Jason Sudeikis sorrindo com os braços estendidos em Ted Lasso

Créditos da imagem: AppleTV+/Divulgação

Séries e TV

Artigo

Por que você precisa ver Ted Lasso, comédia que fez a rapa no Emmy 2021

Série da AppleTV+ traz necessária dose de otimismo e inocência em período de crise mundial

Nico Garófalo
20.09.2021
16h44

Acho que mostra o quanto estávamos ansiando ver pessoas tentando ser melhores e mais gentis. Por isso atingiu tanta gente, porque [esse otimismo] pareceu tão incomum e percebemos que precisávamos disso”. Foi assim que Brett Goldstein, vencedor do Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia, definiu Ted Lasso após sua vitória. A comédia, desenvolvida por Brendan Hunt, Jason Sudeikis, Bill Lawrence e Joe Kelly para a AppleTV+, dominou as categorias de comédia na premiação mais importante da TV norte-americana, coroando o sucesso inesperado de uma da série que se tornou queridinha do público no último ano.

Para compreender por que Ted Lasso é tão apaixonante, basta dar o play em seu primeiro episódio. A produção acompanha um carismático treinador de futebol americano universitário que, após conseguir subir de divisão com sua equipe, é contratado para treinar um time da Premier League, primeira divisão do futebol inglês, e evitar seu quase certo rebaixamento. Em seu caminho, ele encontra ego de jogadores, problemas com sua mal-intencionada chefe e má vontade da torcida. Já no piloto, o protagonista vivido por Sudeikis - que também saiu vitorioso do Emmy - enfrenta cada uma dessas dificuldades com um otimismo inabalável e uma inocência que tem sido deixada de lado pela TV nos últimos anos. Mesmo em seus momentos mais intensos, como as discussões entre Roy (Goldstein) e Jamie (Phil Dunster) ou jogos decisivos na trajetória do AFC Richmond contra o rebaixamento, a comédia passa um conforto que já não existe na realidade há, no mínimo, um ano e meio.

Ao contrário do que possa parecer em trailers, esse abraço dado pela série não se limita aos fãs de futebol. Claro que algumas cenas têm um sentimento especial para a população boleira, mas as lições tiradas pelos personagens dentro e fora das quatro linhas são facilmente relacionáveis. A reação de Rebecca (Hannah Waddingham) ao seu divórcio, a maneira como Nate (Nick Mohammed) aprendeu a se impôr e como Roy entendeu suas próprias limitações traduzem conflitos internos rotineiros para muitas pessoas. Essas histórias quase universais de autocompreensão inspiram o público a acompanhar esse crescimento e se questionar como se tornar alguém melhor.

Ted, obviamente, é o grande canal para essa inspiração. Seja em suas reuniões diárias com uma relutante Rebecca ou com os sermões no problemático Jamie, o treinador parece falar diretamente com o espectador. Sua fala tranquila e gentil faz com que a mensagem por trás das táticas ofensivas ou ditados exageradamente regionais seja facilmente compreendida sem grandes problemas. Seu sorriso inabalável também passa uma certeza de que até as situações mais tristes podem ter um saldo positivo.

Há um sopro de ar fresco em como Ted Lasso mostra a bondade dentro de cada pessoa. Diferente de algumas produções mais “cabeça”, a série da AppleTV+ não se arrisca a dar lições de moral no telespectador. Assim como o próprio Ted, a comédia parte do princípio que, sim, somos todos humanos e suscetíveis ao erro, e é justamente essa humanidade que nos permite aprender e melhorar como pessoas.

Legitimada após uma noite incrível no Emmy, Ted Lasso já seria merecedora de atenção só pela maneira divertida como aborda a paixão pelo esporte - e as incongruências que a acompanham. Mas, em tempos em que sorrir parece cada vez mais difícil, uma série que ajuda a, pelo menos, ver o copo meio cheio se torna incrivelmente necessária.

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