Montagem da coluna de Marcelo Hessel

Créditos da imagem: Omelete/Divulgação

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Dicas do Hessel #016 | O show não pode parar

Na semana do Dia Mundial do Rock, confira recomendações de obras sobre o tema

Marcelo Hessel
17.07.2020
11h46
Atualizada em
17.07.2020
12h03
Atualizada em 17.07.2020 às 12h03

Para aproveitar o Dia Mundial do Rock, as Dicas do Hessel dessa semana juntam sete sugestões de documentários, registros ao vivo e uma famosa ópera rock que estão disponíveis nos streamings brasileiros. São boas oportunidades para revisitar capítulos importantes da música popular do século 20, ou só para deixar tocando em casa como segunda tela. Com esses filmes dá para mergulhar em bastidores que fizeram a história do rock ou, quem sabe, descobrir novos sons preferidos para daqui pra frente.

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John e Yoko: Só o Céu como Testemunha

Foto de John e Yoko: Só o Céu como Testemunha
Divulgação

A essa altura do campeonato, é muito desconhecimento de causa (ou má vontade mesmo) achar que Yoko Ono acabou com os Beatles e desvirtuou John Lennon. Se você precisa de apenas um filme para ser provado do contrário, então este documentário de 2018 faz um belo trabalho de convencimento, mostrando na prática - durante as gravações do álbum Imagine - como era o processo criativo do casal, o que Yoko trazia não só para o convívio com Lennon mas também para dentro do estúdio. É um registro bem emocionante do que unia o beatle e a artista multimídia, por mais que Imagine seja um disco inferior a Plastic Ono Band (mas essa é outra discussão).

Disponível na Netflix.

The Other One

Foto de The Other One
Divulgação

Nenhum grupo encapsulou o espírito do movimento hippie americano como o Grateful Dead, e este documentário segue o guitarrista Bob Weir nos dias de hoje enquanto revisita as décadas passadas da longeva banda. Não é tanto uma questão de entender como Weir está hoje, depois de uma vida inteira de viagens (as mais variadas), e sim de analisar ao lado do músico como esse legado é visto em perspectiva. Weir era o número dois do Grateful Dead, fazendo a guitarra-base para o ícone Jerry Garcia, então, talvez por ser "coadjuvante" da própria vida, esse olhar dele surja mais aguçado. À parte o fato de ser um doc bem padrão, é um filme bonito sobre como viver além do próprio tempo: tomar pra si a invenção desse tempo.

Disponível na Netflix.

Rolling Thunder Revue

Foto de Rolling Thunder Revue
Divulgação

Takahata volta às crônicas dos filmes de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, o recente Rolling Thunder Revue é um dos mais interessantes, porque - embora a música de Dylan seja a protagonista neste registro da turnê de 1975-1976, como na interpretação da recém-lançada "Simple Twist of Fate" - não trata tanto da figura do cantor e tem mais a dizer sobre o clima da estrada. Por trás do conceito que justificou a reunião de artistas ao lado de Dylan (tocar em espaços menores em clima de jam session) há sempre os interesses diluídos, os egos, os encontros que se fazem e desfazem após cada noite. Um filme que aos poucos revela o peso que as turnês musicais têm sobre corpos e ânimos.

Disponível na Netflix.

Can't Stand Losing You

Foto de Can't Stand Losing You
Divulgação

Quem conhece o Sting do tantra e das causas ambientais talvez não conheça o lado turbulento da breve história do Police, o trio integrado por Sting, Andy Summers e Stewart Copeland que durou de 1977 a 1984. Este decomentário repassa, entre o diplomático e a DR franca, as dinâmicas de ego e vaidade que implodiram a banda, ao mesmo tempo em que forneceram a energia criativa que colocou o Police na vanguarda do seu tempo, numa época em que a ideia de misturar punk e reggae rendeu uma congestionada onda de grupos da Inglaterra para o mundo.

Disponível no Amazon Prime Video.

Tommy

Foto de Tommy
Divulgação

As óperas rock foram moda nos anos 70 quando o metal e o progressivo encontraram nos álbuns conceituais um novo formato narrativo que desse conta da ambição criativa das bandas da época. Isso foi transposto para o cinema com resultados muito oscilantes e Tommy deve ser o caso mais famoso. É curioso ver hoje como o The Who reuniu participações especiais bastante ecléticas no filme, de Elton John a Tina Turner, e embora muita coisa tenha ficado datada em Tommy (especialmente o retrato do rock como uma força juvenil contestadora) o trabalho brisado do diretor Ken Russell é um grande exemplo das sátiras que o cinema britânico fazia na época, de modo geral, de Monty Python a O Homem que Caiu na Terra.

Disponível no Amazon Prime Video.

The National: I am Easy to Find

Foto de The National: I am Easy to Find
Divulgação

A apresentação gravada do The National no Beacon Theater de Nova York em abril de 2019, parte da divulgação do oitavo álbum do grupo, pega o National em um momento interessante de prestígio, naquele patamar de carreira que mistura ambição multimídia (o show serviu para fazer a premiére do curta-metragem com Alicia Vikander que acompanha I am Easy to Find) e novas experimentações sonoras. O National é um dos principais nomes do rock indie americano deste século e, embora I am Easy to Find entre por novos caminhos pop, assistir ao show é uma boa porta de entrada para entender o apelo da banda - transformado em imagem numa climática variação de cores mais frias e mais quentes.

Disponível no Amazon Prime Video.

O Último Concerto de Rock

Foto de O Último Concerto de Rock
Divulgação

Assistir hoje a essa mistura de documentário e concerto gravado pode ser uma experiência datada, porque o formato do filme de 1978 foi reproduzido a esmo em diversos outros registros desde então, e também porque o The Band é um grupo que fala mais ao imaginário do folk rock americano do que do rock n' roll que sempre chegou até nós. Ainda assim é um marco que sempre merece ser revisitado, principalmente porque é o primeiro documentário musical de Martin Scorsese e pautou a forma como o diretor se aproxima (e se coloca em cena como entrevistador) num misto de investigação e reverência aos artistas que ele escolhe para colocar nas telas.

Disponível no Telecine.