Cão de Guarda terá ecos de Viagem Maldita e Murilo Benício “imprevisível”
Gabriela Amaral Almeida fala ao Omelete sobre nova parceria com ator de O Animal Cordial
Créditos da imagem: Gabriela Amaral Almeida e Murilo Benício no set de O Animal Cordial (Divulgação)
Para Gabriela Amaral Almeida, o road movie é terreno fértil para o terror. Em conversa com o Omelete, a cineasta se abriu sobre um de seus próximos projetos: Cão de Guarda, que a reúne com Murilo Benício quase dez anos depois de O Animal Cordial, para contar a história de um pai que, durante uma longa viagem com a filha, percebe que perdeu a capacidade de sentir – e que isso pode transformá-lo em uma figura perigosa, inclusive para a própria menina.
“Amo aquela ideia de Viagem Maldita, dos acampamentos em trailer, de estar na estrada, de estar num não-lugar… porque a estrada é um não-lugar, né?”, comenta Almeida, citando o clássico de 1977 de Wes Craven (também conhecido como Quadrilha de Sádicos, que ganhou remake em 2006). “O horror e o terror trabalham muito com isolamento, com o isolamento dos personagens do mundo”.
Confira a seguir o trecho em que a diretora fala de retomar sua parceria com Benício, e dá mais alguns detalhes de Cão de Guarda – que ainda não tem data de estreia definida.
OMELETE: Quero falar de Cão de Guarda, que você anunciou recentemente e que também é uma retomada da sua colaboração com o Murilo Benício. O que o Murilo traz para os seus filmes, que você acha que se conecta tão bem com o que você gosta de mostrar?
ALMEIDA: O Murilo traz imprevisibilidade. É um ator que tem um processo interno muito rico, que eu pude testemunhar n’O Animal Cordial. É um ator que processa indicação e conversa de uma forma muito surpreendente. Falando de uma coisa bem prática: o diretor dá uma indicação, essa indicação é processada por ele em algum espaço da psique dele, e ele entrega para você uma resposta para essa indicação que é sempre surpreendente. Para o diretor, isso é um presente: poder testemunhar isso, no dia a dia de um set, é um negócio mágico! É a mesma coisa com a Luciana Paes, outra atriz muito especial. Além disso, o Murilo se tornou um amigo, então tem um combo de coisas boas. É um ator extraordinário e uma pessoa extraordinária. A vontade de passar tempo trocando e trabalhando com essa pessoa é genuína, e ela me moveu a escrever o filme... o Murilo foi a mola-mestra para que eu escrevesse o Cão de Guarda, então acho que ele vai fazer esse papel belamente.
OMELETE: Legal! Eu li também que o Cão de Guarda é um road movie de terror, que explorando a relação de um pai e de uma filha. Eu queria saber qual sua relação, primeiro, com esse subgênero do "road movie", e quais são as inspirações que você trouxe para este filme?
ALMEIDA: Eu amo Paris, Texas, acho um filme lindo. Amo aquela ideia de Viagem Maldita, dos acampamentos em trailer, de estar na estrada, de estar num não-lugar… porque a estrada é um não-lugar, né? E o horror e o terror trabalham muito com isolamento, com o isolamento dos personagens do mundo. Na minha história, a condição desse pai é que ele vai perdendo a capacidade de sentir, de ter sentimentos, e os dias vão passando na estrada com essa menina e ele de moto, numa região que ambos não conhecem, sem ter onde dormir previamente – ou seja, já é um espaço de medo, um espaço inóspito. Aos poucos, ele se percebe violento, a possibilidade de ele machucar essa menina vai crescendo, e ela vai sentindo isso. Então eu acho que o road movie tem o benefício da construção de um lugar inóspito, diferente, destacado do que é cotidiano e agradável para os personagens. Por isso mesmo, um potencial lugar de medo.
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