Supergirl: Woman of Tomorrow/Superman and the Authority/Superman: Son of Kal-El

Créditos da imagem: DC Comics/Divulgação

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DC valoriza “marca Superman” em novas HQs que exploram o legado do personagem

Comandados por alguns dos principais nomes da indústria atualmente, títulos focados no herói e sua família vivem bom momento na DC Comics

Nico Garófalo
16.08.2021
16h17
Atualizada em
16.08.2021
16h33
Atualizada em 16.08.2021 às 16h33

Tido por grande parte do público e da indústria em si como o maior super-herói da história, o Superman vive, em 2021, um de seus momentos mais empolgantes em anos. Recém-saído de quatro Prêmios Eisner por Superman Smashes the Klan e O Amigo do Superman: Jimmy Olsen, o selo do personagem entra em uma nova fase comandada por alguns dos nomes mais respeitados e procurados do mercado de quadrinhos atualmente. Grant Morrison, Jill Thompson, Tom King, Mikel Janín, Tom Taylor, Bilquis Evely, Wilfredo Torres, Robert Venditti e mais assumiram as revistas estreladas por Clark e sua família, com histórias diversas que prometem conquistar o público, ao mesmo tempo que exploram o legado de Kal-El e seu peso no Universo DC.

Com minisséries tocadas por times estrelados como Superman: Red & Blue e Superman ‘78, é fácil pensar que a editora vê no saudosismo uma arma para agradar velhos fãs ao mesmo tempo em que atrai o olhar curioso de novos leitores, mas as séries de maior destaque envolvendo Clark e sua família mostram justamente o contrário. Mesmo que as minisséries ajudem a explicar o tamanho da importância do Superman, a verdadeira celebração da herança do kryptoniano pode ser melhor sentida em revistas como Superman: Son of Kal-El e Supergirl: Woman of Tomorrow.

Escrita por Tom Taylor e ilustrada por John Timms, Son of Kal-El busca, em um caminho diferente da tentativa frustrada dos Novos 52, atualizar o significado de “verdade, justiça e o jeito americano”, com Jon Kent, filho de Clark e Lois Lane, assumindo a icônica capa para enfrentar ameaças mais consistentes com o século XXI. Além de clássicos vilões, o novo Superman encara questões climáticas, autoritarismo e sensacionalismo, ao mesmo tempo em que busca entender como é possível honrar o manto que veste sem perder sua própria identidade. Refletindo a constante discussão sobre o lugar do Homem de Aço na cultura pop atual, Superman: Son of Kal-El questiona a expectativa do público ao ver o S vermelho. Assim como os cidadãos de Metrópolis, os leitores são incentivados a conhecer um novo Superman e a abraçar o maior número possível de interpretações do octogenário personagem.

A questão da individualidade também é marcante na ótima Supergirl: Woman of Tomorrow. Se Kara foi criada nos anos 1950 como uma tentativa de atrair novas leitoras para a revista do Superman, a personagem conseguiu se afastar o bastante de seu primo para criar sua própria personalidade. Ainda assim, sua conexão com Kal-El sempre elevou as expectativas em torno de suas ações no Universo DC, fazendo com que Kara se visse com frequência na sombra do primo. Nesse contexto, Tom King, Bilquis Evely e Matt Lopes usam Woman of Tomorrow para explorar mais a fundo as diferenças entre a Supergirl e o Superman, com a jovem heroína criando sua própria reputação em uma bizarra viagem espacial. Sem um sol amarelo para lhe dar poderes, Kara precisa contar com a própria engenhosidade para terminar sua jornada. O maior foco dado à personalidade da kryptoniana destaca ainda mais as diferenças entre ela e o primo famoso, uma escolha que ajuda a redefinir seu papel no cânone da DC sem nunca ignorar a grandiosidade e importância que o Superman tem no universo.

Mas e o bom e velho Kal-El?

Embora não estrele mais o título principal do Superman, Clark segue presente em duas revistas, Action Comics e Superman and the Authority. De maneiras diferentes, as HQs exploram a grandeza do Homem de Aço e como sua influência é sentida por toda a galáxia. Enquanto a tradicional revista da DC, atualmente comandada por Philip Kennedy Johnson, Daniel Sampere e Adriano Lucas, segue os esforços do Superman de impedir uma guerra entre Atlantis e Estados Unidos enquanto lida com uma invasão do Mundo Bélico, a minissérie de Grant Morrison, Mikel Janín e Jordie Bellaire foca em uma versão mais velha do herói, agora desiludido com a incapacidade da Liga da Justiça de tornar a Terra um lugar melhor.

Obviamente, as revistas se ligam através de seu protagonista, mas o retrato que trazem do personagem expõe facetas diferentes de Kal-El. Em Action Comics, Johnson e companhia mostram aquele bom e velho Superman idealista, que se desdobra para resolver crises diplomáticas terráqueas ao mesmo tempo em que estuda uma forma de acabar com o tráfico de escravos do Mundo Bélico. O lado heróico do kryptoniano fala alto, mas já é possível perceber um pouco de sua decepção com seus próprios feitos, especialmente com a inaptidão de manter a paz sem o uso de força bruta.

Em Superman and the Authority, esse autoquestionamento toma proporções gigantescas e leva Clark a recriar a equipe de anti-heróis Authority, em uma tentativa de se desvencilhar das amarras limitadoras de fronteiras nacionais e entidades burocráticas. O roteiro de Morrison disseca as questões do Superman com a Liga da Justiça, que ele julga ter se tornado um grupo de heróis preguiçosos e descuidados, mais preocupados em enfrentar seus próprios vilões do que cuidar da Terra. Com seus poderes enfraquecidos e com sua vida se aproximando do fim, o kryptoniano reflete sobre seus feitos e o que ele vê como fracasso em sua promessa de manter a paz no planeta. Por mais que essa visão pareça pessimista, especialmente levando em consideração o papel histórico de Kal-El como o principal símbolo de esperança dentro da DC, ela vai ao encontro do futuro apresentado no evento Future State no início de 2021, em que o herói fica preso no Mundo Bélico e é obrigado a lutar como um gladiador para o entretenimento de Mongul.

Com uma variedade impressionante de gêneros e narrativas comandadas por seus principais quadrinistas, o Superman e sua família mantém o bom momento que a marca vive desde o Renascimento. Aproveitando a estrutura que vem sendo criada nos últimos três anos, a DC devolve o selo do Homem de Aço de volta ao seu lugar de direito entre os principais destaques - de criatividade e importância - da editora.

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