para infiltrar-se em uma ilha latina e assassinar seu ditador (David Zayas, de Dexter). Chegando lá, eles conhecem a rebelde Sandra (Giselle Itié) e descobrem a verdadeira natureza do problema. Mas quando eles enfim escapam da ilha, Sandra prefere ficar e lutar - o que desperta em Barney um sentimento de redenção que ele desconhecia.

Mas ao mesmo tempo que se entende a explosiva nostalgia de Stallone (quem não quer trabalhar no que faz melhor e gosta?), Os Mercenários não deixa de parecer datado e simplista. Dá pra se divertir na hora com o pastiche e desfrutar, amortecido, o balé pra macho das coreografias marciais, mas não sobra muita coisa para a memória além das discussões de bastidor.

Em tempos de realismo no cinema, Nu Image/Millennium contra O2, a impressão de Stallone dos brasileiros e até a prefeitura de Mangaratiba, no Rio de Janeiro (onde parte das filmagens aconteceram), querendo homenagear o astro construindo uma estátua (torço por um macaco no ombro) rendem muito mais discussão sobre o filme, que se esgota antes de chegar ao elevador do shopping, que seus méritos cinematográficos.

Nota do Crítico
Bom