Avatar Aang: O Último Mestre do Ar derrapa ao emular frenesi que não lhe convém
Filme acerta na ação e na qualidade gráfica, mas não oferece mais do que isso
Um dos principais trunfos que fazem de Avatar: A Lenda de Aang uma das melhores franquias da animação mundial é o modo como seus criadores Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko tornaram a história de guerra em um épico onde a jornada é um fator mais importante do que a ação. A história nunca abriu mão de bons combates, estratégias e cenas deslumbrantes, mas a todo momento deixava claro que aquilo eram apenas mais alguns dos eventos que circulavam as vidas do protagonista e de seus amigos. Quase duas décadas depois, o novo filme Avatar Aang: O Último Mestre do Ar nos devolve esses personagens mais maduros em um novo ritmo que nada lembra a obra original.
Na trama, dirigida por Lauren Montgomery, o jovem adulto Aang, o último mestre do ar no mundo, vaga pelos templos que outrora abrigaram seu povo em uma busca ansiosa para manter vivas as histórias e a identidade dos nômades do ar. Porém, as esperanças retornam ao coração do Avatar quando ele descobre um poder ancestral que pode salvar sua cultura da extinção. Esse conhecimento, porém, vem junto de uma descoberta ainda mais avassaladora: outro nômade mais antigo que Aang conservado no gelo de uma montanha. Com a ajuda de seus amigos e do misterioso dobrador de ar, ele embarca em uma jornada global para encontrar o tal poder.
A pressa para entregar uma história completa em 99 minutos faz com que o filme abdique de uma das maiores qualidades da franquia em nome de uma sucessão de batalhas pelo controle do mundo. A fragilidade da trama não ajuda a justificar esse frenesi. A história não é empolgante, parecendo mais um arco filler que separa a série original de A Lenda de Korra, mesclando as tensões políticas e sociais que definem tanto a era de Aang quanto a de Korra. O novo vilão, no entanto, é um grande acerto do filme, e sua motivação é coerente com seu surgimento na história, mesmo que recém-dobradores encurralando o time Avatar não ajudem tanto, fazendo parecer que, naquele momento, suas habilidades não evoluíram nada desde a animação original.
A qualidade da animação é um show à parte na obra, dando tanto às lutas quanto aos momentos de contemplação cenários e cores memoráveis para o espectador. O mesmo vale para a direção, que consegue transmitir desde a importância dos pequenos detalhes até cenas em que a imensidão faz toda a diferença para o momento. Nas transições entre as cenas, vemos a narrativa fluir de forma coesa, fazendo do visual o maior artifício do longa-metragem.
No fim das contas, o longa-metragem prova que animação e direção de qualidade não são suficientes para sustentar uma história que não confia em seu próprio ritmo. Pesa contra ainda o sentimento de que a produção melhora, se ignorarmos o passado, algo que nenhum fã deseja. O time de personagens volta bem, mas Katara, Sokka, Toph e Zuko não têm mais o mesmo charme que na obra original. O roteiro apressado também dá pouca margem para que novos personagens cativem o espectador, limitando a aderência de um novo público.
Ainda assim, a trama é uma boa pedida para a linha do tempo da obra, marcando uma inegável transição entre as eras de Aang e Korra. Em meio a um ano difícil para a franquia, o filme ainda chega para tirar o gosto amargo deixado pela contemporânea segunda temporada da série live-action da Netflix (você pode ler essa outra crítica aqui).
A Lenda de Aang: O Último Mestre do Ar
Avatar Aang: The Last Airbender
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