Imagem promocional de Liga da Justiça: Guerra/Warner Bros. Animation

Créditos da imagem: Warner Bros./Divulgação

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Por que o Universo Animado DC foi a melhor coisa que a editora fez fora das HQs

Franquia encerrada por Justice League Dark: Apokolips War tem muito a ensinar a outras séries cinematográficas, inclusive ao MCU

Gabriel Avila e Nicolaos Garófalo
15.05.2020
19h00
Atualizada em
15.05.2020
19h12
Atualizada em 15.05.2020 às 19h12

Uma das duas maiores editoras de quadrinhos do mundo, a DC também se tornou símbolo de animações de super-herói. Na década de 1940, um curta do Superman produzido pelo Fleischer Studios concorreu ao Oscar de melhor animação. Já nos anos 1970, os principais personagens da editora estrelaram o icônico desenho Super Amigos, produzido pela Hanna-Barbera, que foi sucesso mundial. Ainda assim, o boom da editora no mundo dos desenhos animados veio mesmo entre os anos 1990 e começo dos anos 2000, com a produção de séries como Batman: A Série Animada, Liga da Justiça, Super Choque, Superman: A Série Animada e Os Jovens Titãs. Cada um à sua maneira, os programas foram responsáveis por apresentar uma nova geração aos maiores heróis do mundo.

Com o passar do tempo, o avanço da rival Marvel e seu universo compartilhado de filmes live-action inspirou a DC a investir em uma empreitada similar. Em 2013, enquanto o longa O Homem de Aço dava início ao Universo Estendido DC, a editora lançou, com relativa discrição, Liga da Justiça: Ponto de Ignição, longa animado inspirado no arco de mesmo nome que originou o retcon (reformulação do cânone) Novos 52.

Extremamente bem recebida pela crítica, a animação deu origem a um universo completamente diferente do que os fãs estavam acostumados na década anterior. Sem as amarras da censura televisiva, os primeiros longas do Universo de Filmes Animados DC (DCAMU, em inglês) se aproximaram da violência mostrada nas HQs, sem necessariamente restringir o público a maiores de 18 anos.

Diferentemente das adaptações live-action cinzentas comandadas, na época, por Zack Snyder, os filmes do DCAMU não se opunham ao tom das histórias das HQs. Muito pelo contrário: mesmo as poucas produções de censura 18 anos mantiveram a visão colorida e divertida dos quadrinhos e nunca descaracterizaram seus principais personagens.

A maior prova de que as animações souberam mesclar os quadrinhos com sua própria linguagem está na forma como adaptaram eventos e personagens específicos. Ideias que vão desde a morte do Superman, até um Batman mais violento que o normal ganharam uma abordagem mais interessada em estudar seus heróis e vilões do que meramente chocar, ao contrário dos primeiros filmes do DCEU.

Essa dissonância dos longas live-action, no entanto, não necessariamente aproxima as animações da DC ao MCU, objeto de comparação constantemente usado por críticos e fãs. Fugindo da armadilha da franquia comandada por Kevin Feige, a Warner permitiu que cada longa existisse dentro de sua própria “bolha”, criando um leque relativamente heterogêneo de produções que, mesmo conectadas, são bem diferentes entre si e apelam para públicos diferentes.

O Filho do Batman (2014), por exemplo, incorpora muitos dos elementos mais sombrios das HQs do Cavaleiro das Trevas, mantendo sua classificação indicativa para os 12 anos. Já Esquadrão Suicida: Acerto de Contas atinge um demográfico completamente diferente: visando o público adulto, a animação é muito mais violenta e ágil que qualquer longa do Homem Morcego na franquia. Essas diferenças ampliam o público consumidor dessas histórias e, consequentemente, da marca da DC.

Outro atrativo dos longas animados da editora é seu ótimo elenco de voz. Tara Strong, Sean Astin, Jason O’Mara, Nathan Fillion, Rosario Dawson, Matt Ryan e Jerry O’Connel simplesmente dominam seus personagens, cujas interpretações nas séries dos anos 2000 era vista como intocável. Mesmo nos lançamentos medianos da franquia, como O Trono de Atlântis (2015), o trabalho dos dubladores foi extremamente elogiado.

O universo cinematográfico mais ousado da atualidade

Há também uma valorização de propriedades consideradas menores por parte público. Nos últimos sete anos, Constantine, Batwoman, Titãs, Exterminador e Lanterna Verde ganharam um espaço que, nos cinemas, parece reservado à tríade Batman, Mulher-Maravilha e Superman. Shazam! e Aquaman, embora tenham seus longas solo, têm a rara oportunidade de brilhar ao lado da Liga da Justiça.

Até mesmo os vilões do DCAMU se sobressaem. Já contando com a presença de clássicos como Coringa, Darkseid e Lex Luthor, o universo animado se beneficiou com as presenças de Garra, Superman Ciborgue, Trigon, Terra e Felix Fausto, antagonistas de destaque nas HQs. Ao contrário do que acontece nos cinemas, os vilões animados eram reaproveitados com frequência e criatividade pelas equipes por trás das animações.

Chegando ao fim com Justice League: Apokolips War, lançado em maio nos Estados Unidos, o Universo Animado de Filmes DC deixa um importante legado para fãs de quadrinhos. Bem construído, sua versatilidade deveria ser exemplo para os arquitetos do MCU, enquanto mostra às mentes do DCEU que fidelidade às HQs não impede a criação de um conteúdo maduro.