Aves de Rapina | Por que a Arlequina comanda a equipe e não a Batgirl

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Aves de Rapina | Por que a Arlequina comanda a equipe e não a Batgirl

Líder do grupo nos quadrinhos, Barbara Gordon não estará no longa

Gabriel Avila
03.02.2020
19h05

Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa marca a estreia de uma das mais celebradas equipes do Universo DC nos cinemas. Reunindo heroínas do núcleo urbano de Gotham, o grupo combate criminosos que escapam da vigilância do próprio Batman. Porém, a formação do time no filme foge dos moldes “clássicos”, já que agora elas são lideradas pela Arlequina, e não pela Batgirl. Entretanto, o longa reflete na tela os distintos níveis de popularidade das personagens e reinventa a franquia para se adequar ao fenômeno que a anti-heroína vivida por Margot Robbie se tornou nos últimos anos.

Nos quadrinhos, as Aves de Rapina apareceram apenas em 1996, mas as raízes para a sua criação surgiram em A Piada Mortal, clássica história do Batman publicada no fim da década de 1980. Na HQ, o Coringa decide provar sua teoria de que basta um dia ruim para enlouquecer alguém, e no processo invade a casa do Comissário Gordon, atira em Barbara Gordon, a Batgirl, e deixa a heroína paraplégica. Originalmente, a história não faria parte da continuidade oficial, mas devido a popularidade entre os fãs, a DC Comics decidiu incluí-la em seu cânone. Como resultado, a personagem praticamente desapareceu dos quadrinhos até ganhar uma nova identidade na HQ do Esquadrão Suicida. Na clássica fase escrita por John Ostrander, Gordon reapareceu como Oráculo, uma espécie de inteligência militar condensada em uma pessoa só. Evoluída a uma das mais brilhantes desse universo, a Oráculo passou a colaborar com outros heróis, definindo táticas das missões até mesmo do Batman.

Poucos anos depois, a DC decidiu reunir Oráculo e Canário Negro, heroínas com temperamentos e táticas diferentes que tinham grande potencial para se completar. Com roteiros de Chuck Dixon, um dos grandes autores responsáveis pelas revistas da bat-família na década de 1990, a parceria vingou ao combinar a persona metódica de Bárbara com o temperamento explosivo de Dinah Lance. O nome dado à dupla foi Aves de Rapina, que com o tempo se transformou em uma equipe que recebeu outras integrantes como Caçadora, Lady Falcão Negro e até mesmo a dupla Rapina e Columba. Porém, mesmo com uma adaptação para a TV, o grupo nunca ganhou muita atenção fora dos quadrinhos. Em contrapartida, surgia nos desenhos animados a Arlequina, uma personagem cuja popularidade só fez crescer.

Arlequina: o quarto pilar da DC Comics

Apresentada em um episódio da clássica série animada do Batman, a vilã se tornou uma das favoritas do público no decorrer de suas curtas aparições como ajudante e interesse amoroso do Coringa. Ganhando cada vez mais espaço no desenho - a ponto de ser a protagonista de diversos episódios - e fazendo participações em HQs derivadas da animação, a DC Comics encomendou um quadrinho que revelasse a origem da palhaça. Escrita e desenhada por Paul Dini e Bruce Timm, dupla que encabeça a equipe do seriado, a HQ Louco Amor apresentou a trágica jornada da psicóloga Harleen Quinzel, que passou de psicóloga do Palhaço do Crime para sua admiradora e, por fim, amante e aliada. Vencedor do prêmio Eisner, o quadrinho abriu as portas para a vilã, que no futuro ganharia sua própria revista solo e papel de destaque no título do Esquadrão Suicida.

Nos anos seguintes, a dinâmica entre Coringa e Arlequina abordou relacionamentos abusivos, tema pouco discutido no Universo DC até então. Se por um lado eles agiam como a versão quadrinesca de Bonnie e Clyde, por outro havia a constante manipulação, humilhação - e até agressão - por parte do Coringa. Fora das animações, ela se tornou cada vez mais popular ao aparecer também nos videogames, com destaque para as séries Arkham e Injustice. A explosão de sua popularidade chegou ao ápice com o lançamento do filme Esquadrão Suicida, que teve a palhaça interpretada por Margot Robbie como um dos seus pontos altos - mesmo com a torrente de críticas negativas. Angariando uma nova geração de fãs para a editora, Harley foi descrita como o “quarto pilar da DC” por Jim Lee, icônico artista e co-publisher da editora, que comparou a agora anti-heroína a Batman, Superman e Mulher-Maravilha.

Conscientes da popularidade da palhaça, a Warner Bros. não demorou para encomendar um filme solo da Arlequina. O estúdio retomou conversas com Margot Robbie, que havia sugerido uma aventura focada na criminosa ainda enquanto filmava Esquadrão Suicida. Durante o painel de Aves de Rapina na CCXP19, a atriz afirmou que “não estava pronta para se despedir” de Harley e confessou que “começou a ler os quadrinhos e ficou obcecada”. Em sua leitura, ela descobriu que existe todo um elenco de personagens femininas fortes que poderiam agir ao seu lado, revelação que ecoou com sua própria vivência. “Fiquei pensando que na vida real, tenho minha gangue de amigas, (...) e gostaria que Harley tivesse uma gangue feminina também”. A saída foi juntá-la a heroínas e vigilantes ainda inéditas nas telonas.

Mas e a Batgirl?

É pouco provável que a Batgirl tenha ficado de fora de Aves de Rapina por não caber na gangue. O motivo mais provável é a produção do filme solo da heroína, que a Warner tenta desenvolver desde 2017, projeto esse que chegou a envolver Joss Whedon, o diretor do primeiro filme dos Vingadores, e atualmente está com um roteiro em desenvolvimento por Christina Hodson, roteirista de Bumblebee e Aves de Rapina. Gail Simone, uma das roteiristas que mais trabalhou com a personagem nos quadrinhos, comentou a ausência de Barbara Gordon em Aves de Rapina tranquilizando os fãs: “ela receberá MUITO amor no futuro da DC nos cinemas”.

Vale lembrar que nesse meio tempo o estúdio voltou a trabalhar em The Batman, filme que marca o retorno do Homem-Morcego aos cinemas. Ainda é cedo para dizer se a heroína estará envolvida com o Bruce Wayne de Robert Pattinson, mas caso o estúdio planeje cruzar o caminho do vigilante com o das Aves, a ponte pode ser a Batgirl.