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Séries e TV
Crítica

Segundo ano de Avatar tenta se equilibrar entre novidade e nostalgia

Série ignora pontos fortes da série principal em temporada com pouco brilho

Omelete
3 min de leitura
Pedrinho
25.06.2026, às 04H01.

A missão do Avatar é trazer equilíbrio ao mundo, mas, infelizmente, ele não conseguiu fazer o mesmo pela segunda temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar, da Netflix. Quando a série estreou, em 2024, escrevi aqui que o live-action se permitia sonhar, mas mantinha o pé no chão. Agora, parece que a produção escorregou na casca de banana e não se sustenta mais em cima do muro narrativo que ela própria ergueu.

O primeiro ano da série entendeu o seu lugar no mundo. Seu propósito era entreter os assinantes do serviço de streaming enquanto conquistava os fiéis fãs da animação da Nickelodeon. E, sim, essa não é a missão mais nobre de todas, mas o mercado funciona dessa forma. Por outro lado, a qualidade artística da produção se sobressaiu, funcionando como um bom exemplo a ser seguido no mercado dos live-actions. Porém, tudo isso se perde no segundo ano.

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Após um salto temporal não-canônico, encontramos Aang (Gordon Cormier), Katara (Kiawentiio) e Sokka (Ian Ousley) se aventurando pelo Reino da Terra enquanto procuram um mestre para o Avatar, que precisa aprender a dobrar todos os quatro elementos. O início do primeiro episódio é nostálgico, confesso, e a cena de abertura também foi bem dirigida, mas é aí que a temporada se perde tentando servir a dois senhores: nostalgia e hype. Todos os episódios da segunda temporada seguem essa mesma fórmula e tentam traçar uma aventura épica cheia de easter eggs e memes nichados, mas o drama, que é o carro-chefe da franquia, fica em segundo plano.

Nem mesmo a história de Toph (Miya Cech) faz jus ao material original — ou, pelo menos, falha em ser bem construída de alguma outra forma. A personagem, historicamente conhecida por seu humor ácido, superinteligência e adaptabilidade, agora é apenas chata. Uma fórmula que funciona quando aplicada a crianças prodígio fica estranha quando replicada em uma adolescente, como é o caso desta adaptação. As frases da personagem claramente tentam fazer um aceno aos espectadores convertidos sem causar estranheza no novo público. Um erro evitável.

Esse problema se repete em outros arcos centrais, como os de Zuko (Dallas Liu) e seu tio Iroh (Paul Sun Hyung Lee), que agora possuem desenvolvimentos confusos. Aqui, o problema nem está na falta de similaridade com a obra original, o que pode ser facilmente superado em uma adaptação livre. O erro está no descaso do roteiro em tornar essa dupla realmente carismática para justificar uma futura redenção. Do outro lado da família, o núcleo de Azula (Elizabeth Yu) também não ajudou. A interação da antagonista com Mai e Ty Lee ficou estranha e nada natural. Nem mesmo a experiência de Daniel Dae Kim como Senhor do Fogo Ozai gerou uma boa cena para a personagem.

Em geral, todas as atuações ficaram medianas. Porém, isso não isenta a responsabilidade das equipes técnicas. A direção não funciona em vários momentos, assim como a pós-produção. Em uma cena, Azula lança um raio contra personagens que estavam sentados em uma mesa. A câmera corta e vemos alguns deles simplesmente desmaiados sobre ela. Muitos cortes são secos e algumas cenas acabam lamentavelmente teatrais, quebrando a magia da atmosfera que os episódios tentam construir. Por fim, a trilha sonora também não ajuda, as lutas perdem emoção e os dramas ficam rasos.

Avatar: O Último Mestre do Ar escolheu ignorar o próprio exemplo, optando por formatos enlatados maquiados como referências. Fazendo diversas escolhas erradas, o segundo ano do live-action fica sem muito a oferecer, colocando em xeque a qualidade do seu futuro.

Nota do Crítico

Avatar: O Último Mestre do Ar

Criado por: Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko
Onde assistir:

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