CCXP Worlds | Joëlle Jones revela os segredos da Mulher-Maravilha brasileira

Créditos da imagem: CCXP Worlds

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CCXP Worlds | Joëlle Jones revela os segredos da Mulher-Maravilha brasileira

Autora revelou influência do folclore brasileiro e de George Pérez na criação de Yara Flor

Gabriel Avila e Natalia Engler
06.12.2020
20h51

Uma das grandes surpresas na área dos quadrinhos de 2020 foi o anúncio do DC Future State, evento que vai mostrar o futuro do Universo DC, que terá uma Mulher-Maravilha brasileira. Em painel especial na CCXP Worlds, a quadrinista criadora da personagem, Joëlle Jones, revelou que sua vinda ao Brasil foi fundamental para o trabalho.

Questionada pelo editor Jamie S. Rich se a paixão dos fãs brasileiros ajuda a contar essa história, Jones revelou que ter vindo para a CCXP 2019 foi fundamental para conhecer a cultura do país: “Me informou para onde queria ir com a personagem, o que queria mostrar de sua personalidade e como ela seria no futuro”.

Nesse momento a quadrinista Becky Cloonan, roteirista da HQ Immortal Wonder Woman, se juntou ao papo para concordar com a colega. “Não estive na CCXP, mas fui ao Brasil algumas vezes e amei. As pessoas são muito legais e receptivas. Conheci e fiquei amiga de muita gente e espero voltar logo”.

Jöelle Jones voltou a falar sobre como foi a criação de Yara Flor, a Mulher-Maravilha brasileira. “Ela é uma forasteira. Não cresceu em Themyscira ou com a tribo das Amazonas, então ela é mais mortal que qualquer outra. Abordei ela experimentando esse mundo novo e tentando fazer jus à mitologia”. A artista revelou também que a criação do visual da heroína foi como “sonhar acordada” e muito divertido.

Ao final da apresentação, o mediador Jamie S. Rich indicou que as histórias do Future State são apenas o começo da jornada de Yara Flor no Universo DC. Jones concordou com um ar  de mistério “Está meio que dentro de mim e estou meio que aprendendo com a personagem. Future State é uma apresentação, é uma história divertida para as pessoas a conhecerem, e mal posso esperar para desenhar o resto, tipo agora”.

Em entrevista ao Omelete, que também teve acesso a duas artes inéditas (veja abaixo), Jöelle Jones revelou maiores detalhes sobre como o Brasil influenciou sua Mulher-Maravilha. “Na minha visita no ano passado fiquei muito impressionada. Tudo na minha viagem parecia muito vívido e excitante e emocionante, e todos que conheci eram passionais e animados e gentis e muito acolhedores, calorosos. Parecia quase como ‘O Mágico de Oz’, como se tudo ganhasse cor de repente”.

Reforçando que realmente se apaixonou pela cultura e estilo de vida no país, a quadrinista disse que esse profundo respeito se refletiu na jornada de Yara Flor. “Não quero contar muito sobre os rumos da pesquisa porque não quero revelar a história de origem dela, mas sim, houve muita pesquisa sobre mitologia, e estou gostando muito. Muita coisa é em português, então tive que aprender um pouco da língua”.

Descrevendo sua pesquisa como um grande mergulho na mitologia, Jones revelou a participação de uma grande conhecida do folclore nacional. “Por exemplo, no Future State eu uso a Caipora. É um pouco estressante... Não estou tentando reinventá-la, mas estou tentando dar o meu toque e ainda respeitar o que veio antes. É um equilíbrio delicado, mas tenho pedido ajuda a alguns artistas brasileiros, para me guiarem e dizerem se estou indo na direção certa, e pedido conselhos sobre muitos elementos da história e da arte”.

Uma das artistas brasileiras consultadas por Jöelle Jones é Bilquis Evely, quadrinista que já trabalhou com a Mulher-Maravilha e com o universo de Sandman. “Não nos conhecemos pessoalmente, só trocamos e-mails, e ela tem sido incrível. Ela dedica muita atenção a todas as minhas perguntas. Ela me manda links de coisas que preciso ler, e sobre o clima político e o clima social”.

Com poucos detalhes sobre a jornada de Yara Flor revelados, é natural que os fãs se perguntem se Diana Prince está envolvida de alguma forma. Jones responde: “Posso dizer que Future State será uma introdução para uma pequena parte da vida da Yara. E sim, sim, Diana tem um grande papel nisso, mas não posso contar mais sobre como isso acontece, e isso está me matando”.

Para se preparar para a enorme tarefa de criar uma HQ da Mulher-Maravilha, Jones decidiu ler tudo o que foi escrito sobre a personagem em ordem cronológica e atualmente está na icônica fase escrita e desenhada por George Pérez. “Acho muito bonita a origem que ele criou para a Mulher-Maravilha. Então, neste momento isso está me influenciando muito, e a importância da mitologia que ele colocou nela deixou uma grande marca em como estou seguindo com Yara Flor e sua história”.

CCXP Worlds: A Journey of Hope, primeira edição 100% digital do maior evento de cultura pop do mundo, acontece entre os dias 4 e 6 de dezembro de 2020. Os ingressos gratuitos e os pacotes especiais, que dão direito a atrações e brindes exclusivos, estão disponíveis no site www.ccxp.com.br.

Neste domingo (6), a Warner traz um painel imperdível, com filmes como Mulher-Maravilha 1984 e Esquadrão Suicida, e séries como His Dark Materials, Flash e Euphoria, com direito à presença de Zendaya. O line-up dos quadrinhos não está menos estrelado, com nomes como Dave GibbonsTom KingGail Simone e Art Spiegelman.

Quem perdeu alguma coisa ou quer rever os melhores momentos pode acessar os vídeos on demand, que serão disponibilizados na plataforma em até 24 horas depois da exibição ao vivo e ficam no ar até o dia 13 de dezembro.

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