Daniel Radcliffe e Samara Weaving em Armas em Jogo (Guns Akimbo)

Créditos da imagem: Armas em Jogo/Divulgação

Filmes

Crítica

Armas em Jogo

Daniel Radcliffe e Samara Weaving brilham em bizarra comédia de ação, repleta de neon e violência

Arthur Eloi
06.11.2020
20h21
Atualizada em
06.11.2020
20h32
Atualizada em 06.11.2020 às 20h32

Desde que os videogames começaram a conquistar legiões de fãs e suas carteiras, o cinema busca formas de retratá-los nas telonas. As tentativas sempre foram, no mínimo, questionáveis. A partir da última década, surgiu uma nova abordagem: ao invés de adaptações diretas, criar histórias sobre a cultura e estética gamer. Enquanto isso rendeu obras como o excelente Scott Pilgrim Contra o Mundo(2010), também trouxe outras não tão marcantes assim, como Gamer(2009), Nerve(2016) e Projeto Gemini(2019).

Armas em Jogo (ou Guns Akimbo) se aproxima mais do segundo caso, mas repleto de diversão em um frenesi violento. O filme de Jason Lei Howden (Deathgasm), que chega ao Brasil na televisão pela TNT, é amplamente conhecido pelos memes de Radcliffe armado, e por ter sido engavetado por alguns anos antes de seu lançamento, mas ganhou alguma força como um cult de ação.

Na trama, Miles (Daniel Radcliffe) é um fracassado que encontra um pouco de controle em sua vida ao moderar comunidades tóxicas da internet. Um dia, porém, ele mexe com as pessoas erradas: os administradores de SKIZM, uma livestream em que os espectadores apostam em lutas reais entre criminosos. Como retaliação pelo incomodo, os administrados capturam Miles, fixam pistolas em suas mãos e o colocam para brigar com Nix (Samara Weaving), uma das melhores assassinas.

É uma premissa bastante absurda, então o diretor encontra uma forma igualmente exagerada de filmar tudo. Com rápida movimentação de câmera e frequente troca de inventivas técnicas, o visual de Armas em Jogo é um dos pontos fortes. Assim como Zack Snyder fez com Sucker Punch (2011), Lei Howden não economiza no slow motion e nas cores saturadas para dar um ar de videogame ao longa. De alguma forma, o diretor acerta em cheio na sensação suja, low fi de um jogo de ação de médio orçamento da era do Xbox 360/PlayStation 3, quase como se Kane & Lynch 2: Dog Days(2010) ou algum de seus contemporâneos. Bastante específico, não?

É visível que há um carinho enorme pelos clichês e particularidades dos games. Não bastasse a premissa soar como o sadismo de Manhunt, mas também o roteiro frequentemente brinca com as viradas heroicas que filmes e jogos de ação replicam há anos - a caçada impiedosa por um vilão, a união para enfrentar forças maiores, a luta contra o chefão final no telhado etc. Isso fica ainda mais claro na quantidade de títulos que a produção tenta esconder nas cenas, como o apreço do protagonista por Doom(2016) e Quake Champions (2017).

Armas em Jogo com certeza foi uma produção bastante divertida de se envolver, e isso transparece ao espectador. Só não quando o filme tenta contar piadas. Esses são seus piores momentos, já que dificilmente acertam o timing cômico ou o tom da sátira ao mundo dos streamers e dos games violentos. O mesmo, porém, não pode ser dito do humor físico, com cenas de ação absurdas, e Daniel Radcliffe comprometido com o papel. Após sair de Harry Potter, o ator parece ter prometido a si mesmo apenas topar os trabalhos mais bizarros e inusitados. Com esse longa e outros projetos, como Miracle Workers e Swiss Army Man, só se tem a agradecer por essa decisão.

Mas quem realmente rouba a cena é Samara Weaving. Outra atriz comprometida com a estranhice, ela anda crescendo pelo seu enorme carisma em queridinhos cult como A Babá(2017), e Mayhem - Um Dia de Caos(2017) e Casamento Sangrento(2019). Aqui não é diferente. Mesmo com, facilmente, os piores diálogos de todo o filme, Weaving ainda consegue hipnotizar quando aparece na tela. Os melhores momentos são justamente quando ela e Radcliffe se juntam, e demonstram todo o potencial da obra quando carregada por dois atores de altíssimo nível.

Mesmo com muitas decisões questionáveis na escrita, Armas em Jogo é uma experiência ridiculamente divertida. Ao invés de levar a série seu comentário sobre cultura digital, o filme apenas usa de ponto de partida para tirar sarro das viradas batidas de filmes de ação que, eventualmente, acabaram sendo repetidos também nos jogos. Pode não ser nada marcante ou memorável, mas com certeza são 1h30 muito bem aproveitadas com sangue, luzes neon saturadas e muita personalidade.

Armas em Jogo
Guns Akimbo
Armas em Jogo
Guns Akimbo

Ano: 2019

País: Reino Unido/Nova Zelândia/Alemanha

Duração: 98 min

Direção: Jason Lei Howden

Roteiro: Jason Lei Howden

Elenco: Daniel Radcliffe, Samara Weaving

Nota do Crítico
Bom

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