Jeff Lemire e Andrea Sorrentino falam sobre Coringa na CCXP Worlds

Créditos da imagem: Divulgação/Warner;Divulgação/DC Comics

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CCXP Worlds | Como filme do Coringa reuniu Jeff Lemire e Andrea Sorrentino em HQ

Um Sorriso de Matar levou a dupla de Gideon Falls ao universo do Batman

Gabriel Avila
05.12.2020
00h15

Jeff Lemire e Andrea Sorrentino se tornaram uma das mais celebradas duplas dos quadrinhos na última década após trabalhar em grandes HQs como Arqueiro Verde, O Velho Logan e Gideon Falls. Em painel especial na CCXP Worlds, os quadrinistas revelaram o processo de criação de Coringa: Um Sorriso de Matar, seu mais recente projeto. Em um bate-papo com o quadrinista Pedro Cobiaco, Sorrentino revelou que a ideia nasceu do primeiro trailer do filme do Coringa com Joaquin Phoenix:

“Tudo começou quando saiu o trailer do filme, eu fiquei muito animado com ele. Então mandei um e-mail pro Jeff perguntando se ele queria fazer algo do Coringa comigo. Tudo foi feito de forma natural em questão de semanas”.

Afirmando que ficou muito animado com o personagem, Andrea Sorrentino afirmou que foi legal trabalhar nele e buscar um tipo diferente e mais realista de Coringa. Jeff Lemire relembra que essa abordagem nova surgiu de um dilema interior. “Fiquei hesitante porque sabia que havia muita coisa do Coringa para sair e, para ser honesto, às vezes não gosto do que fazem com o personagem. Acho que ele pode ser mal-interpretado, quase como herói para algumas pessoas”. Para não contribuir com uma visão que exaltasse o vilão, o escritor levou um tempo para pensar em uma história em que pudesse “comentar a loucura e o lado sombrio do personagem com alguma esperança”, já que em sua opinião algumas histórias do Coringa sofrem com falta de perspectiva e empatia.

Um Sorriso de Matar foi publicada nos Estados Unidos pelo Black Label, selo da DC que lança histórias voltadas para o público adulto sem amarras cronológicas. Sorrentino celebrou essa liberdade, que em sua opinião foi fundamental para que a HQ funcionasse. Lemire concordou e descreveu a experiência como muito divertida, já que escreveu poucas histórias do Homem Morcego até o momento - justamente por seu cânone tão enorme:

“A razão para eu não ter feito muita coisa com o Batman é ele estar muito amarrado à continuidade do Universo DC, o que nunca me pareceu muito animador para mim. Então poder fazer uma história sem ter que me preocupar com essas coisas e mexer com a mitologia em minha própria visão foi emocionante”, afirmou.

Curiosamente, o projeto surgiu enquanto a dupla trabalhava em Gideon Falls, seu quadrinho autoral que chegará ao fim em dezembro nos Estados Unidos. Lemire revelou que como estavam semanas adiantados no prazo do quadrinho tiveram liberdade para mexer com o Coringa. Sendo assim, não é coincidência o clima aterrorizante do quadrinho do vilão. “Nossa mente estava em uma espécie de foco muito ligado a Gideon, e parte disso refletiu no Coringa”, afirma.

Em entrevista ao Omelete, Jeff Lemire revelou que não enxerga essa similaridade como um problema. “Ela nasceu das circunstâncias em que foi planejada, então é quase como um complemento a Gideon Falls. Elas compartilham diversas similaridades, especialmente estéticas”.

Considerando que a HQ acompanha um psicólogo tentando desvendar a mente do criminoso, não é difícil lembrar de Watchmen. Um dos grandes momentos do quadrinho de Alan Moore e Dave Gibbons é justamente quando um terapeuta tenta desvendar - e curar - Rorschach de sua psicopatia. Questionado se o quadrinho serviu de inspiração, Lemire foi honesto:

“Provavelmente estava em meu subconsciente. Watchmen foi um quadrinho enorme para mim, então o li diversas vezes enquanto crescia, sabe? Então mesmo que eu não tenha pensado diretamente em Watchmen enquanto escrevia, agora posso ver que sim… Claramente havia um pouco disso lá. Toda aquela parte com o doutor e Rorschach é tão icônica que sim. Definitivamente foi uma influência, mesmo que eu não tenha percebido (risos)”.

A CCXP Worlds: A Journey of Hope, primeira edição 100% digital do maior evento de cultura pop do mundo, acontece entre os dias 4 e 6 de dezembro de 2020. Os ingressos gratuitos e os pacotes especiais, que dão direito a atrações e brindes exclusivos, estão disponíveis no site www.ccxp.com.br.

Nesta sexta (4), a Paramount apresenta seus próximos lançamentos, incluindo a nova versão de O Poderoso Chefão 3, o elenco de The Walking Dead: World Beyond conta como a série expande o universo de TWD, e a Globo traz um elenco estrelado, incluindo Taís Araújo e Lázaro Ramos. No lado dos quadrinhos, é o dia do homenageado Neil Gaiman, além de nomes como Jeff Smith e Matt Fraction.

Quem perdeu alguma coisa ou quer rever os melhores momentos pode acessar os vídeos on demand, que serão disponibilizados na plataforma em até 24 horas depois da exibição ao vivo e ficam no ar até o dia 13 de dezembro.

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