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Com novo trailer, Batman apresenta faceta autodestrutiva do herói

Abordagem foi explorada por Darwyn Cooke em Ego e, mais recentemente, no arco “Eu Sou Suicida”, de Tom King

Nico Garófalo
17.10.2021, às 10H30
ATUALIZADA EM 18.10.2021, ÀS 14H41
ATUALIZADA EM 18.10.2021, ÀS 14H41

Quando chegar aos cinemas em 2022, Batman obviamente trará diversas referências visuais e narrativas a alguns dos maiores clássicos do herói. Ainda assim, uma das características mais marcantes do Cavaleiro das Trevas de Robert Pattinson pode ser sua tendência à autodestruição, explorada no clássico moderno Batman: Ego, de Darwyn Cooke, e na elogiada “Eu Sou Suicida”, história escrita por Tom King para a revista principal do Homem Morcego.

No arco de King, Bruce e Selina Kyle trocam cartas sobre seus traumas e as motivações que os levaram a assumir suas identidades de Batman e Mulher-Gato, respectivamente. À amada, Wayne admite a bizarrice e a graça no fato de ele se vestir como um morcego gigante e passar noites e mais noites caçando criminosos e revela que, na realidade, sua guerra contra o crime não é uma busca por vingança, mas um impulso suicida vindo do desejo de se juntar aos pais, mortos quando ele ainda era criança.

O trailer de Batman lançado na edição de 2021 do DC FanDome mostrou o Cavaleiro das Trevas com uma atitude assustadoramente despreocupada ao ser atingido por tiros de pistolas e submetralhadoras. Enquanto essa indiferença condiz com a aura amedrontadora que o herói tenta passar, ela ilustra também a falta de amor próprio de Bruce e o quanto ele vê sua morte com bons olhos. Em determinado momento da prévia, Bruce diz a Alfred (Andy Serkis) que não se importa com o que pode acontecer com ele mesmo no final de sua cruzada, colocando, assim como nos quadrinhos, esse desejo suicida em palavras.

Essa ligação com “Eu Sou Suicida” pode inclusive adiantar a importância que Selina (Zoe Kravitz) terá na narrativa de Matt Reeves. No arco de King, o Batman diz à Mulher-Gato que sua dor desaparece quando os dois estão juntos e essa influência positiva pode ser sentida nos poucos diálogos adiantados pelo trailer revelado neste sábado (16). Seja ajudando Bruce a aceitar sua vida sem o capuz ou controlando a crueldade de seus atos na hora de enfrentar seus inimigos.

Ego

O fator psicológico, especialmente a visão de um Bruce Wayne exausto e próximo ao seu limite físico e mental, é também a principal questão trazida por Darwyn Cooke em Ego, publicada em 2000. Na história, um Batman tomado pelo sentimento de culpa por não conseguir evitar o massacre de uma família retorna perturbado à batcaverna, onde suas duas personas começam a discutir o propósito e os métodos do Homem Morcego e as consequências trazidas por sua regra de não matar seus oponentes.

Há meses, Reeves tem falado sobre a influência direta que Ego teve em seu processo de contrução de Bruce Wayne, o que ficou claro no trailer mais recente de Batman. Diferente de "Eu Sou Suicida", que mostra o herói explicando suas escolhas, a HQ de Cooke mostra uma jornada de autoconhecimento e questionamento que para o Cavaleiro das Trevas, que nunca ficou parado por tempo o bastante para enfrentar de fato seus demônios interiores. Assim como essa contraparte específca do personagem, o Batman de Pattinson parece constantemente no limite da insanidade, seja com ou sem o capuz.

Esse novo Batman parece agir com uma brutalidade quase psicótica, o que causa um visível desgaste à físico e mental. Trazendo à tona o debate de uma luta inacabável contra criminosos cada vez mais implacáveis, Reeves pode dar tanto ao Cruzado Encapuzado quanto a Bruce Wayne uma profundidade única, explorada pela guerra travada na cabeça do personagem, cuja visão de si mesmo varia entre anjo vingador e monstro, uma dualidade que, até o momento, foi apenas insinuada de forma discreta nas telonas.

Mesmo que Batman: O Longo Dia das Bruxas e Batman: Ano Um sejam as principais influências narrativas e visuais para o filme, grande parte do subtexto de Batman deve se apoiar em Ego e “Eu Sou Suicida”. A veia psicológica trazida por Cooke e King para as HQs pode ser usada pelo cineasta como a grande diferença entre sua versão do Cavaleiro das Trevas e as desenvolvidas por seus antecessores nos últimos 32 anos.

Enquanto Tim Burton, Christopher Nolan e Zack Snyder deram a Bruce um escape para sentimentos de culpa e fúria na luta contra o crime, o Batman de Reeves usa seu capuz como uma ferramenta de autodestruição indireta. Inconsequente, o herói deixa seu flagelo na mão dos criminosos que dominam as ruas de Gotham e se joga nesse cenário potencialmente letal como forma de driblar a responsabilidade que tem sobre a própria vida.

DC FanDome

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O evento da DC já revelou uma cena de Adão Negro, um novo teaser de Pacificador, imagens de bastidores de Aquaman e o Reino Perdido e o primeiro teaser do filme do The Flash.

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