Os 10 filmes de terror brasileiros favoritos do Omelete
Equipe seleciona de clássicos a novidades, e indica onde assistir o melhor do terror nacional
Créditos da imagem: As Boas Maneiras, O Despertar da Besta e O Lobo Atrás da Porta (Reprodução)
O sucesso persistente dos filmes de terror nas salas de cinema, mesmo em momento de crise para Hollywood, demonstra que histórias originais são sempre bem-vindas em um dos gêneros mais interessantes da cinematografia humana - e o Brasil não fica fora dessa, como demonstram os dez filmes que a equipe do Omelete selecionou a seguir.
Para quem quer conhecer o horror brasileiro a partir de obras disponíveis para streaming, é um bom guia... e garante uma sessão noturna arrepiante, é claro.
Love Kills
Onde assistir: Em cartaz nos cinemas brasileiros.
A partir da graphic novel de Danilo Beyruth, a diretora e roteirista Luiza Shelling Tubaldini faz um filme de vampiros estilosamente paulistano. Com a frieza suja do Centro se transformando em um palco operático tingindo em neon sombreado, e uma protagonista que se vê perseguida por sanguessugas e humanos na mesma medida, este belo exercício estético prova que sobra impulso pop aos cineastas e escritores brasileiros, e também sobra espaço nos cenários brasileiros para concretizá-los. - Caio Coletti
O Despertar da Besta
Onde assistir: Disponível gratuitamente no YouTube.
É impossível falar de horror no Brasil sem passar por Zé do Caixão, e a oferta de filmes de José Mojica Marins online, ainda que não faça jus a essa importância, tem um ou outro título essencial. Censurado pela Ditadura em 1969, que não só exigiu cortes como depois procurou destruir os negativos do longa, O Despertar da Besta passa por mazelas sociais (dependência química, as omissões do Estado) para provocar a intelectualidade e o bom gosto com suas imagens delirantes de sadismo. É um pequeno compêndio não só da visão de mundo e de cinema de Mojica, como também da imagem que ele fez de si mesmo nas telas. - Marcelo Hessel
As Boas Maneiras
Onde assistir: Disponível para streaming no Reserva Imovision.
A dupla de cineastas formada por Juliana Rojas e Marco Dutra representa duas das assinaturas mais interessantes do terror nacional, e As Boas Maneiras é provavelmente a obra-prima da filmografia de ambos. Mistura indefectível de drama social, romance lésbico, terror de lobisomem e musical urbano (... e de volta outra vez), este filme singular estrelado por uma excelente Isabél Zuaa nunca mais para de ecoar pela cabeça do espectador após os créditos subirem. É um dos testemunhos mais contundentes da força do cinema de gênero no Brasil. - Caio Coletti
Sinfonia da Necrópole
Onde assistir: Disponível para streaming no Embaúba Play.
Nos anos 2010 coube a Rojas e Dutra levar o horror brasileiro ao circuito dos festivais prestigiados de cinema mundial, com filmes como Trabalhar Cansa e As Boas Maneiras. O melhor filme de Rojas, porém, é esse terror musical cômico feito em empreitada solo, sobre um aprendiz de coveiro que se apaixona pela burocrata que está desapropriando o cemitério onde ele trabalha. Assim como em Mormaço (mais abaixo nesta lista), a especulação imobiliária não parece uma circunstância mas a própria lógica do dia a dia do capitalismo, e a ela só é possível responder, neste filme, com absurdo, ensaiando passos vacilantes que consigam seguir a partitura urbana. Sinfonia da Necrópole é um grande boy-meets-girl cheio de carinho pelos afetos que resistem ao ritmo das metrópoles brasileiras. - Marcelo Hessel
Filme Demência
Onde assistir: Disponível grauitamente no YouTube.
