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Crítica

A Múmia | Crítica

Refilmagem pouco inspirada inicia um novo universo de deuses e monstros no cinema

Thiago Romariz
08.06.2017, às 15H13
ATUALIZADA EM 08.06.2017, ÀS 15H59
ATUALIZADA EM 08.06.2017, ÀS 15H59

A Múmia é mais uma tentativa de reestilização de um clássico. Como na refilmagem protagonizada por Brendan Fraser em 1999, esse novo filme não se prende muito às premissas do original, feito lá em 1932. O horror e o suspense tem papel ínfimo, pois a intenção aqui é tornar a história da ressurreição da Múmia em algo mais aventureiro, cheio de cenas de ação e alguns alívios cômicos. Apesar de bem intencionado, já que inicia um novo universo compartilhado dentro da Universal Studios, esse novo filme de Tom Cruise apela para simplicidade burocrática em todos os quesitos que aposta.

A principal missão imposta pelo diretor Alex Kurtzman é entreter com uma mescla de cenas grandiosas de ação e humor irônico de Nick, agente de segurança dos EUA vivido por Cruise. A não ser pela boa (mas rápida) cena de gravidade zero na queda de um avião de carga, o longa não desperta urgência ou tensão em qualquer sequência de confronto e perigo. As ameaças e poderes da própria Múmia não têm impacto, apesar de ficar claro o alcance da magia dela. Kurtzman não consegue representar em tela a potência da personagem, que possui um visual interessante, mas limita-se a ressuscitar soldados e conjurar tempestades de areia.

Ao trocar o sexo do monstro, agora vivido por Sofia Boutella, A Múmia se coloca na posição de explorar novas possibilidades e trazer uma visão diferente para o conto. Não é o que acontece. O roteiro foca mais na maldição e nas transformações de Tom Cruise do que nos dilemas da ex-princesa Ahmanet. Boutella é aqui apenas um rosto carismático e bem maquiado, que serve para setar o futuro de Nick, o verdadeiro protagonista do filme. Não fosse pelos poucos momentos de suspense no início da aparição da Múmia, seria possível dizer que a moça fica em terceiro plano na história, já que Dr. Jekyll também aparece.

O médico interpretado por Russell Crowe é apresentado como uma espécie de Nick Fury de monstros e deuses, pois deve ser o elo que unirá os próximos filmes do universo compartilhado da Universal Studios. O embate interno de Jekyll e Hyde é apresentado rapidamente em uma cena de luta sem nexo entre Nick e o médico, que tem uma caracterização pobre e mal utilizada. De positivo desse crossover entre monstros dá pra tirar a organização Prodigium e os easter-eggs soltos pelo escritório de Crowe. Se ainda não sabe como trabalhar essas propriedades ao menos a Universal montou de jeito que permite apresentar várias outras criaturas com maior facilidade.

Na sede de possuir uma franquia fantástica, a Universal erra na primeira tentativa ao se basear em personagens previsíveis e um diretor que não consegue transmitir nenhum tipo de emoção. A comédia de A Múmia funciona tão pouco quanto sua ação, que tem raras cenas memoráveis. O início torto desse novo mundo se dá pela replicação mal estruturada das receitas tão exploradas por Disney e Warner, por exemplo, nos casos de Marvel e Godzilla/Kong. A diferença está no comando e idealização destas propostas. Enquanto alguns possuem assinatura e cuidado na narrativa e construção de heróis e vilões, outros pensam só em emular uma receita que não é infalível - e esse é o caso de A Múmia.

A Múmia
A Múmia
A Múmia
A Múmia

Ano: 2016

País: EUA

Direção: Alex Kurtzman

Roteiro: Jon Spaihts

Elenco: Sofia Boutella, Tom Cruise, Annabelle Wallis, Courtney B. Vance

Nota do Crítico
Ruim

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