Filmes

Crítica

Bleach

Live action não decepciona

Gabriel Avila
01.10.2018
12h20
Atualizada em
01.10.2018
12h52
Atualizada em 01.10.2018 às 12h52

O fim da década de 1990 nos mangás foi marcado pelo surgimento de novos títulos que viriam a ser conhecidos como “Os Três Grandes”: One Piece, Naruto e Bleach. Enquanto o primeiro segue em publicação até hoje e o segundo já ganhou uma continuação, Bleach sofreu uma queda de popularidade em 2016 após uma conclusão que dividiu fãs e crítica. Como o anime baseado no universo dos ceifadores já havia chegado ao fim antes mesmo do mangá, a franquia estava esfriando quando a Warner Japão anunciou a produção de um filme live-action. Distribuído mundialmente pela Netflix, o longa apresenta um visual caprichado e sabe transportar o humor da obra original para as telas, dando novo fôlego à franquia.

Após perder a mãe na infância, Ichigo Kurosaki passou a enxergar fantasmas e dedica parte do seu tempo a ajudar as almas dos que faleceram. Esse dom fez com que ele enxergasse Rukia Kuchiki, uma ceifeira, que acaba acidentalmente passando todos os seus poderes ao garoto. Os ceifeiros são entidades que têm como objetivo mandar os bons espíritos, os Plus, para a Soul Society e eliminar os Hollows, nome dado aos espíritos malignos. Como seu corpo não é forte o suficiente para devolver os poderes, Ichigo deve cumprir o papel de Rukia e proteger sua cidade dos Hollows.

Bleach é uma produção que tem a clara missão de agradar aos fãs. Mesmo com diversas mudanças em relação ao enredo original, o longa preserva sua essência ao traduzir o humor encontrado no mangá de forma precisa, investindo no equilíbrio entre comédia e ação. A trama investe em trazer as mais icônicas cenas de forma praticamente exata e espalha easter eggs sempre que possível (embora por vezes acabem ficando jogados em meio aos acontecimentos realmente relevantes na jornada de Ichigo).  Ao mesmo tempo, tendo consciência de que boa parte do público ainda não teve contato com a franquia, o filme também é uma ótima porta de entrada ao condensar os principais elementos da mitologia desse universo em pouco mais de 108 minutos.

Embora não faça feio em relação à fidelidade, a trama escorrega ao gastar muito tempo com escolhas que atrapalham o andamento da narrativa. Assim como grande parte dos shonen, nome dado aos mangás voltados ao público jovem, Bleach segue a cartilha da jornada do herói à risca e demora demais dando voltas que têm o objetivo de despistar sobre o rumo que a história está tomando. Por não funcionar, esse recurso prejudica o ritmo com diversos diálogos expositivos.

Já os efeitos visuais, que em adaptações live-action produzidas pelo cinema japonês geralmente deixam a desejar pela falta de um orçamento gigantesco, não decepcionam. Bons filmes como Tokyo Ghoul, exibido nos cinemas brasileiros em 2018, buscam compensar com efeitos práticos e coreografias elaboradas, mas Bleach possui o melhor dos dois mundos e se torna uma experiência completa. Os Hollows, grandes vilões da história, são criaturas abstratas e seria difícil que o filme convencesse sem que tivessem um bom visual, mas esse medo passa logo nos primeiros minutos quando Ichigo encara o primeiro monstro. Mesmo com CGI competente, o filme também investe em sequências de movimento dinâmicas, que tornam as cenas de ação um espetáculo à parte.

Ainda que não tenha sido um sucesso nas bilheterias dos cinemas japoneses, o filme não decepciona e deixa em aberto a possibilidade de continuações. Contemporâneo a live-actions desastrosos, Bleach é uma ótima porta de entrada para um universo divertido.

Nota do Crítico
Ótimo