Parece incontornável que, a partir de São Paulo S.A. (1965), o cinema feito na capital paulista se delimite pelos temas da industrialização e do urbanismo. Carlos Reichenbach toma esse contexto, porém, apenas como ponto de partida para contar em 1986 a história de Fausto, empresário que herda uma fábrica de cigarros falida e passa a ventilar sua frustração numa flanagem psicossexual pela cidade em direção ao litoral. A referência a Goethe no título não é por acaso e Reichenbach coloca sua premissa do pacto com o demônio a serviço de um exercício formal delirante, em que o anseio da Redemocratização não consegue dar conta de anos e anos de pulsões reprimidas e sonhos roubados. - Marcelo Hessel
O Animal Cordial
Onde assistir: Disponível para streaming no Globoplay e Telecine.
Mais na chave do thriller urbano do que do horror sobrenatural – e não por isso menos pertencente ao gênero –, o excelente O Animal Cordial coloca Murilo Benício para representar a mesquinhez monstruosa do ser humano agraciado pelo sistema com um pequeno poder sobre aqueles à sua volta. Nas mãos da diretora Gabriela Amaral Almeida, o longa não só segura a tensão por toda sua 1h30, como também trafega em ascos e perturbações completamente inesperados. - Caio Coletti
Propriedade
Onde assistir: Disponível para streaming na Netflix.
A despeito do sufoco que impõe ao espectador, Propriedade é um bem-vindo exercício formal em meio a uma safra de filmes do gênero - tanto no Brasil quanto nos EUA - que frequentemente colocam temas e estilizações acima de uma disposição mais frontal de lidar com códigos e ritmos típicos do horror. O roteiro do diretor Daniel Bandeira parte, sim, de uma premissa socialmente carregada (estilista foge da violência de Recife e se refugia numa fazenda apenas para testemunhar lá uma revolta dos empregados da propriedade), mas ela se presta a justificar um muito eficiente e claustrofóbico terror de casa sitiada. O ano era 2022, o país pós-bolsonarismo obviamente tomado pelo ressentimento, e Propriedade faz da luta de classes seu gatilho para o sadismo consumado. - Marcelo Hessel
O Lobo Atrás da Porta
Onde assistir: Disponível para streaming no Canal Brasil, e para aluguel e compra no Prime Video e Apple TV.
Nada como uma história real perturbadora para servir de base para o suspense. O filme escrito e dirigido por Fernando Coimbra é inspirado na história da Fera da Penha, crime que chocou o Brasil na década de 1960. Após a morte de uma criança, os pais (Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento) são chamados para interrogatório e é aí que surge uma personagem decisiva para a investigação: a amante, vivida por Leandra Leal. Um dos melhores filmes nacionais da última década, O Lobo Atrás da Porta merecia mais reconhecimento nos cinemas, especialmente pelo incrível trabalho de Leal... sem contar o impacto do aterrorizate do final da história. - Alexandre Almeida
Mangue Negro
Onde assistir: Disponível gratuitamente no YouTube.
O primeiro longa-metragem do capixaba Rodrigo Aragão foi rodado no manguezal próximo à sua casa em Guarapari, de onde inexplicavelmente saem zumbis, a título de parábola ambiental. Realizado em 2008 com cerca de R$ 50 mil, é uma grande homenagem ao gênero. Depois de Mangue Negro, Aragão, que antes trabalhara em circo e se especializara em efeitos especiais, se tornou um dos principais nomes do horror nacional raiz e digno herdeiro de José Mojica Marins, com quem trabalharia em 2015 em As Fábulas Negras, último trabalho do veterano cineasta. Muito do que o cinema brasileiro produz hoje em matéria de horror é tributário de Aragão, cuja especialização se põe a serviço dos efeitos práticos de longas posteriores, como O Clube dos Canibais e Enterre seus Mortos. - Marcelo Hessel
Mormaço
Onde assistir: Disponível para streaming no Embaúba Play.
Depois de três longas de caráter mais experimental ao lado do codiretor Felipe Bragança, a carioca Marina Meliande partiu para empreitada solo em 2018 neste filme que já passa a flertar mais com o cinema de gênero. A história da advogada que tenta impedir a desapropriação de moradores da Vila Autódromo (área que a prefeitura tomou para as obras da Olimpíada) ganha tons polanskianos quando ela “traz trabalho pra casa”, por assim dizer. Mormaço consegue sintetizar bem uma ideia persistente de um Rio de Janeiro que se arrasta febril na precariedade e no abandono. - Marcelo Hessel
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