The Beatles: Get Back

Créditos da imagem: Disney+/Divulgação

Séries e TV

Artigo

Entenda a máquina do tempo que trouxe os Beatles de volta em Get Back

Peter Jackson explica a tecnologia inovadora que revelou áudios inéditos do quarteto

Julia Sabbaga
25.11.2021
09h21

"Se alguém dissesse para mim 'tenho uma máquina do tempo. Você tem uma viagem. O que seria?", disse o diretor Peter Jackson na coletiva de imprensa de The Beatles: Get Back. "Eu gostaria de ir para o estúdio dos Beatles, sentar num canto, não interferir, e só assisti-los trabalhando". Foi isso que fez no documentário de três partes que chega esta semana no Disney+. Jackson trouxe os Beatles de volta à vida, exatamente como eram, e não quis mudar absolutamente nada do que se passou na época. 

"É por isso que não quis colocar entrevistas modernas. Não queria Paul e Ringo lembrando o que aconteceu [...] Queria que parecesse que estamos na sala com eles, e não tem nenhuma câmera entre nós". O resultado de The Beatles: Get Back é exatamente esse, mas ele não seria possível se não fosse a habilidade sem precedentes de Jackson de reviver imagens - e áudios - de outra era. 

Desde o primeiro teaser, The Beatles: Get Back impressionou ao mostrar Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr tão nítidos e coloridos como nunca antes. A qualidade veio em parte da experiência de Jackson com o documentário They Shall Not Grow Old, sobre a Primeira Guerra Mundial. Lá, Jackson já havia desenvolvido uma tecnologia específica para restaurar e colorir filmagens antigas. Mas a dificuldade real no novo projeto estava em limpar os áudios. Nas 60 horas de gravação que tinha em mãos, o som era apenas o registro das câmeras de Michael Lindsay-Hogg, o diretor do filme Let It Be, de 1970. Nenhum instrumento tinha uma faixa isolada, e todas as conversas entre os integrantes estavam por baixo do ruído. 

"Você tentava ouvir as conversas e tinha guitarras sendo afinadas, e você se irrita porque quer ouvir os diálogos e a guitarra entra no meio", relembrou Jackson. "Era tipo 'que ótimo, que fantástico, mas meu Deus como eu gostaria de saber o que eles estão falando". A solução, nada simples, veio da vontade de inovar de Jackson, que foi atrás de uma tecnologia inédita para contornar o problema. 

Os áudios de Get Back são resultado de uma Inteligência Artificial, criada especificamente para capturar o som do áudio em mono dos Beatles e conseguir separar cada um dos componentes. "Explicamos para o computador o que é o som de uma guitarra, o que é o som de uma voz", para depois separar cada um dos diferentes sons e usá-los isoladamente. "Musicalmente, conseguimos balancear as músicas das gravações", explicou, entregando um presente para quem já passeou pelos bootlegs dos Beatles e passou pelas bagunças sonoras dos ensaios de Let It Be. "Conseguimos equilibrar tudo e fazer soar bem".  

Mais do que conseguir solucionar as músicas, a Inteligência Artificial fez com que todas as discussões daqueles vinte e poucos dias de ensaio pudessem ser ouvidas: "estamos revelando conversas de 50 anos atrás, que ninguém nunca ouviu antes". A qualidade é um dos principais fatores que nos faz sentir a viagem no tempo de Jackson, principalmente porque, pela primeira vez, vemos os Beatles protagonizando a narrativa que por tanto tempo focou na discórdia. Aqui, espiando por trás das conversas do quarteto, Jackson fez algo inimaginável até hoje: "Fizemos com que eles pudessem contar a sua própria história". 

The Beatles: Get Back contará com imagens inéditas dos garotos de Liverpool e será lançada no Disney+ durante três dias: 25, 26 e 27 de novembro. 

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.