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O que 007: First Light nos diz sobre o futuro dos filmes de James Bond?

Agente mais jovem e “realismo elevado” - será que é isso que veremos na tela grande também?

Omelete
6 min de leitura
27.05.2026, às 08H00.

Desde fevereiro do ano passado, quando a Amazon MGM Studios pagou US$ 1 bilhão para os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson a fim de que ambos abrissem mão de seu histórico controle criativo sobre a franquia 007, os fãs de James Bond estão em suspense sobre o caminho que o espião irá tomar na tela grande. 

Sabemos que Steven Knight (Peaky Blinders) vai escrever, e Denis Villeneuve (Duna) vai dirigir, o próximo capítulo de Bond. Mas que tipo de Bond teremos, e que tipo de história ele vai contar? De fato, só o tempo dirá. Dito isso, 007: First Light dá algumas dicas.

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007: First Light (Reprodução)
007: First Light (Reprodução)

Quem fez 007: First Light?

É importante, realmente, fazer a distinção: a Amazon MGM Studios não esteve envolvida na feitura de First Light. Com a compra dos direitos criativos de 007, o estúdioassumiu deveres supervisionaisque antes pertenciam a Eon, empresa de Broccoli e Wilson, mas a essa altura – 15 meses antes do lançamento – a imensa maioria das decisões criativas consequentes de First Light já haviam sido tomadas.

O ciclo de produção de um videogame, afinal, é muito mais longo do que o de um filme ou série de TV. First Light está em desenvolvimento desde pelo menos 2020, um ano antes do lançamento de 007: Sem Tempo Para Morrer, último filme de Daniel Craig como Bond… que também se provaria o último da Eon no comando da saga.

Foi nesta data que a IO Interactive anunciou a produção de First Light, e o jogo se tornou o foco principal da equipe da desenvolvedora após o lançamento de Hitman 3 (2021). O mais interessante, no entanto, é constatar que desde o início do processo First Light parecia se alinhar a tudo o que se espera do Bond da Amazon.

007: First Light (Reprodução)
007: First Light (Reprodução)

Como é o James Bond de 007: First Light?

Como largamente reportado antes e depois do lançamento do jogo, First Light acompanha Bond em sua primeiríssima missão para o MI6, inclusive englobando o seu treinamento como agente. É o Bond mais jovem, em termos de cronologia ficcional, que já vimos em qualquer mídia do personagem criado por Ian Fleming nos anos 1950.

Imaturo, impulsivo, igualmente saudado e repreendido por suas capacidades improvisacionais, este é um Bond no qual a energia e a desenvoltura superam a elegância. Um 007, enfim, que não sabe exatamente o que fazer em qualquer situação – o seu jogo de cintura ainda está desabrochando. Impressionante, mas não 100% seguro.

Para um jogo, claro, é o protagonista perfeito. A mídia, especialmente dentro do gênero onde First Light se encaixa (ação, com elementos de stealth e combate), floresce ao colocar o jogador no controle de um personagem que traga algum senso de perigo. Ter sempre uma noção inabalável do que fazer a seguir não é uma sensação empolgante.

A maioria dos jogos de Bond antes desse tendiam a sintetizar os elementos superficiais do personagem: o martíni, o terno, a bondgirl. Mas ele vai além disso, então o nosso jogo quer realmente fazer uma análise do personagem como um jovem que pode se tornar o 007 que conhecemos. Como seria a jornada dele? Bom, para reevlar as suas principais qualidades, ele precisa passar por algo realmente desafiador”, comentou o diretor de narrativa do jogo, Martin Emborg, em entrevista ao Deadline.

007: First Light (Reprodução)
007: First Light (Reprodução)

007: First Light vai se conectar com os filmes?

Ouve-se desde os tempos da Eon que o próximo Bond seria mais jovem do que estamos acostumados a vê-lo. Com a exceção de George Lazenby (o Bond pior recebido pelo público, que só fez um filme em 1989), todos os 007 começaram sua trajetória na franquia após os 30 anos de idade, portanto sinalizar essa ideia significa justamente pensar num Bond em seus 20 e poucos – e, potencialmente, em suas primeiras missões no MI6.

First Light escala o ator irlandês Patrick Gibson, que na época do início da produção do game tinha 25 anos, como Bond. Conhecido pelas séries The OA, Sombra e Ossos e Dexter: Pecado Original, Gibson não seria uma escolha tão surpreendente para um 007 dos cinemas, pensando-se no histórico da franquia. Pierce Brosnan era irlandês, e Gibson tem um rosto razoavelmente reconhecível, mas não está em uma posição na qual se acorrentar a 007 pelos próximos 10, 15 ou 20 anos seria um prejuízo.

Sua conexão a First Light, no entanto, pode ser justamente o calcanhar de Aquiles do ator na corrida pelo papel do espião. Isso porque, para todos os efeitos, o jogo é uma narrativa separada dos filmes, inclusive dos que serão produzidos daqui para frente. 

O CEO da IO, Hakan Abrak, frisou essa separação em uma das primeiras entrevistas em profundidade sobre o jogo [para o Eurogamer, em 2023]: “Queremos que os gamers vejam que não estamos apenas ‘gamificando’ um filme, não estamos tentando simular Daniel Craig ou qualquer outro ator que viveu Bond. É uma história de origem, é o começo de algo novo e exclusivo, que os fãs de games podem chamar de seu”.

007: First Light (Reprodução)
007: First Light (Reprodução)

Como 007: First Light pode influenciar os filmes?

Mesmo sem uma conexão narrativa direta, no entanto, 007: First Light com certeza pode apontar – especialmente se for um grande sucesso, como se espera – para os caminhos que Bond vai tomar na tela grande.

Um exemplo fácil disso: em sua conversa com o Deadline, Martin Emborg citou uma mão cheia de vezes o quanto a IO Interactive perseguiu um senso de “realismo elevado” para o jogo. A frase, que tem cheiro de mandato corporativo, casa perfeitamente com o que se espera de Steven Knight e Denis Villeneuve, os dois nomes chave contratados pela Amazon até agora para tocar 007.

A ideia, nos corredores do estúdio, pode muito bem ser essa: capitalizar em cima todas as tradições antiquadas de um Bond superespião gaiato – leia-se: não enfurecer fãs da velha guarda que ficariam doidos se 007 não dirigisse um Aston-Martin ou pedisse seu martíni da maneira errada –, mas também introduzi-lo à geração que cresceu com Bourne e com o MCU. “Realismo elevado” se traduz como “o melhor dos dois mundos” nos ouvidos dos executivos.

Ademais, aquele Bond que falamos acima (mais energia do que elegância, brilhante mas perigoso) é um tipo imediatamente sedutor para o tipo de cinema de ação contemporâneo de apelo massivo que a Amazon sem dúvida quer construir em cima da franquia. Seguro apostar, portanto, que o próximo filme de Bond será bem próximo de 007: First Light, mesmo que não seja um seguimento direto dele.

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