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CCXP Worlds | Como Tom King se tornou um dos maiores nomes da indústria

Ex-agente é responsável por clássicos modernos como Visão, Senhor Milagre e Omega Men

Nicolaos Garófalo
06.12.2020
14h51
Atualizada em
29.12.2020
15h33
Atualizada em 29.12.2020 às 15h33

Em pouco mais de uma década trabalhando na indústria de quadrinhos, Tom King se tornou um dos nomes mais conhecidos do meio. Embora seja praticamente unanimidade entre críticos, o roteirista divide opiniões de fãs por deixar batalhas com vilões de lado e focar em conflitos psicológicos e emocionais de heróis populares. Durante a CCXP Worlds, o autor, que já venceu os prêmios Eisner, Ringo e Harvey, contou que seu trabalho como operador da CIA influência diretamente suas histórias.

Segundo King, sua tendência de trazer personagens mitológicos para um patamar mais humano vem da quebra de expectativas do que significa ser um agente. “Você espera estar no meio de James Bonds e Jack Ryans, mas somos todos apenas humanos. Apesar de estarmos nestas circunstâncias extremas, ainda somos todos humanos lidando com essas circunstâncias extremas e isso moldou todo o meu trabalho [nos quadrinhos]”.

Visão talvez tenha sido a primeira vez em que esse “padrão” de King tenha entrado em ação. “Minha proposta original estava meio errada, porque parecia muito fofa”, lembra o quadrinista. Na história, o sintezóide da Marvel Comics cria uma família similar a ele em uma tentativa de se aproximar da raça humana. Imaginando uma minissérie no estilo das tradicionais sitcoms norte-americanas, os executivos da editora não mostraram tanto interesse pela ideia. “Mas aí eu falei ‘e isso deixa ele louco e ele se torna maligno’ e eles responderam ‘agora entendi!’”. O livro, que foi publicado em doze edições, foi um grande sucesso e abriu as portas para outros dois elogiados trabalhos de King: a minissérie Senhor Milagre e o título principal do Batman.

Ao longo de 85 edições, o quadrinista criou momentos icônicos, que marcaram os fãs – de maneiras positivas e negativas -, como o longo noivado entre Bruce Wayne e Selina Kyle e a morte de Alfred. “A DC me pediu para matar o Alfred, não o contrário!”, explica King, que passou alguns meses se defendendo de leitores raivosos nas redes sociais. O mordomo do Cavaleiro das Trevas, que está ao seu lado na luta contra o crime desde suas primeiras aventuras, foi assassinado por Bane como forma de punir o Robin Damian Wayne. A morte, no entanto, seria apenas um truque. “O chefe da editora me ligou e falou ‘eu li a edição e eu não quero queseja mentira, eu quero o Alfred morto’”. King então teve que ligar para seu editor, Jamie S. Rich, para encontrar um significado para o sacrifício do personagem. “No fim da conversa eu falei ‘meu Deus, acho que acabamos de matar o Alfred’”.

Curiosamente, a morte do querido funcionário da Mansão Wayne pode não ser a história mais comentada de King em seu tempo comandando a revista do Batman. “Todo mundo me diz que a edição do encontro de casais [em que Bruce e Selina saem com Clark Kent e Lois Lane] é sua história favorita. Em toda convenção que eu vou, essa é a revista que eu mais assino”, comentou o autor entre risadas. Segundo ele, a chefia da DC Comics brigou para que a história não acontecesse, argumentando que “o Batman precisa de escuridão e lutas”, mas que King e o artista Clay Mann conseguiram convencer os editores a ceder uma edição para história bem-humorada.

Seu período na CIA não é a única grande influência no trabalho de King. O autor nunca escondeu a admiração por Alan Moore e incorpora diversos elementos do criador de Watchmen em seu estilo, mas disse ter sentido uma enorme pressão quando a DC Comics lhe ofereceu a minissérie de Rorschach, que ele inicialmente negou. “Já me compararam demais ao Alan Moore por eu usar o formato de nove painéis dele, ser mais formal, lidar com temas grandes. Seria como ficar na sombra dele, fazer um cover”. A minissérie de Watchman, na HBO, mudou a opinião de King sobre escrever o gibi. “Eu tive a epifania de que você pode fazer [algo de] Watchman sem refazer Watchman. A série usa a linguagem que o Alan Moore criou e conta a própria história”, refletiu o roteirista, que disse que se sentiu inspirado para fazer algo semelhante que trouxesse o mundo criado pelo Mago para 2020.

O público brasileiro também tem um lugar especial no coração de King. Após abrir o painel dizendo que pretendia vir para o Brasil em 2020, o escritor agradeceu o apoio que os leitores do país mostraram ao longo de sua carreira, especialmente após o lançamento de Senhor Milagre. “Eu recebo tantas mensagens de carinho sobre esse gibi nas minhas redes sociais, eu fico impressionado”.

Já com um legado de fazer inveja em muitos veteranos na Indústria, Tom King chega em dezembro de 2020 com três gibis em circulação: Strange Adventures, Rorschach e Batman/Catwoman – este último concluindo sua visão para a revista do Homem Morcego. Prometendo sempre levar sua “própria loucura para os personagens” que escreve, o quadrinista se mantém firme no caminho para se tornar um dos principais roteiristas de sua geração.

CCXP Worlds: A Journey of Hope, primeira edição 100% digital do maior evento de cultura pop do mundo, acontece entre os dias 4 e 6 de dezembro de 2020. Os ingressos gratuitos e os pacotes especiais, que dão direito a atrações e brindes exclusivos, estão disponíveis no site www.ccxp.com.br.

Neste domingo (6), a Warner traz um painel imperdível, com filmes como Mulher-Maravilha 1984 e Esquadrão Suicida, e séries como His Dark Materials, Flash e Euphoria, com direito à presença de Zendaya. O line-up dos quadrinhos não está menos estrelado, com nomes como Dave GibbonsTom KingGail Simone e Art Spiegelman.

Quem perdeu alguma coisa ou quer rever os melhores momentos pode acessar os vídeos on demand, que serão disponibilizados na plataforma em até 24 horas depois da exibição ao vivo e ficam no ar até o dia 13 de dezembro.

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