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CCXP23 | (Alguns) destaques do Artists’ Valley no dia final do evento

De anúncios aguardados a releituras de HQs lançadas anos atrás, confira o que chamou a atenção do público

Omelete
5 min de leitura
03.12.2023, às 17H00

No último dia da CCXP23, algumas histórias curiosas sobre retornos – artistas reencontrando obras passadas e gente afastada da cena, mas que nunca deixou de produzir – e caminhos para o futuro.

VELHO AMIGO

Das mais versáteis artistas dos quadrinhos brasileiros, Bianca Pinheiro (J31-32) passeia por gêneros como terror, aventura juvenil e drama existencial com a mesma classe e fluência. Um dos trabalhos que a fez ficar conhecida nacionalmente anos atrás foi o infantil Bear, que ganha agora uma edição 100% reescrita e redesenhada, publicada pela Conrad com o nome Bear – As aventuras de Dimas & Raven: Na Cidade das Charadas – Volume 01.

“Eu nunca perdi o contato com Bear: estou refazendo essa obra desde sempre. É a quarta tentativa, se não me engano. E eu queria refazer pois, conforme evoluí e fui melhorando como artista, percebi que tinha um monte de coisa que gostaria de ter pensado de outra forma na época, para organizar melhor a história. Aí eu comecei a trabalhar com o Greg Stella, meu marido, e só agora pudemos retomar. Conseguimos uma certa estabilidade depois das Graphic MSP da Mônica e decidimos que era a hora. A nova edição compila o volume 1. Ainda vou refazer o 2 e o 3, pra depois seguir com inéditos.”

TREVAS RETOCADAS

Além de lançar o zine Sonhe Comigo, Amanda Miranda (L23) criou uma espécie de versão “director’s cut” para Juízo, lançado numa antologia em 2019: a quadrinista especializada em terror retocou as páginas, mudando até mesmo o texto.

“Sonhe Comigo brinca com alguns clichês de arte erótica e pornográfica. Me inspirei bastante nas pornochanchadas, Zé do Caixão e na produção gráfica de Carlos Zéfiro, com uma pegada feminista, explorando o monstruoso feminino. Outra referência foi o trabalho da cineasta Doris Wishman, uma espécie de John Waters mulher. Já em relação a Juízo, eu o redesenhei inteiro, deixando tudo mais escuro. O texto também foi atualizado. Geralmente, quando faço quadrinho, eu primeiro escrevo o conteúdo no formato de conto e, a partir daí, vou cortando algumas coisas, enquanto outras viram imagens. Então, acabei incorporando texto que tinha ficado de fora da primeira versão.”

A VOLTA DE QUEM NÃO FOI

Quem retornou aos gibis sem nunca tê-los deixado foi Davi Calil (G02): seu último lançamento impresso era o volume 1 de sua tira online Kung Fu Ganja, de 2017. Agora, o autor retoma a história com o volume 2, prometendo muitos outros trabalhos para 2024 e além.

“Nesses anos em que não publiquei nada novo estava trabalhando para relançar Quaisqualigundum e Uma Noite em L’Enfer. Fiz campanha de financiamento para eles e, toda vez que relanço algo, incluo uma página nova, mudo a capa, uma coisinha extra. E também estou há dois anos criando a HQ de Irmão do Jorel, pro Cartoon Network, trabalhando com o Juliano Henrique, criador da animação. Sai ano que vem, quando se completa dez anos da série, primeiro no formato webcomic e depois como livro. E enquanto isso eu produzia o volume 2 e escrevia o volume 3 de Kunj Fu Ganja, que vai ter uns dez volumes. Provavelmente vou estar com uns oitenta anos, dread branco, bengala, falando ‘gente, compra aqui’ (risos). Então, eu nunca parei. E ainda teve a pandemia no meio do caminho, que complicou a produção autoral.”

MAMÃE DUPLA DE PRIMEIRA VIAGEM

Carol Rossetti (D29-30) vive uma experiência única nesta CCXP: lançar uma Graphic MSP durante o evento – a partir de agora, a artista mineira terá de se acostumar com filas enormes em sua mesa. Magali: Receita é a primeira história solo da personagem no selo, que apresenta visões autorais dos personagens de Maurício de Sousa por diferentes artistas.

“O livro está com uma recepção muito boa, bastante gente vindo aqui pra pegar autógrafo, tirar foto. Trouxeram até uma criancinha linda chamada Magali, fofíssima (risos). Algumas pessoas já leram e me deram um bom feedback, mas a maioria ainda vai ter esse contato, o livro tá saindo forno agora. Produzi a maior parte da HQ ao longo deste ano e foi bem desafiador porque eu estava grávida. Então, enquanto a barriga ia crescendo, minha mão ficava mais distante da prancheta (risos). Tive que correr pra terminar as aquarelas um pouquinho mais rápido.”

DE OLHO NO PASSADO E NO FUTURO

Quem também vai viver essa mudança na carreira após trabalhar num projeto mainstream do porte das Graphic MSP é Verônica Berta (L13). Na sexta-feira, ela foi anunciada como parte do line-up de artistas a lançar obras pelo selo em 2024 – fará um gibi sobre Marina, a pintora da turma. Enquanto pensa lá na frente, Verônica tem no presente um lançamento que olha pro passado: a adaptação do romance histórico A Casa das Sete Mulheres.

“Fui a responsável por fazer a decupagem do roteiro, escrito pela própria autora do livro, Leticia Wierzchowski. A obra mostra o ponto de vista feminino da família de Bento Gonçalves, figura essencial na Guerra dos Farrapos. Em relação à Graphic MSP, recebi o convite há uns seis meses – e tive que guardar segredo absoluto. Sidney Gusman [editor da iniciativa] me passou um trote basicamente: ele me contatou dizendo que queria me indicar para um trabalho e eu super acreditei (risos). Já estamos na fase de produção da HQ, fazendo esboços.”

REDENÇÃO PELAS HQS

Fazendo a estreia no Artists’ Valley da CCXP, Cassiano (I37) participou da segunda edição do projeto Narrativas Periféricas, parceria entre editora Mino, Chiaroscuro Studios e PerifaCon para a formação profissional e publicação de quadrinistas da periferia. Tanto em Afogados (lançado pela iniciativa) como em Tico Maldito (novidade para a feira), o criador exorciza questões familiares.

“Comecei a fazer quadrinhos em 2017, mas entrei num hiato de produção, foi complexo permear o meio dos quadrinhos. Aí veio a pandemia e bateu um marasmo total. O quadrinista e meu amigo Alcimar Frazão me avisou da primeira edição desse projeto e nem dei bola, estava de saco cheio da ideia. Passou um tempo e ele disse que teria mais um. Me inscrevi pensando ‘vou fazer só pra esse cara parar de encher meu saco’ (risos). Mandei artes, passei por um processo seletivo bem longo, com 128 artistas. E o último teste me pegou de calça curta: fazer uma página ao vivo. Fui preparado só pra mostrar o portfólio, trocar ideia com as pessoas e voltar para casa pra dar aula – tenho uma salinha na minha cidade, Ferraz de Vasconcelos, onde ensino desenho. Mas no fim deu certo. É muito maluco, pois demorei tanto pra fazer acontecer porque achava que precisava estar preparado pra isso. E esse lance não existe: você vai se preparando conforme vai fazendo.”

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